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MundoPolítica

O Legado de Obama

Barak Obama foi um dos mais inovadores e inconformados Presidentes em muitos anos, nos Estados Unidos da América. Esta visão da presidência de Obama não é em nada pacífica, mas antes eventual geradora de alguma discussão.

No momento em que se aguarda a tomada de posso de Donald Trump, meios de comunicação de todo o mundo tentam saber como vai Trump cumprir as promessas de reverter grande parte das medidas de Obama, no que aquele se mantém muito activo, ampliando-as e tentando surpreender ainda mais tudo e todos.

Muitos são os que se dedicam a um discurso supostamente conservador, ancorados numa visão liberal da economia, e suportam toda a sua preferência por Trump, nessa redutora visão conservadora. Redutora, antes de mais, pela simpatia imediata com pouco mais do que a base política original de um candidato, ou político.

Os anúncios de Trump, ou as suas promessas, assemelham-se muito (não no conteúdo, mas na forma e na intenção) do que fazem os políticos portugueses em geral e, em particular, os socialistas: negar e reverter a generalidade das medidas ou reformas do seu antecessor, se esse for do Partido adversário. E apenas por isso. No entanto, para tal, analisemos algumas medidas de Obama e o seu legado como Presidente do ainda considerado Estado mais poderoso do Mundo.

Na Economia, durante as presidências de Obama, as Bolsas estabilizaram e conseguiram regressar aos ganhos, após um crash de como não havia memória a nível mundial. A economia voltou a crescer e a recuperação verificou-se sem as medidas de austeridade implantadas na Europa. Os Estados Unidos da América viram o desemprego regredir de cerca de 8 % para uns 4,6 %. O mercado imobiliário recuperou 23% nos preços. No entanto, o recuo do desemprego não trouxe consigo recuperação de rendimentos ou melhoria do poder de compra. Parece ter havido uma estabilização salarial. Simultaneamente, algumas profissões não recuperaram emprego, como grande parte da Indústria, que continua a deslocar-se para o Oriente e, assim, a recuperação do Emprego verificou-se nos Serviços e nos Cuidados de Saúde, com cerca de 11 milhões de novos empregos.

Obama inaugurou uma nova Era nos EUA, na sua atitude em relação às alterações climáticas (um tema em que muitos insistem ser artificial, contrariando a generalizada opinião da classe Científica, a que esses preferem encostar a ideologias de “esquerda”, o que é, no mínimo, estranho). Obama conjugou esforços com mais de 196 países e fez incluir a China. Veremos o que esta mudança traz no futuro.

O Obamacare, ou oficialmente o Affordable Care Act (ACA), é uma das reformas mais polémicas num país onde cerca de metade da população não tem acesso fácil a um Sistema de Saúde quase generalizadamente custeado e controlado por Seguradoras privadas. O Sistema americano foi, por Obama, ligeiramente alterado, ou profundamente, dependendo do ponto de vista. Se abordarmos o assunto pelo lado do acesso e pelo lado económico, Obama ficou muito aquém do que tencionava, na construção de um autêntico Sistema Nacional, apoiado pelo Estado, ainda que parcialmente. Porém, conseguiu acabar com a vergonhosa descriminação em relação às mulheres, que pagavam mais no sistema segurador, do que os homens.

A Imigração é outro tema muito polémico e agora muito actual e popular, com o que fez Obama, no tocante à legalização de muitos dos 11 milhões imigrantes ilegais e com o que promete fazer Trump, com a expulsão de parte dos mesmos. Parece que Trump pretende expulsar apenas os imigrantes problemáticos, os que estão ligados a problemas de violência, roubo e até risco de actos terroristas. Poucos serão os que, sem demagogia, não concordarão com medidas de expulsão para com esta massa de gente, e com o risco que acarretam, para um dos países mais com mais violência no Mundo (depois do Brasil, o campeão). Contudo, as promessas de Trump, podem colidir com outras, no tocante à legalização, ou ilegalização da venda de armas internamente. Trump refere a defesa pessoal dos americanos, mas resta explicar como, num sistema sem controlo, ou no qual se opta por escasso controlo, se pode saber a quem as armas serão vendidas. Há que lembrar, aos portugueses e europeus simpatizantes do futuro Presidente, que se vendem armas como se vendem máquinas fotográficas, no arauto defensor da Democracia e Direitos Humanos. Os planos de Obama para aumentar o controlo de venda de armas pessoais estão definitivamente comprometidos. E, claro, todos os que forem contra mais este devaneio irresponsável de Trump, serão uns irremediáveis esquerdistas, ou serão contra a viabilidade económica de uma grande Indústria, a do armamento.

Barak Obama tentou ainda uma Reforma da Justiça que não conseguiu mais do que iniciar. Durante os seus mandatos, no entanto, o número de prisioneiros diminuiu significativamente e resta uma análise bem acurada para se perceber as razões e as consequências. Pelas notícias (e saliento este aspecto) Trump parece ser favorável a um maior policiamento, mas os EUA são um dos Estados mais policiados do Mundo (com a óbvia excepção dos países com ditaduras) e nem por isso a violência deixa de desassossegar a sociedade americana.

Toda a opinião sobre Obama e o seu legado e Trump e as suas promessas estão inevitavelmente imbuídas de ideologia e preferências. Sobre Obama há factos. Sobre Trump, promessas, tiradas do mesmo e muita manipulação. Ele pode vir a surpreender, pela positiva, contrariando muita Comunicação Social, fundamentalmente a portuguesa, muito condicionada pelo Partido de sempre, dito socialista-democrático, mas com um longo historial de controlo dos Média e da Opinião Pública por essa via e pela da Demagogia parlamentar. Contudo, se Trump confirmar muitos dos excessos que nos foram chegando, confirmar-se-á mais um período de perda da hegemonia americana, iniciada com Presidentes como Carter, Bush pai e Bush filho e, por motivos diferentes, pela distinta postura, por Obama. Este pretendeu ser mais apaziguador e menos presente como “polícia do mundo”. O que parece Trump querer inverter. Neste momento, a expectativa é maior do que merecia ser, ou dizendo de outra forma, já seria tempo dos EUA serem tão importantes para o Mundo, como ainda são. Afinal, não foi por lá que se fundou a Civilização Ocidental, nem a Modernidade, mas as necessidades mais prementes dos povos e o rumo das tecnologias e da Economia transfiguraram o Mundo.

Será que a deslocação da Produção Mundial não afastará os EUA do Leme da Hegemonia? Haverá que deixar o tempo demonstrar as contradições e algumas incredulidades, qua nos parecem assombrar, esclarecer tudo.

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Alexandre Bazenga

Licenciado em Agronomia e com uma pós-graduação em Gestão. Leitor adicto, a escrita é uma inevitabilidade. Música, Literatura, Pintura, Fotografia, Culinária e a demanda do Conhecimento, são outros dos meus trajectos.

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