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HistóriaSociedade

Nicolau II, o último dos czares

Nicolau Alexandre Romanov nasceu a 6 de Maio de 1868, em Tsarskoye Selo, o palácio de Verão imperial, situado a 26 km a sul de São Petersburgo. Rei da Polónia, grão-príncipe da Finlândia, Imperador e autocrata de toda a Rússia, era filho do czar Alexandre III (1845-1894) e de sua mulher, Maria Feodorovna (1847-1928), princesa da Dinamarca. Para além de Nicolau, este casal teve ainda mais três filhos e duas filhas: Alexandre (1869-1870), Jorge (1871-1899), Miguel (1878-1918), Xenia (1875-1960) e Olga (1882-1960).

A sua educação, rígida pelo protocolo russo, foi a própria de um príncipe herdeiro, que se tornaria rei em 1881, quando o seu avô, o czar Alexandre II (1818-1881) foi assassinado, a 13 de Março. Aos 22 anos, para complemento da sua educação, tal como era habitual em muitas casas Reais europeias, o príncipe herdeiro e o seu irmão viajam pelo mundo: Egipto, Índia e Japão.

Imagem21894 foi o ano de viragem na sua vida, quer pessoal, quer como estadista. Embora os seus pais pretendessem que casasse com uma das filhas do pretendente ao trono francês, o Conde de Paris (1838-1894), D. Helena de Orleães (1871-1951), para estreitar as relações diplomáticas entre a Rússia e a França, Nicolau acaba por se inclinar para a princesa Alix de Hesse-Darmstadt, (1872-1918), filha do Grã-duque de Hesse e Reno, Luís IV (1837-1892). Noivos desde Abril, o casamento seria apressado com a morte do pai de Nicolau, a 1 de Novembro de 1894, sendo que a 26 desse mês os noivos casavam, mas sendo apenas em 1896 realizada a sua coroação como imperadores da Rússia. Deste casamento, nasceriam cinco filhos: Olga (1895-1918), Tatiana (1897-1918), Maria (1899-1918), Anastásia (1901-1918) e Alexei (1904-1918), que sofria de hemofilia, doença incurável à época.

A sua visão imperial era, como a do seu pai, autocrática, opondo-se a qualquer tentativa de transformação em monarquia constitucional. Todavia, a preservação desse status quo tornar-se-ia cada vez mais impossível. Em 1904, a Rússia entra em guerra com o Japão. A expansão territorial russa para leste e para o sul colidia com as ambições territoriais japonesas na Ásia. O ataque japonês surpresa à frota russa em Port Arthur, aliado à grande distância entre este território e a capital do império, tornaram impossível uma vitória. A derrota russa teve graves consequências para a opinião pública, tendo o prestígio do governo e do próprio imperador decaído fortemente.

A partir de 1905, intensificaram-se as manifestações revolucionárias e os ataques bombistas. Numa dessas manifestações, vários manifestantes são mortos e, em sequência, o czar resolve-se pela convocação da Duma Estatal – uma assembleia nacional -, com a promessa da introdução de liberdades civis básicas.

A entrada na Primeira Grande Guerra veio a tornar-se fatal para a Rússia. Apesar de Nicolau não pretender entrar em guerra com o Império Alemão, a verdade é que não podia deixar de não apoiar declaradamente a Sérvia, colocando o exército russo em alerta, a 25 de Julho de 1914. Embora não se tratasse de uma mobilização, colocou em cheque as fronteiras alemãs e austríacas. Três dias depois, a Áustria declara formalmente guerra à Sérvia. A 31, o czar ordena, então, a mobilização total do exército, considerando ainda que a paz fosse possível. A Alemanha responde com um ultimato: ou as tropas russas se desmobilizavam num prazo de 12 horas, ou declaravam guerra ao império russo. Este não desmobilizou as suas tropas e a guerra foi declarada a 1 de Agosto. Apesar da elevada potência numérica, a Rússia não possuía as infraestruturas necessárias para a guerra, nomeadamente a nível de indústria pesada, de meios de telecomunicação e de transporte. As derrotas para o exército russo face ao alemão sucederam-se. As únicas vitórias registaram-se contra os exércitos austro-húngaros e Otomano.

As derrotas não foram favoráveis ao próprio czar e a toda a família real. Em 1917, o país colapsava. O czar, afastado da capital e do governo, dedicava-se à guerra. O governo interno estava a cargo da czarina, inexperiente e sob influência de Rasputin, que, entretanto, seria assassinado. As greves e as revoltas de soldados sucediam-se. O custo de vida aumentava, devido à inflacção provocada pela guerra. O Inverno rigoroso, aliado à carestia alimentar, fez aumentar as revoltas e a intensidade da violência. Grande parte dos grupos tradicionais de apoio à dinastia Romanov havia perecido nas batalhas. O exército rapidamente se amotinou. Alguns membros da Duma formaram um Governo Provisório para tentar restaurar a ordem, decidindo a abdicação de Nicolau. Assim, a 2 de Março de 1917, o czar foi forçado a abdicar a favor de seu irmão Miguel.

