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ContosCultura

O amor é uma escada (rolante ) que sobe

Duas meninas subiam na escada rolante. De totós no cabelo e laços amarelos faziam lembrar pequenos girassóis. Abanavam a cabeça e os laços soltavam as pontas num movimento crescente. Davam as mãos e riam muito. Mostravam pequenos dentes enfileirados, daqueles que ainda teriam de sair para dar lugar a outros, aos que deveriam ficar. Cantavam baixinho músicas infantis e terminavam com “sobre sobe balão sobe“.

Um casal maduro subia, mas em degraus separados. Ele no de cima e ela, de olhos baixos, separava-se dele por duas pequenas alturas. Ele falava qualquer coisa que tinha ficado por fazer. Ela não lhe respondia. Chegaram ao topo e ele esperou por ela. Deu-lhe uma ajudinha e, já está, o último degrau estava passado. “Sabes que não gosto destas escadas.” Ele sorria como quem diz que aqueles não gostos eram comuns.

Duas adolescentes, de olhos nos olhos, seguiam lado a lado. A mais alta, de braço no ombro da mais baixa, confortava-a de alguma inconsistência da sua jovem vida. Chorava e ela limpava-lhe as lágrimas com amor e carinho. A outra, de boné com pala para trás, soluçava como se o mundo fosse acabar. No topo beijaram-se e o mundo parou, como se os contos de fadas fossem reais. Uma espécie de luz difusa emanava destas ainda não adultas.

Um pai subia, calmamente, com uma menina ao colo. Os seus caracóis soltos e teimosos ondulavam naquela cara de infantilidade. Agarrada a um boneco de peluche contava histórias de encantar.

Oh pai, estás a ouvir?

Sim, filha. Conta que o pai ouve.

Chegando ao patamar iniciam o jogo do gato e do rato. Escondiam-se e as gargalhadas da gaiata perfumavam o ar que se espalhava pelo local.

Duas amigas esperavam as malas. Tudo visto e revisto, que todo o cuidado é pouco.

Nada de água, não sabia?

Esqueci-me. Peço desculpa.

É a primeira a avançar. A segunda é parada por apitar na máquina. São as botas. “Deixe lá ver. Passe que não tem importância. Boa viagem.” Riem as duas. Vão de férias e sair da rotina é sempre bom. Vão à aventura e que existe melhor do que a sensação de que a vida é maravilhosa?

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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