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O excesso de programas de talento

Ao longo dos últimos anos, a televisão portuguesa tem tido inúmeros programas de talentos, que são exibidos no chamado “prime time” em quase todas as estações. Exemplo disso são o Ídolos (SIC), The Voice (RTP), Factor X (SIC), Uma Canção Para Ti (TVI), Achas que sabes dançar (SIC) e Portugal Tem Talento (SIC), entre outros. Em boa verdade, estes programas têm como participantes pessoas de todas as idades, que tentam a sua sorte num mundo, à partida, atractivo, mas longínquo – o mundo do espectáculo.

O facto de terem um cariz de reality show, faz com que o público se identifique com a história de vida dos participantes, que é muitas vezes explorada. As pessoas sentem empatia com os concorrentes e habituam-se a vê-los entrar todos os domingos nas suas casas (o que faz com que peguem no telefone para votar e apoiar os candidatos). Para tal, recorrem à sua receita de sucesso de juntar um grupo de jurados conhecidos do público, normalmente pessoas ligadas ao mundo das artes, de modo a que as massas se sintam atraídas para se sentarem no sofá no domingo à noite para verem o desenrolar das prestações dos concorrentes e as respetivas críticas dos jurados. A participação dos concorrentes é vista como uma jornada, que começa muitas vezes em Setembro e acaba no último dia de Dezembro, com uma grande gala que distingue o vencedor. No que toca ainda aos jurados, estes costumam ser entre três a quatro avaliadores, sendo que cada um incarna uma personagem. Os jurados optam por ser ou o bom da história, o que se emociona com as prestações dos concorrentes, ou, então, o vilão que arrasa com os participantes, com duras críticas.

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A questão que se coloca é: de que modo estes programas conseguem realmente catapultar um anónimo, um cidadão comum, para o mundo do ‘estrelato’?

A verdade é que, depois de vencerem o programa, não se ouve falar muito dos participantes, o que me leva a crer que esses programas apenas dão uma fama efémera às pessoas. Embora existam casos pontuais de concorrentes que tenham conseguido realmente alcançar a fama e um espaço no mundo da música, ou das artes, a verdade é que, regra geral, não é isso que acontece. Depois de terminado o programa, os concorrentes, mesmo os vencedores, caem no esquecimento.

Claro que estes formatos televisivos são, normalmente, importados de outros países, que têm outras dimensões e, como é óbvio, outras repercussões. A versão americana do Ídolos, por exemplo, tem um impacto incomparável à versão portuguesa. Nos Estados Unidos da América, são inúmeros os concorrentes que, após saírem deste género de programas, ficaram conhecidos no mundo inteiro. É o caso da cantora Kelly Clarkson, de Leona Lewis, ou de Adam Lambert, cuja participação se constituiu como um passe de entrada para o “show business”.

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Mais, sendo Portugal um país de pequenas dimensões, muitas vezes os concorrentes já são conhecidos do público, ou por participarem em vários concursos do género, ou em várias edições do mesmo programa.

Nas primeiras fases destes conteúdos televisivos, vemos uma grande afluência de pessoas que não tem propriamente talento nenhum e que, mesmo assim, arriscam-se a aparecer na televisão, em situações por vezes constrangedoras, em prol da fama. As estações televisivas aproveitam-se desses casos para fazerem paródias, de forma a dar ao programa um carácter mais cómico.

A SIC deu-se mal com isso, quando ‘gozou’ com um concorrente, ilustrando-o com umas orelhas grandes, enquanto este actuava para o júri. O participante sentiu-se humilhado e com razão. Foi alvo de chacota na televisão nacional e é preciso ter a noção dos impactos disso na vida de um jovem.

Os programas de talentos têm um lado bom, no sentido que dão realmente a conhecer pessoas talentosas, no entanto, é pena que seja por um período curto de tempo. Portugal deveria apoiar mais estas jovens promessas, de modo a que não caíssem no esquecimento, dando mesmo a oportunidade de lançarem uma carreira com ‘cabeça, tronco e membros’.

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Cláudia Caires Sousa

Apaixonada pela leitura desde que me lembro de existir. Sou licenciada em Ciências da Comunicação e optei pelo jornalismo por ser uma janela para o mundo, a única capaz de saciar a minha curiosidade. Acredito que a linguagem é o instrumento por excelência que nos define.

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