Ciências e TecnologiaSaúde

O nosso Lar é A nossa Medicina

Home, sweet Home’, em português ‘Lar, doce Lar’. Frase popularmente passada de boca em boca, nascida em expressões anglicanas, que transporta muito mais do que uma mera sensação de habitação onde pernoitar depois do sol se pôr. Muito além do conceito de quatro paredes e um tecto, muito além do significado de habitação, na palavra ‘lar’ cabe uma dimensão de conceito tal, que domina os instintos do bem-estar, da harmonia, do recato.

Lar, esta pequena palavra de apenas 3 letras, deriva do latim com o significado de ‘Deus protector das casas’. Os antigos Etruscos e Romanos descreviam ‘lares’ como deuses domésticos protectores das famílias e das habitações. Os primórdios da palavra elevam a importância daquilo que vulgarmente se chama ‘casa’ como local onde morar a algo de superior relevância.

Home is where the heart is’ para os ingleses. ‘Lar, doce lar. Que escondes todos os meus defeitos’, assim reza um provérbio árabe.

O conceito de lar dispensa qualquer Caixa de Pandora. É transversal a todas as línguas, a diferentes culturas e crenças. O conceito de lar está repleto de simbolismos quase sagrados. Tem em si inerentes sentimentos de segurança e tranquilidade, na fuga aos estímulos externos do dia-a-dia, como um ‘porto seguro’ para o descanso e refúgio do guerreiro.

O que acontece, quando o nosso berço protector se deteriora? O que acontece, quando vemos o nosso refúgio danificado e a arruinar-se? Que será da tranquilidade tão merecida e esperada?

Assim acontece com um lar. A sua condição, tanto na aparência como na percepção, influenciam directamente o nosso estado de espírito e condição física, consequentemente. O que deverá ser tratado e esperado como uma extensão do próprio coração, no caminho para a saúde e bem-estar, poderá tornar-se num tormento ímpar, se não obedecer às necessidades subjectivas de cada um e no colectivo de quem partilha as 4 paredes.

Se repararmos bem nos comportamentos sociais da nossa cultura, a palavra ‘lar’ assume-se quase num ritual elitista e sazonal. Na religião, eleva-se o lar em detrimento da casa, ou da habitação, numa definição irrefutavelmente carregada de carinho, afectos e trocas de relações humanas no seio de uma família. Não existe altura em que se ouça mais a palavra ‘lar’ que no Natal. Nas mensagens que se enviam, nos postais que se trocam, nas mensagens religiosas que se apregoam. Sendo esta a época do ano escolhida para a celebração das emoções familiares e sentimentais, a palavra ‘lar’ aparece como que o saco do Pai Natal, onde tudo de bom cabe sem fronteira, ou julgamento, só devendo ser algo benéfico para a família.

Semânticas à parte, a verdade é que a nossa casa, o nosso lar, não é mais do que um reflexo da família, com memórias, celebrações, conflitos, músicas, dogmas, gargalhadas, lágrimas e silêncios que mesclam o quotidiano. Por outras palavras, a casa que temos para nosso lar é um espelho das necessidades e realidades de cada um. Caso não seja estimada e equilibrada, funciona como um barco que acumula a carga na proa, afundando aos poucos, ou, pelo menos, enchendo-se da água mais que dispensável ao contexto. Caso o nosso lar não cumpra condições equilibradas e bem distribuídas, desequilibra-se, adoece, e nós adoecemos com ele.

Cuidar de uma casa é sinónimo de cuidar de si mesmo e de toda a prol. Renovar uma casa é sinónimo de renovação em si e na família. Alterar uma casa significa alterar algo em si e nos outros. Lugar que acolhe, inspira e alimenta física, psíquica e espiritualmente, um lar deverá ser tratado como um templo sagrado, onde mora a sustentação da harmonia de todos no colectivo e cada um em particular, quantos nele habitam.

Tal como o homem é feito de corpo, espírito e mente que precisam de equilíbrio entre si para facultar uma pessoa saudável, também um lar abarca várias dimensões de obrigatória harmonia entre si, de modo a que nenhuma das suas dimensões possa adoecer e adoecer-nos. No aspecto, na higiene e nas relações interpessoais encontramos o triângulo perfeito de fluxo constante que permite dar o nome ‘lar’ à habitação que dizemos nossa.

Casa Comigo!

‘Casa comigo’, ou, como quem diz, ‘leva-me para um lar, onde possamos viver em saúde, amor e equilíbrio’. É isso mesmo, o pretexto para pedir uma casa que proporcione sensações análogas aos sentidos e sentimentos de forma salutar.

Sendo a base de apoio àquilo que somos e fazemos, a saúde do nosso lar é motivo de análise em todas as culturas e etnias. Partindo do preceito que somos o resultado do que vivemos em casa e em família, o tipo de condições e ambientes são motivo de preocupação e de estudos, pela sua influência no emergir de conjunturas propícias ao patológico no individuo e na sociedade em que se insere.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) ditou várias definições que importam conhecer, direccionadas às problemáticas de lares causadores de doença e desequilíbrio. De modo a que se perceba a dimensão do que um lar pode fazer em cada um, serão transcritas, seguidamente, várias definições com foco neste tema.

Saúde

“Um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de  afecções e enfermidades”. Nesta definição, é englobada a adaptação do individuo ao meio em que está inserido, numa dinâmica contínua, de modo a gerir a sua afectividade e evitar hábitos e atitudes nocivos.

Habitação Saudável

“É a concepção de habitação como um agente de saúde dos seus moradores, ou usuários.” E claro, o reverso da medalha. De acordo com a OMS, em todo o mundo serão cerca de 30% os edifícios novos, ou reabilitados com o dedo apontado por atentarem à saúde. Na sua maioria, são passíveis de alterações que revertam os seu efeitos negativos, transformando-se em lares saudáveis.

