Desporto

O Bugatti antes da Alta Performance

Hoje em dia, a Bugatti é tida como uma marca de carros de alta performance, porém, nem sempre foi assim. No início da história da marca, quando ainda pertencia à família Bugatti, também era conhecida por criar carros de luxo. Os mais conhecidos exemplos são o gigantesco Type 41 Royale, de 1927, e o Bugatti Type 57 Galibier, de 1934. Avancemos para Setembro de 2009. À margem do Salão de Frankfurt e, num evento exclusivamente por convite, a Bugatti apresenta o concept do Bugatti 16C Galibier, um fastback de 5 portas que tinha por objectivo tornar-se um segundo modelo da marca.

Este concept apresentava o mesmo motor W16 de 8 litros, nesta variante com 2 em vez de 4 turbos, o mesmo sistema de tracção as 4 rodas e, segundo a marca, mais de 1000 cavalos, com o chassis a ser fabricado em fibra de carbono. Não houve performances anunciadas de forma oficial, contudo, tinha a capacidade de chegar aos 380 km/h e cumpria os 0-100 km/h em pouco menos de 3 segundos. O design era, sem dúvida, uma reinterpretação moderna de vários Bugatti de antigamente, tendo sido mantidas algumas das linhas Veyron, como a linha horizontal a meio do carro e a carroçaria fabricada em fibra de carbono e alumínio. Drenava também inspiração de todos os Type 57, com o vidro traseiro separado, as 8 ponteiras de escape e o capot com duas aberturas (uma para cada lado do motor) a servirem de exemplo dessa inspiração.

O interior era extremamente luxuoso. E era aqui que o Galibier ia buscar inspiração ao Type 41. A madeira abundava por todo o interior, a par do alumínio e a pele. Plástico? Nem vê-lo. Os 4 lugares eram mais semelhantes a tronos do que propriamente a bancos de um automóvel. No entanto, onde o Galibier se distinguia era nos pequeninos detalhes. Não havia puxadores das portas, havia sim uma tira de cabedal muito discreta para puxar a porta. O relógio no tablier podia ser retirado e usado no pulso. Os comandos estavam todos no sítio onde eram precisos, mas, ao mesmo tempo, eram discretos. Apesar de luxuoso, era um interior bastante simplista.

Tinha por objectivo ser produzido como o segundo modelo da Bugatti. Então, porque não foi produzido? Apesar de ser um carro extremamente bem conseguido sob qualquer ponto de vista, surgiram pequenas críticas que levaram os designers a mudar alguns aspectos, maioritariamente no interior. No entanto, em 2011, o lançamento, que se esperava para 2013, foi adiado para 2015, ou mais tarde. E, em 2014, pela voz do próprio Presidente da Bugatti, o projecto foi definitivamente cancelado, sob a argumentação de que dois modelos iam confundir os clientes e que o desenvolvimento do sucessor do Veyron havia sido preferido. Este cancelamento não foi, contudo, consensual. Apesar de muitos entusiastas da Bugatti estarem ansiosos (leia-se em pulgas) pelo sucessor do Veyron, o Galibier estava tão à vontade ao lado do Veyron que a decisão não foi bem aceite.

Faço minhas as palavras de muitos elementos do mundo automóvel: Really, really bad move, Bugatti. Este é que era o Bugatti que devia ter sido produzido.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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