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O Furacão que é Florence and the Machine

Florence and the Machine, formada em Londres no ano de 2007, através de Florence Welch e Isabella Summers, foi uma aposta grande por parte da BBC, através do Introducing, em 2009, ano em que ganhou o Brit Award Critic’s Choice mesmo antes de lançar o seu primeiro álbum, Lungs, que no ano seguinte venceu o prémio para melhor álbum britânico, depois de ter dominado as tabelas mundiais. Campeão de vendas, Lungs tornou-se um dos álbuns mais vendidos de 2009 e 2010. No Outono de 2011, é a vez de Ceremonials dominar as tabelas mundiais e quatro anos depois é lançado How Big, How Blue, How Beautiful, o terceiro álbum de estúdio que estreou em primeiro lugar no top 200 da Billboard dos Estados Unidos da América.

A vocalista Florence Welch é uma das grandes vozes do novo século. Detentora de uma potentíssima voz, a cantora de 28 anos, é capaz de fazer alguns dos mais fabulosos malabarismos com a sua voz, voz essa que tem um alcance muito pouco vulgar. Os graves de Welch são sombrios e os agudos cheios de poder e força. A sua voz é cheia e envolvente, a instrumentalização da sua banda é também muito característica e juntos formam a perfeita simbiose.

Em termos de performance ao vivo, é uma das bandas mais requisitadas, sendo sempre que possível cabeça de cartaz nos festivais mais populares do mundo. Este ano entraram para a história de Glastonbury, quando substituíram os Foo Fighters, após lesão de Dave Grohl, Florence Welch tornou-se a primeira cabeça de cartaz feminina do mítico festival britânico. Também este ano, em Coachella, foi notícia, mas desta vez não por um bom motivo. Durante a actuação, saltou para o meio do público e partiu o pé, enquanto que em Portugal foram muitos que temeram o cancelamento do concerto, algo que havia acontecido em 2012.

A relação da banda com o público português é muito boa. A primeira vez que se estrearam em solo lusitano foi em 2010, numa Aula Magna completamente esgotada e movimentaram massas, quando no Verão do mesmo ano se apresentaram no palco do Optimus Alive.

Este Verão esteve em Portugal pela terceira vez, depois de ter cancelado a sua presença no festival do passeio marítimo de Algés, em 2012, devido a uma hemorragia nas cordas vocais. Temeu-se o pior em relação à carreira da cantora, mas semanas depois apresentou-se no Good Morning America, numa actuação incrível.

Este ano o Pavilhão Atlântico parou, a espera de três anos havia acabado e todos esperavam a oportunidade de ouvir “Drumming Song”, “Dog Days Are Over”, ou “Cosmic Love”, do albúm Lungs, ou “Shake It Off”, “What the Water Gave Me” e “Spectrum do Ceremonials”. A expectativa também era enorme em relação às novas múcicas que integram How Big, How Blue, How Beautiful, álbum lançado este ano, que conta com letras bastante profundas e pessoais, visto ser fruto de uma longa paragem da banda, do final da relação da cantora com o seu (actual) ex-namorado e de um período de excessos. E a conversão a um estilo de algo cenobita, que confessou que a influenciou na composição do mesmo.

Quando a banda entrou em palco, foi espantosa a reacção do público… Florence Welch entrou e iniciou-se a sua contemplação. A carga dramática que coloca nos seus movimentos e na sua voz, acompanhada pela sua banda, são incríveis. O que se sente é primário, como as batidas do coração, ou o acto de respirar, bastante natural. É o tipo de música que chega ao mais íntimo do nosso ser. Todos foram abraçados pela sua voz, mas houve quem tivesse mais sorte e teve a oportunidade de abraçar mesmo a cantora.

A música e as actuações dos Florence and the Machine têm a capacidade de incorporar os elementos de Apólo, o deus grego da luz, beleza, elegância, mas também podemos encontrar Baco, o deus do vinho, dos excessos e da própria natureza. Durante duas horas, o público teve a oportunidade de experimentar isso mesmo, onde foi possível fazer uma viagem ao mais íntimo de cada um e partilhá-lo com os milhares presentes. O melhor momento foi quando Florence pediu para que os presentes se abraçassem e tirassem a roupa. Uma resposta fantástica, um momento único. A energia dentro da sala de espectáculos envolveu todos. A despedida foi claramente um sentido “até breve”.

É impossível ficar indiferente aos Florence and The Machine. A última passagem por Portugal promete regresso e há quem suspeite que o sismo sentido em Cascais se deva ao que aconteceu no Parque das Nações.

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Marguerita Harris de Pina

Nasci no final da década de 80 e o meu nome é composto por 10 letras. Sou apaixonada por bicicletas, música e desporto. Gosto de livros e de conversar

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