A uma habitação saudável existe, quando o seu espaço físico confere saúde, bem-estar, concentração, foco, produtividade de todos os seus moradores, por intermédio de inúmeros factores.

Geobiologia

Os factores que conferem a um lar a conotação de saudável serão tão variáveis quantas as culturas, os valores e as sociedades.

Focando-nos nas sociedades ditas modernas do ocidente, onde estamos enquadrados, aproveitando conceitos e critérios transversais no tempo e nas épocas e associando concepções nascidas das tecnologias, nasceu o que se conhece de Geobiologia.

A Geobiologia é a ciência que trata da interacção do homem com o meio que o rodeia, focando-se nas antigas práticas de radiestesia, procurando reconhecer o padrão energético natural do meio, como conhecimento da existência de veios e depósitos de água, falhas geológicas, densidade eléctrica, massas metálicas. A título de curiosidade, os antigos Romanos já recorriam a este método. Antes de edificarem uma cidade, deixavam animais pastar, durante aproximadamente um ano, num dado local, a fim de observarem os efeitos do meio sobre os mesmos.

No geral, a Geobiologia estuda as influências e o impacto das energias da Terra sobre todas as formas de vida. As características da qualidade do ar e da água, a disposição adequada do interior, o mobiliário, os campos electromagnéticos, a geometria da casa, a localização e as energias da Terra são alguns dos focos de atenção na análise de uma casa. Factores, cuja nocividade é variável e podem acarretar, ou intensificar problemas degenerativos, como o cancro, a instabilidade emocional, a fadiga excessiva, ou os problemas cardíacos e circulatórios.

Importa sublinhar que a Geobiologia tem como principal objectivo incrementar a saúde de individual e, consequentemente, a colectiva, através da maximização da satisfação, bem-estar, produtividade, tranquilidade, foco, harmonia familiar, sucesso e comunicação. O mote é alcançar um ambiente totalmente propício à vida saudável e feliz.

Sabendo que o ser humano é um ser electromagnético, num conjunto de sistemas, chamados células e repletos de energia, este é influenciado energeticamente pelas propriedades da Terra, podendo acontecer uma influência favorável à saúde, ou, por outro lado, nociva o suficiente para deteriorar o equilíbrio ao ponto de adoecer. Nesta base, Geobiologia tece condições para a manutenção e procura constantemente a dinâmica da saúde em casa.

10 Dicas para a Saúde do Lar

  1. As cabeceiras das camas deverão estar alinhadas a Norte, ou, em alternativa, a Leste, de modo a favorecer a qualidade do sono;
  2. Junto à cabeceira da cama, deverão evitar-se relógios, rádios, telefones e outros equipamentos dependentes de energias sem fios;
  3. Evitar fontes electromagnéticas, como tomadas junto à cabeceira da cama;
  4. Recorrer à existência de plantas no lar. Além de serem excelentes descontaminadores do ar, proporcionam renovação de concentrações e removem agentes nocivos, como os formaldeídos;
  5. O uso das cores e modo como são utilizadas nos diferentes compartimentos de uma casa é um dos grandes focos da Geobiologia. A combinação de cores e a escolha de tons determinam a calma necessária de um espaço, num auxílio ao equilíbrio psíquico e influenciando as ondas cerebrais, bem como diferentes estados mentais. As cores deverão ser quentes, alegres e equilibradas entre si;
  6. A estética, numa decoração mais minimalista e leve, primando por adornos alegres e positivos, fugindo aos que transmitem sentimentos negativos, como dor, guerra, sofrimento, perda. Os objectos deverão transmitir tranquilidade e paz;
  7. Evitar proximidade física de televisões mais antigas pelos grandes campos electromagnéticos que emitem, num mínimo de 3 metros. Os plasmas são também de evitar, devido ao grande aquecimento. O LCD e o sistema LED são os mais adequados, pela mínima influência energética que veiculam;
  8. Um dos mais fáceis e necessários factores, arejar frequentemente a casa. Abra a janelas e recicle o ar;
  9. Evitar tapetes e carpetes. São grandes acumuladores de pó e, com eles, ácaros e fungos;
  10. Confiar nas próprias sensações. Se uma dada área da casa nos incomoda, ou faz sentir algum desconforto mesmo que injustificadamente, há que evitar e confiar nas próprias sensações.

Além de todos factores perecíveis e geoenergéticos, as inter-relações que se estabelecem entre cada sujeito determinam a salubridade de um lar. Todavia, a Geobiologia escreve que estas influências poderão ser maximizadas e/ou minimizadas, tendo em conta os seus focos de análise, uma vez que tudo altera os esquemas mentais, sentimentos e sentido, havendo uma relação de ‘par acção-reacção’ psico-emocional.

Outras abordagens existem que se complementam e convergem nos objectivos, como o Feng Shui, já tão divulgado na nossa sociedade.

E agora, já percebe por que motivo ‘o nosso lar é a nossa medicina’?

Tags
Show More

Ana Cláudia Domingos

Talvez por ter nascido na Guarda, a cidade mais alta de Portugal, vivo com a cabeça nas nuvens (quase) a tempo inteiro. Para quem vive na cabeça nas nuvens, só isso, não chega. Falta o charme de exprimir emoções e sensações. Enquanto escolha, foi na saúde a minha aposta de vida. Na escrita e outras artes, como na música, encontro aconchego e pó mágico para esta vida. Longe de ser perfeita, enfim.... sou eu!

Related Articles

2 Comments

  1. Uma abordagem sóbria e apaixonada sobre o nosso lar!
    Gosto particularmente da introdução, onde a autora revela a complexidade espressiva de uma escrita romântica em torno de um tema objetivo… 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: