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O Fado Negro e Cabaret dos Boémia Vadia

Uma fusão de fado negro e cabaret, assim se definem os Boémia Vadia. Banda nascida em 2012, Espanha, vêm estes nossos compatriotas desvendar um pouco o seu trabalho onde podemos esperar ser transportados para um ambiente burlesco. Com o novo singleHumanofobia”, que estreou no passado 8 de Maio, na Fnac do Almada Forum, podemos ter uma pequena sensação do que nos espera em palco. Ainda assim, se querem mesmo entrar numa viagem às ilusões de uma vida boémia, venham conhecer esta banda que tem toda uma garra ibérica como só a nossa península sabe ter.

Quem são e como se identificam em termos de género musical?

Somos a Boémia Vadia e fazemos uma fusão entre o fado negro e o cabaret, ambientados pela electrónica e bases que nos transportam até ao pop-rock alternativo das décadas de 80 e 90.

Como surgiram?

Criei este projecto (Mário Ferreira) a partir das minhas viagens e experiências por Espanha. Em 2012, já com um reportório composto, comecei a actuar ao vivo nos bares e clubes de música ao vivo, em Valência. Desde o início dos concertos que tenho o apoio do Kim Coutinho (tal como eu, um ex Falecido Alves dos Reis e Alucina Eugénio). Em Março, durante uma actuação no bar La Caverna, experimentámos incluir a parisiense Rebecca Amar, na leitura e declamação de textos e poesia em francês, obtendo um excelente resultado, de forma surpreendente. Pouco a pouco, ela foi tomando o comando da parte estética e visual, tornando o seu carisma e a sua presença no palco como show-woman, num dos pontos fortes dos concertos da Boémia Vadia.

Quais as vossas influências musicais para a criação da banda?

Como já comentei anteriormente, as influências foram adquiridas ao longo dos anos, através de viagens pelo interior e zonas tradicionais da Península Ibérica, onde aprendi algumas fórmulas novas de composição que ia tentando encaixar com as partes rítmicas que fui construindo. Obviamente, pertenço a uma geração onde artistas como Bauhaus, The Cure, ou New Order eram a influência a seguir. A minha avó era fadista amadora, assim que algo da genética do fado devo ter comigo.

Quando a Rebecca entrou no projecto, uma das críticas que mais gostámos de ouvir foi a de uma fã que nos disse que, à parte de sermos originais e de não nos conseguir incluir em nenhuma categoria, ver-nos ao vivo e fechar os olhos seria como ouvir os Bauhaus, ou os Joy Division, com a Edith Piaf e o Alfredo Marceneiro nas vozes.

Sei que a banda teve origem em Valência em 2012. O que se passou até chegarem aqui? Por onde passaram, que experiências novas foram relevantes para o crescimento da banda…

O projecto nasceu em 2012 em Valência, sob o nome de Mediterranea Boémia. Durante esse ano e princípio de 2013, gravámos 3 demos, formando uma trilogia com os cds “Porto Mutante”, “Lisboa Mutante” e “Valencia Mutante”, tocámos ao vivo em Madrid, Catalunha e Comunidade Valenciana e viemos a Portugal duas vezes (uma ao norte e outra a Lisboa).

Quando finalizámos as gravações do “Valencia Mutante”, decidimos mudar a nossa base de operações de Valência para Lisboa, onde chegámos em Agosto de 2013. Depois de 6 meses praticamente parados, em labores de adaptação, fomos para estúdio na Charneca da Caparica sob a batuta e produção do Pedro Gonçalves (ex-guitarrista dos Bramassaji), gravar aquele que será o nosso primeiro disco, o EP “CIRCO AMAR”, que será editado em Novembro. Entretanto, temos tocado ao vivo de norte a sul, em formações de duo, trio ou quarteto, desde que o baterista Emanuel Ramalho (ex Delfins ou Rádio Macau) incorporou activamente a formação base.

De salientar as participações do saxofonista Edgar Caramelo em 3 temas do EP, do violinista Nuno Flores (The Crow Ibiza) e do excelente M-Pex e a sua guitarra portuguesa, em concertos ao vivo.

