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CrónicasViagens

O lado chato das viagens

[Do qual ninguém fala]

Viajar é incrível! Conheces novos lugares, novas pessoas e culturas. Tens a oportunidade de falar outras línguas que não a tua, conhecer outros hábitos, vislumbrar diferentes edifícios. Tiras 300 fotos por dia, sempre com um ar extremamente feliz, que vais partilhando nas redes sociais e, quando regressas, contas a toda a gente o quão perfeita foi a tua aventura.

É tudo muito lindo, mas ninguém fala do lado chato das viagens. Ninguém fala das deslocações de Coimbra a Lisboa às duas da manhã a tentar dormir no autocarro, enquanto o passageiro do banco de trás se lembra de mandar pontapés no vosso banco ou o motorista acende as luzes sem razão aparente, ninguém fala das horas e horas de espera no aeroporto para depois o avião estar atrasado e nos darem um cartão oferta com um montante que dá para comprar o chocolate mais pequeno que existe na loja (como é que são definidos os preços dos produtos no aeroporto mesmo?). Ninguém fala do momento (que existe em todas as viagens) em que estamos tão cansados que começamos a amaldiçoar tudo e todos e, inevitavelmente, a discutir com as pessoas que nos acompanham. Nesse momento de exaustão, qualquer desculpa é boa para iniciar uma discussão, coisas assim ao nível de “ESTÁS A RESPIRAR TÃO ALTO PORQUÊ, AH?”.

Tendo adquirido alguma experiência em viagens desde o início do meu Serviço Voluntário Europeu, decidi fazer uma lista de comportamentos que devem evitar sempre que viajam acompanhados/as. Cá vai disto:

Levar mochilas pequenas e passar o resto do dia (ou, pior, da viagem) a pedir para carregarem a vossa tralha. Qual é a ideia de levar uma mala em que só cabem as chaves, a carteira e o telemóvel para uma viagem em que sabem que vão passar o dia todo na rua? Mais tarde, querem levar uma garrafa de água, comida para petiscar ao longo do dia, guarda-chuva, luvas e mais um par de botas (esta última é meramente metafórica, sim?) e quem carrega é a pessoa que leva uma mochila. Desculpem, meus amigos, mas comigo não dá. Se optaram pela mala pequena em plena consciência, desenrasquem-se.

Levar sandálias, sabrinas, saltos altos ou outro tipo de calçado desconfortável. Algumas pessoas precisam de meter na cabeça que vão para uma viagem, não para um desfile da Victoria Secret. Se sabem que vão andar um dia inteiro na rua, a andar de um lado para o outro, levem calçado confortável! De outra forma, vão sofrer com dores nos pés, passar o dia a protestar e arruinar o dia a toda a gente.

Tirar 30 fotografias e 20 selfies a cada dois minutos. As viagens são momentos especiais e, por isso, temos tendência a querer registar todos os momentos para mais tarde recordar. Quem sabe se algum dia vamos conseguir voltar àquele sítio? Ainda assim, não é preciso registar tooodos os segundos do vosso dia, nem tirar fotografias a tooodos os edifícios que vos aparecem à frente. Provavelmente, nunca mais vão ver essas fotografias (a menos que não tenham uma vida), vão obrigar as pessoas que vos acompanham a ter de esperar por vocês (que ficaram para trás a fotografar a montra de uma loja banal, mas que naquele momento vos parece a oitava maravilha) e não vão apreciar devidamente o que vos rodeia. Contudo, neste ponto, quem sou eu para vos criticar?

Planear a viagem ao mais ínfimo pormenor. Algumas pessoas têm o hábito de fazer roteiros antes de iniciar a viagem com todos os lugares que pretendem visitar, mas assim mesmo todos. A situação não seria grave se o roteiro não incluísse as ruas pelas quais pretendem caminhar, o tempo estimado de deslocações (que conferiram antecipadamente no Google Maps) e o tempo a dispensar em cada local. Estou a brincar, a usar da ironia ou da hipérbole? Não, não estou. Estas pessoas existem na vida real. Para vocês que os acompanham, façam como eu: decorem uma parte do roteiro e façam com que não se cumpra, só para os ver a tremer de um olho.

Ter expectativas demasiado elevadas. Toda a gente já viu imensas imagens da Torre Eiffel, do Museu do Louvre ou da Monalisa e toda a gente conhece pelo menos uma pessoa que já lá foi e vos esfregou as fotografias na cara, sempre espetaculares e acompanhadas do discurso foi-tudo-super-incrível. No vosso imaginário, aquilo torna-se assim uma coisa do outro Mundo, um objectivo a alcançar a curto prazo. Até que chegam lá e… afinal não é assim tão incrível. Seja porque está a chover torrencialmente, seja porque têm uma fila de espera de dois quilómetros à vossa frente, seja porque simplesmente não é algo que apreciem realmente, aquilo por que tanto ansiaram pode desiludir-vos.

Deixar um dos elementos do grupo pagar algumas despesas e não lhe devolver o dinheiro. Nas viagens, há sempre um momento em que dá mais jeito que seja uma pessoa a pagar as despesas. Seja porque foram ao supermercado comprar comida para todos, seja porque um determinado estabelecimento não disponibiliza pagamento por multibanco e vocês não tem dinheiro convosco. Inevitavelmente, um dos elementos do grupo acaba por pagar a despesa, prevendo que os outros lhe vão devolver a quantia que ficaram a dever. O problema é que isto nem sempre acontece, seja por esquecimento ou simples desrespeito pelos outros. Para mim, prevalece a máxima “amigos, amigos, negócios à parte”.

Já vos disse que viajar é incrível?

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Carla Sofia Maia

Olá! O meu nome é Carla, tenho 27 anos e nasci em Vila do Conde, uma pequena cidade no Norte de Portugal. Talvez por ter crescido numa cidade pequena, desde cedo tive o sonho de viajar pelo Mundo e conhecer outras pessoas e culturas. Aos 18 anos, mudei-me para Coimbra onde estudei Jornalismo e Comunicação. Ao longo dos meus estudos, tive a oportunidade de conhecer pessoas de todas as partes do Mundo, o que reforçou a minha vontade de ter uma experiência além-fronteiras. Foi em 2017 que conheci o Serviço Voluntário Europeu e tive a certeza de que era algo que fazia todo o sentido na minha vida: fazer voluntariado noutro país, tendo a oportunidade de aprender outra língua era algo que eu desejava. Actualmente estou a viver em Bordeaux, onde sou voluntária de uma instituição europeia e posso dizer que estou muito feliz por ter sido aceite neste projecto, em que sou embaixadora dos valores europeus. Escrever é uma paixão que vi reforçada com esta nova experiência, em que há tanto para contar. Boas leituras!

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