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O culto dos animais, no adeus às touradas.

Para quem cresceu no Ribatejo, com a cultura tauromáquica perfeitamente enraizada no ADN, participar em eventos tauromáquicos era algo nativo e natural. É de pequenino que se torce o pepino, sem querer ofender o dito legume.

Independentemente da tradição, vamos evoluindo e não vislumbramos nenhum argumento, válido o suficiente, que justifique infligir sofrimento num animal, puramente para fins lúdicos. Uma coisa é a dificuldade em abandonar certos costumes, que fomos programados para seguir, outra é não termos a capacidade de nos situarmos no tempo e perceber que há efetivamente tradições incivilizadas!

Para abordar um assunto tão sério, que seja com gracejo. Nada melhor que pegar na sugestão do PETA, para alterar expressões que reforcem comportamentos negativos contra os animais, que o PAN assinou por baixo.

Macacos me mordam, quem terá inventado esta atividade? Os mesmos que no tempo dos romanos atiravam cristãos aos leões? Puro entretenimento familiar! Uma espécie de desporto, quase tão viciado como o futebol em Portugal, mas com a particularidade de ser involuntário para uma das partes.

Estejamos ou não de acordo com a consciência global, todos temos direito à nossa visão, única, seja ela mais ou menos consensual. Sem querer ferir suscetibilidades, vamos lá então pegar o touro pelos cornos. Existe um culto exagerado pela defesa dos animais, está na moda, tal como o gin ou sushi. Embora seja uma causa nobre, é muitas das vezes usada como subterfúgio, ou pretensão de pseudo-superioridade moral. Não podemos ser indiferentes nem assépticos em relação a este assunto, mas devemos defender uma causa maior. Por exemplo, não nos deverá preocupar mais o lobby das farmacêuticas e o acesso aos fármacos sem equidade?

Assiste-se a falsos virtuosismos, pessoas que se dizem acérrimas defensoras dos animais, mas só têm cães com pedigree, ou descartam os animais, quando não lhes dá jeito. Ora, para ser um dono rafeiro, mais vale não ser! Qualquer dia, quem quiser comer carne vai preso. Num qualquer dia chuvoso, em que o cão do vizinho nos acarinhe com as patas chafurdadas de lama, se isso não nos apraz e sorrirmos, é porque não gostamos de animais, somos desumanos. No fundo, quem não coloca em primeiro plano a defesa dos animais, então, não é considerado um bom ser humano, mesmo que estejam a morrer milhares na Síria, isso é secundário!

Liberdade. Será que na vida selvagem, onde o homem não intervém, os animais são livres? A natureza, a sobrevivência animal não tem nada de livre, é um salve-se quem puder. Esta reflexão apenas prova que esta questão da liberdade e direitos dos animais vai ser sempre polémica. Muitos alegam que dos animais sabem o que podem esperar, são mais fiéis, inócuos, ao contrário desses humanos malvados, e que, por isso, preferem animais a pessoas. Outros afirmam estar sempre disponíveis para ajudar qualquer animal em sofrimento, mas, no caso de um ser humano, já terão de pensar duas vezes…

Não será isto completamente absurdo e irracional? Certo que o homem tem defeitos, mas faz parte da nossa natureza e temos de nos aceitar como um ser imperfeito. Devemos defender os direitos dos animais, mas priorizar as pessoas, mesmo com todas as falhas que temos. Nada deverá estar acima dos direitos humanos.

Voltando à vaca fria – touradas! É incrível a transformação social, há duas ou três décadas, quem ousaria colocar em causa esta tradição? Acredito na capacidade de um movimento social e numa consequente vontade partidária. Não deveríamos precisar de partidos focados em temas específicos, como os Verdes ou o PAN… Pessoas, Animais e Natureza. No entanto, a única missão aparente é defender os animais. Um mal menor. Ainda assim, a Assembleia da República precisa essencialmente de partidos que tenham foco e contribuam com propostas reais para os temas mais críticos da sociedade.

A descida do IVA para 6% aprovada em Novembro de 2018, foi o princípio do fim das touradas em Portugal. Gerou o efeito contrário e revelou-se como um acelerador na revolta popular, funcionando contra os amantes da tauromaquia. Contudo, tirem o cavalinho da chuva, se pensam que vai ser fácil terminar com o desmantelamento de todo o negócio, que é sustentado por esta cada vez mais odiada tradição.

O homem, habitou-se à tortura dos animais irracionais, muitas das vezes como meros troféus, em prol do seu narcisismo. Todo o ser nasce livre, não devemos tolerar o sofrimento animal, mas também não devemos ousar humanizar os animais!

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Ricardo Dos Santos

Mais que um profissional IT, sou um colecionador de experiências e viagens. Atento à relação entre o progresso tecnológico e inerente evolução social. Critico e opinativo por natureza, procuro sair da minha zona de conforto para evoluir, acredito que a única constante da vida é a mudança. De caligrafia torta e ideias rasuradas vou continuando a escrever o meu próprio destino! Visto-me de paixão e faço o hoje valer a pena, pois tudo é viver. Simples assim.

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