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O mundo é um lugar estranho

Passou a euforia das festas, da mudança de governo, passou um ano do atentado ao Charlie Hebdo, as presidenciais em Portugal estão à porta e, sempre que olho à minha volta, mais me consciencializo que o mundo que criámos é um lugar estranho.

Já uma vez o escrevi, mas agora ainda se torna mais flagrante e concreto, que estamos (até porque já passámos a fase do parecer) numa espécie de castelo de cartas onde, apesar de estar em plena queda, continuamos a tentar por mais cartas por cima de tudo o que está caído. Podem até pensar que estou a ser pessimista, mas não estou, até porque acredito que, na verdade, vivemos um dos períodos mais importantes da História mundial dos últimos séculos, e que temos nas nossas mãos uma das oportunidades mais valiosas que nos têm sido dadas, a de podermos transformar as bases da nossa sociedade e reconstruí-la, duma forma mais equilibrada e justa. Já passei de pessimista a utópico? Óptimo!

Hoje criam-se doenças para vender a cura, alteram-se os alimentos, gerando problemas muito maiores no nosso próprio corpo, que estão à vista de todos, com a subida do nível de intolerâncias e alergias, de doenças como o cancro ou outras autoimunes. Os médicos e as organizações de saúde vêm contrapor com estudos e supostos factos, mas a realidade é que a única regra que impera, desde há muitas décadas, é a do quem paga mais. Nem precisamos de ir tão longe, a essas vacas sagradas que são as farmacêuticas e a indústria alimentar, basta olharmos para o próprio funcionamento das coisas mais simples e estruturais da nossa vida neste momento.

Queremos mudança, mas poucos de nós querem, realmente, mudar, até porque há hábitos que custam ser a deixados, há estruturas que estão enraizadas tão profundamente que, se nos víssemos sem elas, acharíamos que era o fim do mundo. Bem, na verdade, talvez estejamos a viver esse mesmo fim de mundo, o fim de um mundo baseado em sistemas falidos e caducados, desajustados da realidade. Para mim, esse é o verdadeiro problema que vivemos hoje.

Desde a década de 80 do século passado, principalmente, acelerámos, e muito, o nosso desenvolvimento. Hoje, em cada dia, surgem mais novidades, mais tecnologias, mais soluções e mais problemas, tão simplesmente porque criámos a necessidade de uma rapidez absoluta e impressionante. Os dias parecem mais curtos, mas têm as mesmas 24 horas de sempre, os anos passam a voar. As crianças estão mais irrequietas e a solução é diagnosticar-se hiperactividade e receitar medicamentos, quando o verdadeiro diagnóstico é falta de atenção e de amor e, na verdade, deveria receitar-se menos televisão, menos jogos de computador e mais partilha, alegria e compreensão.

Acelerámos o mundo, é verdade, mas esquecemos que muitas das estruturas que temos ainda estão baseadas no que o mundo era no início desta aceleração. O resultado é simples, é um total desajustamento entre o funcionamento do mundo e as suas reais necessidades. Exemplo disso, a estrutura económica e financeiras que, daqui para a frente, irá, certamente, dar mais sinais. Funcionamos como aqueles casos de pessoas que começam com uma pequena depressão, depois aquilo desaparece e passado uns anos ressurge mais forte, desaparecendo de seguida, com alguns tratamentos ténues, e que, com o passar do tempo, o espaço entre elas é cada vez menor e a profundidade é cada vez maior. Acredito que, nos próximos tempos, as crises financeiras (assim como as políticas) sejam, se não mexermos e transformarmos os sistemas, cada vez mais profundas e mais permanentes, tão simplesmente porque o custo de mexer no sistema, para muitos, implica perderem poder, dinheiro, posses, tudo o que é, na verdade, artificial e que não levamos desta vida quando partirmos.

Poderia escrever muito mais sobre isto, mas senti que, para começar este espaço de crónicas em 2016, este era um bom tema, um bom ponto de partida para a reflexão que, acredito, iremos viver durante este ano que há tão pouco tempo começou, mas que já tanto nos tem trazido. Talvez, no meio disto, só precisemos de reaprender a pensar por nós mesmos, pela nossa cabeça, mas também a sentir, com o nosso coração. Talvez apenas só precisemos de reaprender a amar.

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Leonardo Mansinhos

Nasci em Lisboa em 1980 sob o signo de Virgem e com Ascendente Capricórnio. Quando era pequeno descobri uma paixão por música, livros e por escrever. Licenciei-me em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE e trabalhei durante quase uma década nas áreas de comércio, gestão e, principalmente, Marketing, mas desde muito cedo interessei-me pelo desenvolvimento espiritual. Comecei como autodidacta há mais de uma década em diversos temas esotéricos, nomeadamente em Astrologia, e, mais tarde, descobri no Tarot uma verdadeira paixão. Hoje dedico-me a esta paixão através das consultas de Tarot e Astrologia, assim como de formação, palestras e artigos nas mesmas áreas. Em 2009 co-fundei a Sopro d'Alma, um espaço de terapias holísticas e complementares, dedicado ao ser humano e onde dou as minhas consultas, cursos e palestras. Procuro, acima de tudo, ser um Ser todos os dias melhor, pondo-me ao serviço da sociedade através de tudo o que sou.

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