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O Amor no Terror, ou o Terror no Amor

Vindos de vários pontos do país, os Amor Terror gostariam de provocar as mais diversas sensações nos seus ouvintes, pois é esta a sua maneira de estar banda, bem como o estilo que os define. Fomos conhecer os autores de “A Culpa é Tua”.

Quem são os Amor Terror? De onde vêm?

Os Amor Terror são: O Miguel Morgado (Voz e guitarra), o Daniel Filipe (Guitarra), o Ricardo Rodrigues (Bateria) e o Bruno Barradas (Baixo). E vêm literalmente de muitos lados. Estão espalhados pelo país do Porto a Lisboa.

Amor Terror. Um pouco antagónico, porquê este nome?

Antagónico? Depende como se entende a relação entre as palavras, os seus conceitos, os seus significados. Para nós, o nome da banda espelha os nossos paradoxos. É a síntese das bipolaridades temáticas e estéticas que nos caracterizam. O nome foi a última coisa que decidimos no início da banda. Estava bastante complicado e queríamos uma só palavra, mas um amigo nosso já tinha a ideia e assim se deu o baptismo.

O que pretendem revolucionar no meio musical?

Essencialmente passa por ideias, linguagens e atitudes mais contemporâneas. Uma banda descomplexada, transversal, perto do público e perto da vida. Queremos influenciar, demonstrar que há espaço para se renovar e devolver a música ao centro da vida de cada um. Pelo menos gostávamos de contribuir para que isso aconteça.

Que sensações pretendem criar nos vossos ouvintes?

Depende do tema e depende da inspiração. Por vezes, queremos partilhar estados de alma, outras, consciencializar, ou simplesmente fazer algo divertido. Às vezes fazemos tudo ao mesmo tempo. Não sentimos que temos outra missão além de tentar viver o nosso sonho. Sentimos que esta maneira de estar nos legitima e temos a certeza que cada canção varia de ouvinte para ouvinte. É frequente existirem duas, três, quatro, interpretações distintas do mesmo tema.

Ainda antes do álbum, fizeram uma tournée nacional, como correu? Que tal a estreia na estrada?

Foi muito bom. É certo que não partimos com grandes expectativas, mas foi muito divertido e muito enriquecedor. É algo que adoramos fazer.

Soube que vocês se definem assim: “Amor Terror é uma banda bebé. Daqueles bebés babosos que deixam os seus pais babados. Felizes por terem nos braços tão pequeno tesouro. Depois do estúdio quentinho, a banda gatinha rumo às melodias quentes que se aninham nos ouvidos. E de agasalho vestido, faz-se ao caminho em busca dos Reis Magos. É um passeio cheio de amor e sorrisos. O terror fica na fralda. Uma chucha para todos.” Porquê a comparação a um bebé?

Esse texto foi a nossa primeira biografia, porque uma banda quando começa, seja ela qual for, tem a visão de um bebé. Ainda hoje nos sentimos assim. Gostamos de estar virados para o que ai vem, para o futuro. Estamos sempre a conhecer e aprender, a experienciar coisas novas. É assim que gostamos de estar.

Amor Terror é uma banda bebé”, mas tiveram outros “filhos”, neste caso Os Pintarolas antes. O que vos levou a criar esta banda?

Pintarolas foi a banda fundada pelo Miguel e pelo Daniel, quando eram adolescentes. Era uma banda muito querida e muito divertida, também muito familiar, com relações entre os membros de grande intimidade e só acabou por existirem divergências em relação ao futuro do colectivo. Essas visões extremaram-se e deixaram de existir condições para continuar. O mesmo se passou com Machine Effect, a antiga banda do Ricardo e do Bruno.

Com o tempo percebemos que acabam por ser situações normais, no processo de um músico.

Como o duo Miguel | Daniel continuou a compor, a fazer música, não foi surpresa (pelo menos para quem os conhece) o surgimento de Amor Terror.

Relativamente ao projecto anterior, o que mudou em termos de letras e sonoridade?

Em algumas canções ainda encontramos um lado muito divertido (os compositores são os mesmos e continuam a gostar muito de rir), mas, no âmago da questão, as bandas são visceralmente diferentes e cada vez mais existe esse distanciamento. Tem sido um processo muito natural. Afinal, as bandas são compostas por pessoas – elas próprias processos em constante evolução – e vão ganhando identidade com o passar do tempo. É normal que não se encontre grandes semelhanças com projectos passados.

O vosso álbum de estreia chama-se “Lista Negra”, porquê?

Porque é o nosso disco zero. Porque Amor Terror acabava de nascer e queríamos experimentar muitas coisas ao mesmo tempo. E porque, para nós, mais importante do que saber o que queremos, é conhecer o que não desejamos. Basta ouvir a nossa canção com o mesmo nome.

O vosso álbum, “Lista Negra”, conta com algumas participações a nível vocal e não só. São parcerias para continuar?

Não sabemos. Tudo dependerá dos momentos. O nosso novo EP “A Culpa é Tua”, a sair ainda no Outono de 2014, não conta com convidados.

Para quem não vos conhece, que música sugeriam para vos começar a ouvir? Porquê?

Os nossos temas mais recentes “A Culpa é Tua”, ou “Fogo”, porque pensamos serem as canções mais conseguidas e as que melhor nos definem.

Que planos têm para o futuro dos Amor Terror?

No imediato, está o lançamento do EP “A Culpa é Tua”. É nisso que estamos focados e é esse trabalho que estamos a preparar com todo o afinco. E não se contam planos em entrevistas!

Como definem actualmente a situação da música em Portugal? E a música em si?

Quanto à música em si, devemos acrescentar que é um privilégio ouvir e ver tanta qualidade e tanta diversidade. Culturalmente, pensamos que é dos momentos mais belos da nossa história, mas… há sempre um “mas” e nós estamos um bocado fartos desse “mas”. É hora de abater o “mas”!

Onde poderemos vos encontrar nos próximos tempos?

Esperamos que em quase todo o lado. Actualmente, ainda não sabemos. Como foi referido antes, estamos a ultimar os preparativos para o lançamento do EP “A Culpa é Tua”. Um passo de cada vez.

Por fim, que mensagem gostariam de deixar aos leitores do Repórter Sombra?

Antes de mais agradecer por lerem a entrevista até ao fim e tudo de bom. Divirtam-se. Se possível, connosco.

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Inês Faro

Estudante de Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade. Vivo para a música e grande parte dos meus interesses está nessa arte, nesse mundo tão vasto e com tanto ainda por descobrir.

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