CulturaMúsica

Noiserv: A música que te vai fazer viajar

Quando pensas que mais nada te vai surpreender eis que aparece um projecto como Noiserv. O nosso primeiro encontro foi no 5 para a Meia-Noite. Andava eu tranquila da vida a fazer zapping, quando de repente surge no ecrã da TV um rapaz na casa dos 20 anos a tocar xilofone, com uma voz intimista. Depois soube que era David Santos e soube ainda que ia actuar dali a dias bem perto de mim e não quis saber mais nada. Não hesitei e corri logo para comprar o bilhete, tinha a perfeita noção de que ia esgotar.

Eram 22 horas, as luzes apagaram-se e instalou-se um silêncio absoluto numa sala pela primeira vez esgotada com 300 pessoas. No palco surgiu David Santos com um simples “boa noite” e uma rapariga que logo se sentou a um canto com um computador à sua frente. Nesse momento foi como se tivesse feito magia. A tela até então a nu, exposta por detrás do palco, começou aos poucos a ser preenchida por linhas rectas, pretas e David Santos inundou a sala com a sua sonoridade, um misto de instrumentos e os mais improváveis objectos, como um megafone, uma pistola de brincar e uma máquina fotográfica. Até então, nunca imaginaria que se poderia fazer música assim.

 

A plateia à medida que o tempo ia passando ficava cada vez mais eufórica com temas como “Mr Carousel”, “Bontempi”, “ I  was trying to sleep when everyone woke up” e “The sad story of a little a town”, este último, sem dúvida, o ponto alto da noite. Não foi por isso difícil olhar para os lados e apanhar alguém a mexer com os dedos e/ou os pés, eu própria me deixei levar pelo momento.

A acompanhar, a tal rapariga, que depois soube que também se chamava Diana, com as suas ilustrações que retratavam na perfeição a essência de cada tema. Uma junção verdadeiramente hipnotizante, que certamente fez viajar todos a um mundo paralelo.

David Santos mostrou ser muito perfeccionista, parou sem qualquer problema o espectáculo, porque o som não estava como queria, partilhou momentos da sua intimidade e riu muito com o público. Porém, também mostrou não ter o “caparro” de quem já tem uma carreira de dez, vinte anos, transparecendo algum nervosismo.

A sensação com que se fica no final é de que se quer sempre mais, de que se tratou de um momento único, de pura arte musical e de que David Santos corre o sério risco de marcar a música portuguesa. É daqueles músicos que é melhor escutar ao vivo do que no YouTube como dizia alguém no fim. Transmite sem dúvida sensações inexplicáveis. “Eu até chorei” ouvi também algures e pensei “só um artista assim consegue esse efeito”. Para rever, logo que haja oportunidade.

Tags
Show More

Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: