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Desporto

O futebol merece melhor

Desta vez, vou começar pelo fim. Caros portugueses, caros amantes de desporto, nomeadamente de futebol. Parem com os complexos orientados nos vossos compatriotas. Parem de minimizar os feitos de Cristiano Ronaldo, parem de dar mais importância à alegada arrogância de José Mourinho do que aos seus feitos desportivos, parem de menosprezar personalidades que estão no topo mundial naquilo que fazem. Respirem fundo e façam uma pequena introspecção. Aproveitem os dribles, as jogadas e os golos de Ronaldo, aproveitem enquanto Mourinho consegue ser o “Special One“, dominando o futebol em Inglaterra. Quer queiramos, quer não, seja o futebol importante no mundo, ou não, eles são embaixadores das nossas cores nacionais, colocam Portugal no mapa, são falados, somos falados, são os melhores. Aproveitem este balanço e aproveitem Luís Figo, um dos nossos melhores jogadores de sempre, mais um que elevou o nome de Portugal para caminhos que eram impensáveis antes dele e depois de Eusébio.

Luís Figo é candidato à presidência da FIFA. E o que contemplamos na imprensa nacional e nas redes sociais logo depois dessa notícia? Largos insultos, comentários ocos de QI, crónicas de quem não vê futebol, mas tirou mestrado em criticar o que é nosso. “Pesetero” aqui, oportunista ali. Parem com o impulso da crítica vazia, analisem o que pode trazer Figo para a mesa de jogo.

“O futebol merece melhor”. Esta é a frase mais forte do vídeo em que Figo anuncia a sua candidatura a presidente. O ex-internacional português já garantiu os apoios necessários para tentar fazer frente a Joseph Blatter, actual e controverso presidente em funções. Em declarações ao jornal Expresso, Figo garante que tudo se tratou de “uma decisão ponderada, assente na vontade de mudança”. Os casos polémicos que se acumularam ao longo dos anos e que mancharam a reputação do organismo mais alto do futebol mundial, motivaram o português na tentativa de “dar mais transparência a uma instituição que vai perdendo credibilidade”.

Porém, afinal, o que pode trazer de novo Luís Figo para a FIFA?

A FIFA já teve como presidente um ex-árbitro, um ex-jogador de pólo aquático e tem, desde 1998, o suíço Joseph Blatter, que diz ter tido uma carreira de amador como avançado goleador. O que nunca teve? Um jogador profissional, alguém que conheça o futebol desde a sua raiz até à sua essência, alguém que conheça os balneários, os bastidores, os campos, os colegas de profissão e se coloque à margem de certos interesses instalados. Assim sendo, porque não experimentar logo com um atleta que venceu a Bola de Ouro em 2000, com um atleta que já foi o melhor do mundo e que tem uma qualidade diplomática reconhecida já desde os seus tempos dentro das quatro linhas?

Apesar da eloquência de Figo, a tarefa não se adivinha fácil. Para uma vitória logo na primeira volta, seriam necessários os votos de dois terços das 209 federações filiadas na FIFA. De acordo com o jornal Público, Figo já tem o apoio de cinco federações (não se sabe se serão todas europeias). O holandês Van Praag tem o apoio da federação do seu país, da Bélgica, Suécia, Roménia, Escócia e Ilhas Faroé, enquanto Ali Bin Al Hussein, príncipe da Jordânia, conta com o apoio da Federação Inglesa de futebol. E Blatter? Pois… terá o apoio da maioria das federações africanas, de pelo menos metade das asiáticas e, também, a maioria na América do Sul, Oceânia e América do Norte. Figo lembra que “ninguém é intocável”, mas esta candidatura é um verdadeiro desafio à capacidade agregadora do português de 42 anos.

A ideia é louvável, ter um português na liderança da FIFA seria mais um passo na consagração do nosso país como uma das maiores potências do futebol mundial. Um país que tem cinco bolas de ouro (Ronaldo 3, Figo 1, Eusébio 1) e que está repetidamente nos palcos mais importantes da modalidade, um país que só não tem no currículo a presença nos órgãos de decisão, um país que precisa de se envolver na burocracia, na diplomacia, no backstage. Claro que estamos a falar, em principal instância, dos interesses do futebol global, mas é inevitável não pensar nos nossos interesses mais próximos. Já estamos todos saturados das declarações de Platini e de Blatter, menosprezando permanentemente aquilo que é nosso.

A candidatura está lançada, a papelada está entregue. Desde os apoios das Federações, a declarações de integridade, a provas de que nunca foi condenado pela Justiça por qualquer conflito de interesses. O regulamento da FIFA é meticuloso e tem de ser cumprido à risca. Figo já o fez e utilizou as redes sociais para o anunciar.

Figo2

Agora, o mais internacional de todos os jogadores portugueses, com 127 jogos ao serviço da selecção, está pronto para a luta. Até dia 29 de Maio, data das eleições, Luís Figo tem o desafio de se mostrar, uma vez mais, ao mundo do futebol. Desta vez, sem chuteiras, sem equipamento, sem caneleiras. A troca fez-se pelo fato e pela gravata, pelos sapatos engraxados, pelo discurso. É, em parte, neste discurso que podemos saber que tipo de presidente Figo poderá ser. Um presidente que, simultaneamente, poderá ser capaz de limpar a reputação da FIFA e que não irá deixar Portugal no esquecimento. Um homem que conhece o futebol, o melhor e o pior, tem todo o currículo necessário para desempenhar – e bem – a função. Não nos podemos esquecer que estamos a falar da mesma pessoa que foi, muitas vezes, apontada como um potencial presidente para o Sporting Clube de Portugal. As suas capacidades de líder não são desconhecidas, nem novidade para ninguém que o conheça, mesmo que esse conhecimento seja formado apenas no que se vê na comunicação social.

Figo merece esta oportunidade. O futebol merece melhor e merece uma cara nova a dirigir o principal órgão mundial da modalidade. 17 anos é muito tempo para Blatter. Chega! Figo está maduro o suficiente para o desafio, é um político, mas ponderado, é um homem do futebol, mas com toda a paixão racional que lhe é inerente.

 Força Luís Figo!

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Filipe Pardal

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. É assim que o meu currículo académico se define. Quanto às origens: 90% alentejano e 10% algarvio, ambas com um orgulho desmedido ainda que por motivos diferentes. As minhas temáticas preferidas vão desde a política ao desporto, com passagem pela música e literatura. A mistura parece abrangente mas a paixão é bem concreta: escrever e investigar.

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