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Num mundo em que a menina é a princesa de vestido rosa e o menino é o príncipe de fato azul

“O rosa é para meninas, o azul é para meninos”, ouvia eu há uns dias, quando estava numa loja de roupa para crianças. Quando vemos um bebé, mesmo sem sabendo o seu sexo, há algo que nos diz de imediato se é menino ou menina: a cor. Crescemos a atribuir as cores a géneros, sem questionarmos o seu porquê.

Antes da implosão do capitalismo, a cores não se diferenciavam, não assumiam um rótulo. Aliás, nem se vendiam roupas com cor, pois as tintas eram produtos caros na altura. A partir do séc. XX, pouco antes da Guerra Mundial, a cor começa a ganhar outro estatuto. E curiosamente era o inverso daquilo que acontece atualmente. O azul, considerado mais delicado e amável, pertencia à menina e o rosa, por ser mais forte e decidido, era destinado aos meninos – a diferença entre género era bem visível na época. A história destas duas cores mudou de rumo em 1980, quando o comércio de roupa começou a sugerir o azul para eles e o rosa para elas, como forma de aumentar as vendas. Contudo, esta sugestão demorou algum tempo para se tornar na tendência que é hoje, devido em grande parte ao movimento de libertação das mulheres, sendo comum o uso de roupas unissexo.

Mas afinal, a distinção entre o rosa e o azul está cientificamente comprovado? Durante anos que esta questão tem vindo a ser debatida e investigada cientificamente por profissionais na área. As pesquisas realizadas mostram-nos que não existe qualquer prova da preferência das crianças de cada género por essas cores. O ambiente em que a criança cresce é bastante determinante nas suas escolhas. É, por isso, que depois dos 2 anos de idade ela começa a assumir os parâmetros da sociedade, assimilando, inclusive, o estereotipo da cor, interferindo com a sua liberdade de escolha. Por exemplo, se o menino gosta de rosa e se sente privado de ter empatia com essa cor, retiram-lhe a liberdade de poder escolher o que gosta, levando muitas das vezes a que se sinta desajustado e desconfortável na sua própria pele. Há ainda outro problema inerente a este parâmetro da cor: a limitação. As crianças podem usar todas as cores que existem no arco-íris, mas há uma excepção para os meninos – o rosa está fora do seu radar de escolhas. E onde é que isto leva? A uma desigualdade de opções.

Apesar deste estereotipo ainda estar bastante impregnado entre nós, há pais que estão a colocar um ponto final na distinção entre o rosa e o azul. Porque é que a menina não pode vestir uma t-shirt azul e brincar com um carro? Porque é que o menino não pode usar uns calções cor de rosa e brincar com uma boneca? Não se deve interferir com a liberdade de escolha da criança. É ela que tem o poder de decidir o que mais gosta e o que menos gosta. Não há uma única forma de se ser e é nessa diversidade que reside a beleza do ser humano.

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Liliana Pedro

Atualmente estou a terminar a licenciatura em Jornalismo e Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com especialização em Estudos Artísticos. Apaixonada por moda, sou blogger nas horas vagas. Não gosto de estar parada. Para além de escrever para algumas plataformas noticiosas, sou locutora da Rádio Radical, onde combino a minha “tagarelice” com a música. As causas sociais prendem-me à atenção. O SOS Estudante e a causa Girl Effect são a forma de me manter ativa nesta sociedade em mudança. Bem, o futuro não o posso adivinhar, mas tenho dois grandes objetivos: tirar mestrado em jornalismo de moda e trabalhar nesta área que amo de coração. Muitos dizem que é difícil mas sabem o que lhes digo? “Só é impossível até acontecer” – Nelson Mandela.

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