Nicolau, a sua mulher e os seus filhos ficaram em cativeiro, até que de 16 para 17 de Julho de 1918 foram executados a tiro, juntamente com alguns dos seus serviçais. Apenas em 1998 os seus restos mortais foram identificados, sete anos após terem sido descobertos. Em 2000, a Igreja Ortodoxa Russa canonizou o czar Nicolau e a sua mulher, bem como os seus filhos.

A História nas Estrelas

Nicolau II é uma das figuras na História do Mundo que, com certeza, será para sempre recordada e mitificada. A realidade, também, é que encontra na Primeira Grande Guerra um grande desafio para a sua vida que, como rapidamente percebemos, foi cumprido duma forma dolorosa.

Mapa Natal - Nicolau II
Mapa Natal – Nicolau II

A primeira coisa que podemos destacar no mapa de Nicolau II é o seu lado profundamente austero e individualista, algo que encontramos muito na história do povo russo, sempre dominado por figuras muito fortes que achavam que controlar um território tão grande exigia um pulso de ferro. Com um Sol em Touro e Ascendente Capricórnio, regido por Saturno na Casa 10, em Sagitário, Nicolau II tem a noção de que é o dono de um vasto território que tem de manter e acredita que a única forma de o fazer é através do que acredita, um espírito autoritário e pulso de ferro, auxiliados pela enorme energia de Carneiro, onde tem um dos planetas mais fortes do seu mapa, em domicílio, Marte, o senhor da Guerra.

Com episódios anteriores à própria Grande Guerra de necessidade de conquista territorial e de postura autocrática, Nicolau II mostra-se um voraz defensor do conflito como uma forma de demonstrar o seu poder, algo muito natural quando notamos Saturno em Sagitário na Casa 10, senhor do poder, em oposição a um Sol em Touro, na Casa 3, dominado por uma Vénus em Caranguejo, oposta ao Ascendente, mas que nos remete, através do seu dispositor, a Lua, para a energia de Carneiro. Na realidade, Nicolau II é profundamente emocional, e a prova disso é a história da questão do seu casamento. Contudo, ele também é um estadista, de um dos territórios mais vastos e mais dispersos do mundo, profundamente atrasado, e que precisa de ser controlado. Então, Nicolau vive a dualidade entre o seu lado emocional e uma máscara de força de Estado que tem de manter, encontrando no controlo e na guerra um meio de tentar fazer prevalecer a sua posição.

Na verdade, não só pela amplitude das suas casas 1 e 7, mas também pelo facto de o Nodo Norte estar em Virgem na Casa 7, o que Nicolau vem trabalhar é a entrega do seu Eu nas relações, libertando-se duma forma idílica de egocentrismos desnecessários, confiando e acreditando mais em si mesmo e nas suas capacidades, algo que se torna muito difícil para ele, dado que é confrontado com uma educação excessivamente rígida, que o prepara para uma função.

Quando se depara com a situação que inicia a Primeira Grande Guerra, Nicolau II vê-se encurralado e, com toda a certeza, face às crescentes contestações que há cerca de 10 anos se fortaleceram na sociedade russa, viu nesta situação uma oportunidade de fazer prevalecer a sua posição e o seu poder. Contudo, não esperava o que acabaria por acontecer.

Mapa - Nicolau II vs Entrada da Rússia na Guerra
Mapa – Nicolau II vs Entrada da Rússia na Guerra

A realidade é que a entrada da Rússia na guerra foi um passo maior que a perna para Nicolau II, que se dá num momento em que Saturno tinha acabado de entrar em Caranguejo, desafiando através dum quincúncio, um aspecto desafiador e que vem trazer faíscas e conflito interior que, numa primeira instância, não é muito perceptível, com o Saturno natal do Czar. Se isto seria suficiente para criar complicações, a realidade é que Saturno não está sozinho, tendo a energia de Plutão a amplificar este conflito. Ao mesmo tempo, Marte em trânsito por Balança fazia quadratura ao Úrano natal de Nicolau II, ampliando ainda mais os sentimentos e a sede de uma oportunidade de calar os opositores. Se por um lado, a História diz-nos que Nicolau não queria entrar em guerra com o Império Alemão, a realidade é que, dentro de si, ele vê nesta situação uma hipótese de crescer territorialmente e amplificar o seu poder. Com Úrano a fazer conjunção à Lua Negra natal, os seus medos são mascarados por uma energia de impulsividade e radicalismo que alimentam a sua incursão na Guerra.

O facto é que em 1917, Nicolau II vive a sua abdicação ao trono e é executado juntamente com a sua família, muito devido à própria postura que teve perante a Guerra. O Czar esqueceu-se do seu propósito enquanto estadista e do seu serviço perante o povo e perante um país que, cada dia mais, estava esgotado e atrasado, tornando a guerra como a sua missão e entregando o governo à sua mulher, que foi completamente cilindrada pela política. Sem dúvida, o elevado preço a pagar pela ambição e pela não vivência do seu próprio Eu.

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Pedro Urbano

Nasceu em Lisboa em 1979, tendo frequentado o antigo Liceu de Setúbal. Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente doutorado em História pela mesma Universidade, onde também concluiu o mestrado em História Contemporânea.

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