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O amor é tão estúpido

O amor tem tanto de bom como de tramado. Se nos leva a lugares mágicos e cheios de estrelas também consegue que fiquemos enterrados numa enorme lama suja e peganhenta. Os sentimentos são terríveis e não temos a menor capacidade de os controlar. Provavelmente é melhor assim e servem para colocar um pouco de sal na vida de cada um.

O amor é assim uma espécie de furacão que chega sem aviso prévio e que leva tudo à frente! Arranca as árvores, espalha a relva e deixa tudo fora do sítio. Pode ser tudo novamente arrumado, mas acaba por ficar sempre diferente. Olhamos para as coisas e já nos parecem sem piada e sem sentido. É devastador.

O coração avaria logo e começa a ter vida própria. Controla a nossa vida e estamos perfeitamente habilitados a fazer enormes parvoíces, ter atitudes sem sentido e os disparates são do melhor que se possa desejar. Nada faz sentido, mas com toda a lógica.

O raio do corpo fica mole e deixa-nos ficar sempre mal. Responde a estímulos quando devia ficar sossegado ou então falha naquele momento crucial. Um estúpido que não quer colaborar. As mãos ficam suadas, escorregadias e deixam marcas por todo o lado. A barriga desata aos pulos, cheia de borboletas, mariposas e traças. Mais estas porque estragam tudo!

Andamos sempre no mundo da lua, onde os nossos sonhos acontecem a todo o momento, sem a menor cronologia nem rigor, mas queremos que assim seja. Aparvalhamos de todo e estamos mesmo a léguas. Vivemos aqueles momentos com tanta intensidade e tanto vigor que o resto nos escapa completamente. Qual mundo?

Quando somos correspondidos ainda fica mais tudo mais descoordenado. A realidade acabou e o que criámos é uma bolha de nem sabemos bem o quê, mas que sabe bem e serve para nos proteger. Completamente tontinhos, mas com um ar tão feliz que até dá pena. Estúpidos mas cheios de convencimento de que somos os bafejados pela sorte.

Enquanto se vive no encantamento, no país da fadas e dos unicórnios, tudo voa, com nuvens azuis, cor de rosa a cheirarem a algodão doce. É tanto o açúcar que a diabetes sobe até valores exagerados. Não há insulina que resista e os balões de ar fazem muita falta. Que problemas? Tudo é perfeito e está escrito com o nosso nome e termina em “viveram felizes para sempre”.

Um dia o sonho acaba e acordamos, ou acorda o outro. Ora bola! Agora é que o mundo chega ao fim. É o efeito da bomba atómica que nos atinge e larga estilhaços para todos os lados. Que fazer? Ripostar? Aceitar? Cair? Levantar? É o desespero que toma conta do que fica sem o apaixonado.

A morte será a solução para tamanho sofrimento. Sim. É mais fácil assim, terminar com tudo de vez. Se o amor se esgotou nada mais há a fazer na vida. Que injustiça! Uma pessoa dedica-se à outra e recebe esta paga? Não é justo! Começam a delinear-se os cenários possíveis.

Comprimidos é o mais limpo. Costuma ser a decisão feminina. Atirar da ponte é igualmente uma boa hipótese. Eles preferem o sangue, o espectáculo, o nojo e o maior drama. Planeiam tudo tão bem, ao menor detalhe que, felizmente, vendo o trabalho que dá, desistem.

Elas choram durante uma semana e sentem-se as pessoas mais infelizes do mundo. Como será a vida depois daquela desgraça? Eles estão contentes, livres novamente e no mercado. Voltam à caça e tudo o que cair na rede é lucro. Na semana seguinte elas acalmam e prosseguem com a vida. Foi e acabou. Siga. Retomam as rotinas. Eles começam a sentir a falta delas. A saudade e a tristeza apoderam-se deles e então o choro sai desgovernado, como as suas vidas.

Que fazer? Olhar em frente, de cabeça erguida e continuar o caminho? Nunca mais será o mesmo, nada voltará a ter o brilho que se conhecia e os mil pedaços que tombaram, mesmo colados não resultarão no todo que havia anteriormente. A queda alterou tudo, o sentimento fica manchado e o coração rompeu-se.

Voltar a viver é uma tarefa árdua e dolorosa. O outro parece estar em todo o lado, a cada esquina e nos olhos de quem passa. Qualquer coisinha reaviva o que se viveu, aquilo que se queria continuar. É duro, mas o renascer é importante e necessário. Fica sempre uma sensação de impotência, de falhanço, de frustração.

O amor é um parvalhão! Prega tantas partidas, é tão mau, tão sacana, mas não conseguimos viver sem ele, sem as suas partidas, sem os seus golpes baixos e sem as suas caneladas que deixam nódoas negras em todo o corpo. Só com ele encontramos equilíbrio, calma e tranquilidade. Sem eles estamos perdidos.

Obrigado amor por existires, por nos fazeres ver que somos uns tontos, que pensamos que sabemos tanto, mas, afinal, somos uns ignorantes e totalmente incompetentes. Estas coisas de sentir, de tentar ser superior aos desígnios do coração são incontroláveis, mas, ao mesmo tempo, incrivelmente desejáveis.

Ai o amor é tão cabrão!

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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