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CinemaCultura

O feitiço da lua

A lua, essa manipuladora que controla a vida de todos e descontrola as marés, é a responsável pela desarrumação da vida de Loretta, uma viúva de 37 anos que tinha acabado de ficar noiva de Johnny um eterno solteirão que a mãe, uma siciliana de garra, ainda controlava apesar da distância. Nova York ou uma qualquer aldeia perdida naquela ilha europeia eram apenas nomes irrelevantes.

Loretta é uma mulher sem sonhos e sem arrependimentos que quer dar uma segunda oportunidade à sua vida. Está convencida que o primeiro casamento não resultou por não ter seguido os rituais clássicos e por isso, deste vez, não quer que nada falte. Já de anel no dedo o noivo, de vai para junto da sua moribunda mãe, pede-lhe que entre em contacto com o seu irmão com quem está desavindo há anos. Ela acede e vai para casa.

A sua família é do mais estereotipado que se possa imaginar. Vivem numa casa de vários andares, o avô dedica-se aos cães, o pai é canalizador e mãe é dona de casa à boa maneira latina. Tudo está incluído, a amante do pai, a enorme desconfiança do sogro e um mal-entendido à mistura. Sendo a habitação enorme seria normal que a sala fosse o pano de fundo, mas tudo se desenrola na cozinha, o centro nevrálgico dos acontecimentos.

Loretta contacta o futuro cunhado e entre os dois surge uma chama forte e potente que vai originar uma paixão tão arrebatadora que se rendem por completo. Milagrosamente a mãe, assim que sabe que o seu filho vai casar, recupera a saúde e levanta-se do leito da morte. Johnny já não quer casar e Loretta está apaixonada por Ronny e ele por ela. Um amor que se liga pela música, pelo toque, pela sensibilidade e pela juventude que ainda resta aos dois.

A lua, grande e gorda inunda tudo e todos com a sua luz misteriosa e faz com que o amor transborde por todos. Os mais velhos recordam os amores antigos e os mais novos sentem o coração a estalar de satisfação e de alegria de tanta satisfação. Até os cães cantam à lua como ritual que não pode ser esquecido. A música, a ópera que sabe puxar o sentimento mais profundo, remete para o sonho, aquilo que Loretta nunca tinha experienciado e que agora quer com todas as suas forças.

O filme termina como começa, na cozinha, com a família a celebrar o noivado que se desfaz com um irmão e se refaz com o irmão mais novo. Há decisões que se tomam e a felicidade anda no ar, a rondar os que sabem que é ela que dá os pequenos toques de beleza e de perfeição na vida dos simples e dos que acreditam que tudo é ainda possível.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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