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ContosCultura

O amor tem linguagem própria

Acordou com os raios de sol a baterem-lhe na face. Estranhou-se. Tentou mexer-se e o corpo parecia não acordar. Doía-lhe tudo. Tentou sentar-se na cama. Onde estava? Não se lembrava de nada. Que tinha acontecido? A memória não funcionava e tudo lhe parecia confuso. Olhou para o braço. Tinha uma enorme nódoa negra. Tocou ao de leve. Não sentiu nada. Que se passava?

Ouviu uns sons. Primeiro muito difusos e depois mais claros. Eram vozes. Não se conseguia levantar. As pernas não respondiam. Onde estava a dor? Nada. Mas que estranho tudo aquilo. Talvez fossem para ali. O sol estava mais alto e já se via tudo com clareza. Subitamente uma enorme mancha de luz encheu a sala e tudo se tornou tão claro que lhe feria a vista. Um clarão atravessou-lhe a mente.

Continuava sem sentir nada. Nem dor nem pensamento. Vazio. Subitamente as dores voltaram. O braço parecia cair, mas era só impressão sua. Teria morrido? Era assim que as pessoas se sentiam quando estavam no limbo? Um misto de emoções estranhas e muito confusas. Agora o corpo ia acordando. Estaria a sonhar? Ouviu uma voz masculina. Conhecia?

Ele entrou e colocou o tabuleiro em cima da mesa. Sentou-se na cama ao seu lado e afastou-lhe o cabelo do rosto com cautela. Sorriu. Ajeitou as almofadas e

esticou os lençóis. Ela olhava para ele surpresa. Como é que estava ali? Quem era ele? Beijou-a na face. Não falaram. Somente olhos nos olhos. Fechou-os e então tudo aflorou à sua mente como se ainda estivesse a acontecer.

Foi rápido. Viram-se e houve um certo magnetismo que os juntou. Apesar de terem continuado a andar havia algo que os empurrava e obrigava a voltar ao mesmo local. Miraram-se. De alto e baixo. Batia certo. Nada de explicações. O beijo soltou-se como se tivesse sido ensaiado e os corpos colaram-se numa peça única e sólida. Deu-se o relâmpago e nada mais importava.

Comiam-se de beijos, de carícias, de urgências de pele e de toques. Soltavam pequenas faíscas como se daquela união saísse fogo vivo. Ardiam de tanto desejo, de energia que se tinha acumulado à espera da pessoa certa. Seria? Eram os escolhidos, os prometidos que se cruzavam e que se gastariam um no outro. Eles. O ardor queimava e rápido se esconderam.

As roupas foram rasgadas como se um raio as tivesse fulminado. Os corpos fundiram-se e o mundo fechou-se sobre os dois seres que se mastigavam de ardor e paixão. E todos os minutos eram nulos para expressar o que sentiam. Posições novas e arrojadas como se de acrobatas se tratassem. Uma arrojada coreografia que os elevava a níveis nunca pensados.

Entre pernas e braços e beijos e mãos e corpos tudo foi possível. Como é que tinham vivido um sem o outro? Como não se conheceram antes? Agora não se separariam, nunca mais e certamente que se sentiriam mais completos, mais preenchidos, mais plenos de satisfação. E repetiam como se buscassem a perfeição. Clímax! Clímax! Clímax!

A noite fez-se para amar, como alguém disse e amaram-se intensamente. E não houve lugar a medos nem a receios de más interpretações. O amor tem linguagem própria e só quem a entende interpreta com rigor. A ânsia de se completarem era tão intensa que se esqueciam de respirar. Era o momento! O cansaço acabou por vencer e os braços foram pontes de conforto.

Ele pegou-lhe na mão e beijou-a. Ela sorriu. Não fora um sonho, mas sim uma noite de amor que nunca esqueceria. Não houve vozes, mas sim posturas e atitudes que mostraram a gratidão e o sentimento que os juntara. Beberam café, quente e forte, mas não tão perfeito como a intensidade e a magnificência da noite que os marcou.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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