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CinemaCultura

O Artista

Ele é o artista. Ela é a fã. Exaltada com a presença dele, deixa cair a sua carteira… e avança para a passadeira vermelha. Ou melhor, cinzenta. George Valentin, tão orgulhoso da sua carreira, abandona mulher e casa. Vai para uma outra habitação, da qual era detentor. Peppy Miller torna-se famosa, graças a ele, após demonstrar o seu talento para a dança. No decorrer da acção, compra uma casa, onde, mais tarde, albergará aí o seu colega que, como refere no filme, lhe “abriu as portas”. O orgulho de Valentin desaparece. Torna-se em alguém desusado. Peppy impede-o do suicídio. E uma solução resolve tudo isto: a dança incrível que os dois dançam e que com ela encantam.

George sempre se preocupou com a sua carreira. Com o fazer mais e melhor. Com o manter o sorriso e o bom carácter para com os seus e as suas fãs. Com o impressionismo da sua personalidade. Até ter ocorrido a crise de 29 do crash da bolsa de valores de Wall Street, até a sua mulher o ter posto de parte, digamos, e até ele se sentir, como referi anteriormente, desusado. É caso para recorrer ao senso comum e afirmar que “quem tudo quer, tudo perde”. Porém, também este filme mostra que existem soluções para todos os problemas. Como ele foi salvo de uma morte por carbonização pelo seu cão, companheiro permanente, que surpreendentemente consegue trazer o polícia à respectiva residência. Como ele foi tratado em casa de Miller. Como ele escapou ao suicídio, através do “BANG!” do automóvel dela…

Há dois aspectos interessantes a realçar neste filme. Primeiro, estamos a falar de um filme com as duas cores neutras e com a resultante cor secundária, respectivamente: o preto, o branco e o cinzento. Esta adaptação, de acordo com a minha perspectiva, foi absolutamente brilhante, sem excluir o facto de ser mudo, quase na totalidade. Recuamos na máquina do tempo mais de oito decénios. Ainda, curiosa é a aproximação que George e Peppy mantêm entre si, parecendo quase de teor amoroso, mas não saindo de uma relação de amizade. Um serve de aconchego ao outro. Mesmo depois dela ter vindo a ser influenciada pelas novas tendências cinemáticas de finais da década de 20 e inícios da década de 30, acaba por se voltar para Valentin, sem este nunca esquecê-la nos bons momentos que passaram na participação dos mais diversos filmes.

Algo que é bastante perceptível aqui é a possibilidade de conferir ao espectador como a nossa personalidade pode influenciar as nossas acções. Não temos a lamechice amorosa, passo a expressão. Não temos a intriga-passa-intriga. Podemos reflectir. Podemos balançar e contrabalançar. E, podemos, ter também uma percepção do modo como o cinema era produzido nos finais de 1920. Juntam-se a História e a Filosofia e o mundo cinemático, que continuarão marcantes para sempre na nossa cultura. Indubitavelmente, é possível referir a presença de uma grande produção e que dela saiu um produto final, como diriam os italianos, stuppendo!

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Pedro Ribeiro

Nascido em 1996, por terras vimaranenses, tem como principal ocupação os estudos na licenciatura de Ciências da Comunicação. Apreciador das relações Media e Sociedade e Sociedade e Cultura, o seu objetivo passará por se especializar na área do jornalismo. Nesse sentido, conta com várias colaborações, a desenvolver atualmente, de forma simultânea: para o jornal 'ComUM', no qual é redator nas secções de Cultura e de Sociedade, para o jornal 'Académico', juntamente com a sua participação semanal no 'Repórter Sombra', onde opina nas áreas de Sociedade, Cultura e Política. No seguimento desta última área, milita na Juventude Socialista, tendo-se revelado publicamente ativista da candidatura de António José Seguro. Além disso, desenvolve um certo carinho pela sociologia, a que se junta a filosofia e, ainda, uma enorme paixão por viagens.

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