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O Brilho Azul das Estrelas

Ainda me sinto emocionada com este livro. Acabei de o ler e respirei fundo, sem saber muito bem se era por sair deste universo complexo e emocionante, ou se era por não querer acabá-lo (mesmo que não fizesse sentido continuar). Bonito e simples e complexo.

O Brilho Azul das Estrelas é sobre a história de Ben, um rancheiro a quem foi diagnosticado Alzheimer, e que, na suaRM_obrilhoazuldasestrelas_1 ainda lucidez, percebe que será um fardo para a sua família e que ele terá duas mortes: a da memória e a física. Aliado ao facto de o genro ter saído da prisão, onde estava por ter assassinado uma das filhas de Ben, ele decide fazer um acto final de justiça e de amor por ele e pela sua família.

Para mim começou por ser um livro confuso, mas creio que este é um grande elogio: Laura Pritchett, a autora, escreve de forma a que nós também experimentemos estar ali, ora na mente de uma pessoa com demência, onde nem tudo faz sentido, ora no papel de cuidador, impotente e a ver uma pessoa desaparecer. Deixa-nos desconfortáveis nessas duas posições, e penso não haver melhor elogio para um escritor que saber fazer-nos sentir o que quer que sintamos.

Gostei muito da forma como a autora não teve medo de desenvolver um tema complexo – ou vários – como são a morte, a vingança, a demência e as relações familiares. Muito importante foi não ser uma família cliché com “papéis designados”: não há bons e maus, há pessoas que cometeram erros, que sofreram tragédias, que fizeram o melhor que souberam e que têm muito de bom e algo de mau. É uma família assoberbada porque o marido/pai/avô está a desaparecer e que tenta lidar da melhor forma com este vendaval que é o Alzheimer. É uma família como todas. Complexa, simples, com discussões e amor. Com segredos. E com morte.RM_obrilhoazuldasestrelas_2

O final é surpreendente. Ou melhor, não é surpreendente porque vamos descobrindo o que Ben planeia fazer. No entanto, existem acontecimento que esperávamos e não acontecem, e existem  peças que desconhecíamos e que se vão encaixando, que se vão tornando visíveis e não deixam de nos emocionar. Sim, emocionar é a palavra mais adequada. Queria tanto falar do fim e elogiar todos esses momentos e segredos, mas não vou ser spoiler. Aviso só que pode levar às lágrimas.

Um livro humano, sobre o amor em várias formas, sobre a vida e o universo, a natureza, a coragem, a luta e a determinação. A autora conseguiu um livro encantador, acima de tudo, e emocionante. É difícil não querer saltar para as páginas do livro e ajudar Ben, guiá-lo, tirá-lo daquela prisão que é a demência. Um livro encantador e humano.

Um obrigada enorme à Topseller / 20|20 Editora por me “oferecer” estas emoções.

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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