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O Fim do Mundo ao longo da História

Hoje em dia, o medo do aquecimento global paira sobre a civilização humana como uma sombra. Sabemos que vamos ser afectados (para não dizer que já o estamos a ser), só não sabemos é quando iremos apanhar o pior. Os mais alarmistas falam em temperaturas extremas, subida dos níveis de água dos oceanos, etc. No entanto, a civilização humana, tal como está hoje, já possui a capacidade de se prevenir e, caso seja necessário, remediar a situação. Deste modo, o risco de destruição da civilização, através de um acto da Natureza, é reduzido. Porém, nem sempre foi assim.

Apesar de muitos a considerarem como um mito, não se pode falar de destruição de uma civilização por um acto da Natureza sem se falar da Atlântida. O primeiro relato vem de Platão, em Timeu e Crítias, onde descreve o colapso da ilha-continente da Atlântida, “num só dia e noite de infortúnio”, por erupções vulcânicas e o afundamento da ilha, que provocaram a extinção da civilização, como castigo pela arrogância dos atlantes em se considerarem iguais aos deuses. No entanto, hoje, acredita-se que o mito da Atlântida tenha por base a erupção de Santorini, que devastou a colónia minóica de Akrotiri, residente na ilha, e afectou toda a zona do Mediterrâneo. Assume-se que, devido à falta de artefactos valiosos e cadáveres, que a população da colónia tenha conseguido escapar antes da erupção.

A mesma sorte não teve a cidade de Pompeia, outro dos mais conhecidos casos. Apanhados completamente desprevenidos pela erupção e consequente fluxo piroclástico, os habitantes e a cidade foram preservados em cinza para a posteridade, lembrando quem visita as ruínas que a Natureza irá sempre sair vencedora.

Entremos agora no reino das teorias. Há imensas ruínas de civilizações espalhadas pelo mundo, como as ruínas Anasazi ou Machu Picchu. Sabemos, por exemplo, que Machu Picchu foi propositadamente abandonada, uma vez que a tradição oral chegou até aos dias de hoje. O mesmo já não se pode dizer das ruínas Anasazi, que foram abandonadas quase de um dia para o outro. Terá ocorrido um qualquer evento da Natureza? Secas, cheias, mudanças bruscas de temperatura?

Estas questões ilustram um problema ainda maior. Terão havido civilizações que hoje, em pleno século XXI, a nossa civilização ainda não tenha tomado conhecimento? Teremos interpretado os seus vestígios de forma errada, atribuindo-os a outra civilização e assim relegando-as para o esquecimento? Fica o pensamento.

Como disse no início do artigo, a civilização humana é capaz de prevenir e remediar os efeitos do aquecimento global. Porém, será a maior ameaça à nossa sobrevivência o aquecimento global? Creio que a erupção da Caldeira de Yellowstone será aquilo com que nos devemos preocupar mais, pois ela tem a capacidade de provocar um Inverno vulcânico. As cinzas irão cobrir a Terra, grande parte da fauna e flora irá desaparecer, as temperaturas irão descer e o Sol, tão necessário à nossa sobrevivência, raramente será visto. E se este cenário não assusta, ponderem isto: as estimativas apontam para que entre 3 (conservadoras) e 7 (alarmistas) pessoas em cada 10 morram neste Inverno vulcânico.

Felizmente, este cenário é pouco provável de acontecer brevemente, sendo apenas o mais grave que ensombra o nosso planeta. No entanto, é apenas mais um exemplo daquilo que tentei ilustrar. Podemos tentar lutar, mas a Natureza vai sempre vencer a humanidade.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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