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O mundo estranho da Vida Virtual

Depois de uma semana tão animada e sem vontade para escrever sobre o drama de faca e alguidar no PS, até porque só agora o nível de insultos começou a subir e as contradições de Seguro começaram a evidenciar-se. Pelo que ainda há muita tinta para correr até Setembro, ou sobre o desaire da Selecção Nacional no Mundial de Futebol, achei que seria interessante falar de algo completamente diferente.

Esta semana surgiu a notícia de uma mãe indignada que publicou na rede social Instagram uma adorável foto da sua filha de 19 meses, de galochas amarelas, a levantar o vestido e a mostrar uma barriga redonda de umbigo para fora e que viu a sua conta ser fechada por a rede social a considerar inapropriada.

Segundo Courtney Adamo, a mãe, no seu blogue, recebeu um email antes da foto ser retirada pelo Instagram, informando-a que a fotografia tinha violado “as regras destinadas à comunidade Instagram”. Depois de reler essas mesmas regras, Courtney considerou que a fotografia não as desrespeitava e, como tal, voltou a publicar, pelo que pouco depois a sua conta foi encerrada. Ainda no seu blogue, Courtney diz que fica doente só de pensar que perdeu quatro anos de fotografias de viagens, dos aniversários e de familiares perdidas, dos comentários e até refere que fica doente de pensar que perdeu as hashtags que criou para a ajudarem a organizar as suas fotos.

Quando leio tudo isto no seu blogue, o que ainda me salta à vista são os mais de 100 comentários de gente que se refere ao facto como “notícias horríveis”, que “estão chateadas”, ou que “espera que isto não arruíne o seu fim-de-semana”. No entanto, tudo isto me faz pensar que, ou eu vivo num mundo aparte, ou realmente algo de estranho se anda a passar na cabeça das pessoas.

Não é o facto de se publicar uma fotografia de uma bebé, meia despida, algo que eu não faria se fosse pai, mas que não censuro, é mais a vivência intensiva e quase doentia da paralela realidade virtual. Vamos por partes. Hoje vêem-se pelas redes sociais inúmeras fotografias que os pais colocam das crianças, nas mais diversas situações. São memórias partilhadas, sem dúvida, e até ajudam a quebrar as barreiras do espaço e do tempo, permitindo que pessoas que não estão próximas vejam o crescimento das crianças (ou simplesmente o seu primeiro cocó), mas também é a privacidade de pessoas que não têm forma de dizer “não, eu não quero as minhas fotos publicadas por ti”, ou “não quero a minha privacidade espalhada por não sei quantos mil amigos dos quais tu nem conheces um quarto”. Já nem ponho em causa as questões relativas a pedofilia, que para mim são mais que óbvias, coloco mesmo a questão da privacidade da própria família que, pelos vistos, para muitas pessoas, é completamente irrelevante, pois o que é importante é espalhar as fotos por tudo quanto é sítio.

O que mais me choca nesta situação é a postura desta mãe, que parece ter uma vida virtual profundamente enraizada, publicando o evoluir da sua vida enquanto mãe, ou melhor, a vida dos filhos, através das redes sociais e do seu blogue, que, segundo também parece, é seguido por centenas de outras mães que adoram o aspecto feliz da família de Courtney. Não digo que não temos de partilhar e até sentir gosto em partilhar momentos de família, ou algo do género, mas há um bom senso que parece começar a desaparecer.

Não ponho em causa que o Instagram tenha sido um pouco excessivo (comparado com muitas das fotos que lá se encontram, esta não é nada), mas a reacção desta mãe é exemplificativa duma forma de estar na vida que, cada vez mais, se vê entre os pais e que é necessária de ser pensada e equilibrada, para que, um dia mais tarde, muitos de nós não nos arrependamos. Até porque, é sabido, o que um dia é publicado na Internet, para sempre lá fica.

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Leonardo Mansinhos

Nasci em Lisboa em 1980 sob o signo de Virgem e com Ascendente Capricórnio. Quando era pequeno descobri uma paixão por música, livros e por escrever. Licenciei-me em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE e trabalhei durante quase uma década nas áreas de comércio, gestão e, principalmente, Marketing, mas desde muito cedo interessei-me pelo desenvolvimento espiritual. Comecei como autodidacta há mais de uma década em diversos temas esotéricos, nomeadamente em Astrologia, e, mais tarde, descobri no Tarot uma verdadeira paixão. Hoje dedico-me a esta paixão através das consultas de Tarot e Astrologia, assim como de formação, palestras e artigos nas mesmas áreas. Em 2009 co-fundei a Sopro d’Alma, um espaço de terapias holísticas e complementares, dedicado ao ser humano e onde dou as minhas consultas, cursos e palestras. Procuro, acima de tudo, ser um Ser todos os dias melhor, pondo-me ao serviço da sociedade através de tudo o que sou.

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