Sei que o vosso single foi lançado no passado dia 8 de Maio. Como correu essa apresentação?

Como tantas outras, passou-nos um pouco ao lado. Venho da old-school em que as apresentações e edições se faziam com mais critério, empenho e ruído, através de um sistema promocional que mediaticamente funcionavam melhor que hoje em dia. Com a Internet e a imensa quantidade de grupos a tentar subsistir e aparecer em cena, é fácil ficar surpreendentemente chocado ao acender a rádio e ouvir uma canção nossa, que nem nos lembramos que já foi editada.

Qual a previsão para o lançamento do EP que estão a trabalhar?

O EP está pronto, produzido pelo Pedro Gonçalves e com capa feita pelo pintor nortenho Alua Pólen (uma pintura criada pelo pintor em exclusivo para a capa deste cd) e foi entregue à nossa agência/editora MIMS – Music in my soul. A edição será feita em Novembro e, até aqui, é a informação que obtenho de momento.

Tentando levantar um pouco o véu, o que se pode esperar numa actuação vossa?

Originalidade, teatralidade, expressão corporal ao máximo, charme, poesia, elegância, ambientes que nos levam desde os cabarets de Montmartre, em Paris, aos clubes underground do Soho londrino. Também sarcasmo e ironia, mensagem e denúncia social nas letras e atitude, sem esquecer os momentos de alegria e diversão. Até eu, que sou meio de pedra, acabo os concertos a dançar.

Onde gostariam de chegar? Algum festival em especial, algum país que gostassem de pisar palcos e porquê.

Na realidade, queremos chegar onde pudermos. Queremos tocar muito ao vivo e poder levar o nosso espectáculo a todos os cantos da Península Ibérica. Temos também planeados alguns concertos pelas comunidades imigrantes de França, assim como Paris, a cidade natal da nossa vocalista.

Não sou particularmente fã de grandes festivais mediáticos, onde se perde muito a verdadeira essência da música ao vivo como uma forma de arte, apesar de simpatizar com festivais do tipo do FMM de Sines, já que o nosso estilo se pode enquadrar perfeitamente no selo da world music.

Qual o impacto que querem causar aos vossos ouvintes? Como gostariam de ser lembrados e publicitados por eles?

Decididamente, com as nossas idades e experiências, já não procuramos ser famosos, nem ficar milionários com isto. Apenas chegámos a um momento em que o que pretendemos é poder mostrar o nosso trabalho ao vivo e partilhar as nossas canções com todo o mundo.

Logicamente, todos temos que comer e pagar facturas, daí que, se isto nos puder ajudar financeiramente, ultrapassará as minhas expectativas de forma rotunda!

Quando me meti nisto da música sendo ainda muito jovem, sabia que tinha arrancado o meu coração do peito para toda a vida, mas é um pacto que fazemos por amor à arte. A melhor forma de sentir a retribuição é quando chego ao local do concerto e temos uma plateia cheia de gente animada e curiosa por nos ver. É docemente gratificante.

O que nos aconselham para seguirmos a vossa banda com mais atenção? Algum site vosso ou apenas redes sociais?

Não temos web oficial, mas podem seguir-nos pelo nosso SoundCloud, pelo nosso YouTube, ou pelo Facebook, seja através da página, ou do meu perfil (Márinho Ferreira). Mas, se realmente o que pretendem é ver e ouvir com atenção, então, não há nada como assistir a um dos nossos concertos. A Boémia Vadia é muito mais do que uma banda de palco, ou de estúdio. Quando vierem, ouçam, vejam e sintam – vão saber do que é que estou a falar.

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Maria João Mimoso

Nasci em Lisboa e sou licenciada em Ciências da Linguagem pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Acredito que a satisfação da minha criança interior ajuda a melhorar o mundo. Curiosa, irreverente, aventureira, diferente, sonhadora e uma grande entusiasta dos pequenos e simples prazeres da vida.

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