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Bem-EstarLifestyle

O novo homem

O novo homem é a nova mulher. A mulher cresceu, amadureceu, tornou-se independente e chegou ao mesmo patamar do homem: mulheres nas forças militares, na justiça, na política, como engenheiras, pilotos e em todas as profissões tradicionalmente consideradas masculinas. Chegou, potencialmente, ao mesmo nível do homem em termos sociais e económicos. Tem estatuto, pode ser Directora, Presidente, CEO, Chefe, etc. Pode votar, conduzir, frequentar qualquer escola ou universidade, pode até sair ou viajar sozinha ou com as amigas para qualquer parte do mundo, e falar do que quiser, expressar as suas opiniões, ser sexualmente emancipada, ter os seus companheiros e affairs sem quaisquer reservas, tal como os homens sempre puderam ou tinham liberdade para. Pode escolher casar ou não, ter ou não ter filhos, divorciar-se e voltar a casar ou namorar, se quiser. Pode viver sozinha, comprar casa sozinha.

A mulher moderna já não é submissa. Exerce o seu direito à liberdade e a balança do poder oscilou, ou está a oscilar. Com algumas desigualdades ainda, em termos de salários, benefícios ou progressão na carreira, se for preciso.

E como é que o homem fica no meio de tudo isto? Ocupa uma posição diferente. Aos homens já lhes é permitido chorar, ter sentimentos, emoções e expressá-las, já podem ficar em casa e cuidar dos filhos, fazer todas as tarefas domésticas que só as mulheres faziam antigamente. O homem já pode morar sozinho também e não ter necessariamente uma companheira. Todos os direitos e liberdades concedidos à mulher, o homem também os tem, como tal também está a habituar-se à solitude, a concretizar os seus sonhos e objectivos, sem que isso passe pelo casamento e filhos, porque, na realidade, já não precisa de uma mulher para limpar, passar a ferro e fazer o comer. A universidade traz a necessidade. Morar sozinho, com colegas ou em residências, levanta a necessidade de o homem aprender a fazer todas essas coisas, se quiser sobreviver.

Como tal, depois dos estudos, o homem está apto para viver sozinho. E aprecia viver sozinho, tanto que já se torna mais difícil abdicar dessa independência e comodismo, com as suas rotinas e hábitos, tal como a mulher. Hoje em dia, as famílias também não têm a mesma expectativa para os seus filhos como antigamente. As meninas já não vão aprender para a escola a costurar, bordar ou cozinhar e preparar-se para a vida a dois. Os estudos são transversais a ambos os géneros. Menino e menina aprendem as mesmas coisas e, na mesma altura, são preparados para a vida de igual forma. Pais e mães querem a formação e a independência dos filhos, a expectativa está na concretização dos estudos e da carreira, casamento e filhos vêm depois.

O novo homem é vaidoso, gosta de se arranjar, não só no vestir mas na utilização de acessórios, cortes de cabelo e barba estilizados, fazer depilação, definir o seu corpo e comer de forma saudável. O novo homem preocupa-se com a imagem, tanto como as mulheres. Usa secador, produtos para o rosto e para a barba, usa creme para o corpo, apara os sobrolhos, enfim. Mas o novo homem teve que começar a ter uma nova atitude perante a mulher também. Ser mais inteligente na sua abordagem, interessar-se verdadeiramente por ela e por aquilo que ela também gosta, cativá-la, conquistá-la, falar com ela e conhecê-la.

Onde dantes a mulher queria sempre um marido, hoje não é assim. E estar com uma mulher hoje requer outra sensibilidade, não só para estar, mas para manter-se uma relação. As mulheres já não toleram (nem têm de tolerar, por hábito ou tradição) violência, infidelidade, falta de diálogo ou de respeito, desprezo, desvalor ou outros comportamentos menos felizes. Então, o homem teve de aprender a modelar o seu comportamento, afastar-se daquilo que é a geração pré-modernidade em termos de padrões relacionais: a mulher na cozinha e o homem na sala.

E tudo isto vem desaguar em novas formas de relacionamento e em novas dinâmicas de relação, no campo dos afectos e da intimidade. É preciso investimento, tempo, interesses e gostos comuns, transparência, honestidade (a mulher já pode expressar as suas necessidades e opiniões livremente agora) e diálogo. Comunicação é dos maiores pilares na construção de uma boa relação. Dantes o homem refugiava-se no café com os amigos, a mulher era para estar em casa ou, no máximo, à porta da rua com as amigas e vizinhas. As conversas masculinas não se partilhavam em casa. As mulheres guardavam para si as suas angústias, mal entendidas pelo homem pouco emotivo de então.

O campo das emoções ganhou maior destaque no novo homem. O novo homem é emocional, emotivo. Quer amar, quer apaixonar-se, quer encontrar a “tal” também, quer partilhar a sua vida, mas só e se encontrar essa companheira ideal, independente, complementar. O novo homem quer partilhar tarefas, porque acha justo. Quer pagar o jantar, mas também quer que a parceira tenha essa iniciativa, se for preciso. Quer que a companheira o acompanhe numa noite de copos, quer acampar com ela e levá-la a concertos. Quer que a mulher esteja para tudo, não só para a casa ou para a cama.

O novo homem já se interessa pela espiritualidade, pelas terapias, pelo conhecer-se melhor a si mesmo. Faz retiros, lê livros de auto-ajuda e auto-desenvolvimento. O novo homem quer ser o melhor que pode, para si primeiro. Para se conquistar, para se superar. E quer uma mulher assim a acompanhar. O novo homem é, no fundo, uma actualização, um ugrade. Funciona diferente, está optimizado, é mais funcional, mais completo.

Um novo homem é também ele mulher, integrando aspectos masculinos e femininos dentro dele, tal como a mulher também tem parte masculina, no caso da competitividade ou combatividade, acção ou iniciativa na vida, ser empreendedora ou na procura activa da vivência da sua sexualidade. O homem ganhou sensibilidade, profundidade, gosto pelo belo e pela estética, pelo estar em casa e fazer as suas tarefas domésticas.

Então, a nova mulher talvez tenha criado as condições para o novo homem surgir, de forma insegura no princípio, nesta nova pele e necessidade, mas esse homem torna-se cada vez mais confiante nesse novo papel ou atributos. Esta dança tem acontecido paralelamente às mudanças estruturais da sociedade e à evolução da nossa cultura. Que saibamos crescer juntos e em harmonia, na complementaridade que os dois opostos representam, que já não podem ser considerados opostos mas sim complementares.

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Paula Chocalhinho

Psicóloga Clínica & Hipnoterapeuta. Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia Comunitária. Experiência profissional em perturbações da ansiedade (fobias, stress, pânico, ansiedade generalizada), perturbações psicossomáticas, depressão, luto, trauma, insegurança, baixa-autoestima, etc. Trabalho desenvolvido no sentido do autoconhecimento e autodesenvolvimento. Trabalha na Associação para o Planeamento da Família e em Paula Chocalhinho Consultas de Hipnoterapia.

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