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Nelson Mandela: Um exemplo de vida e perdão

“Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed. Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul”.

William Ernest Henley, em Invictus

Quando as fronteiras físicas limitam a liberdade, a consciência do nosso pensamento, a forma mais livre e intrínseca do ser humano, torna-se palpável. Durante os 27 anos que Nelson Mandela esteve preso, as palavras do poeta inglês acompanharam o “Madiba”, clã a que Mandela pertence, ajudando-o a não esmorecer na sua luta: viver numa África do Sul, em que negros e brancos se encontrassem em pé de igualdade.

O regime de segregação de raças, conhecido como Apartheid, reinou por mais de quatro décadas na África do Sul, subjugando a maioria da população negra e as outras minorias “de cor” ao poder da minoria branca. A violência começou a ser um lugar-comum nesta nação africana com movimentos de resistência interna a protestarem contra o sistema injusto e racista, que os tratava como cidadãos de segunda, a serem reprimidos com mais força e violência por parte das entidades estatais. Porém, o apelo da liberdade gritava mais alto e as prisões arbitrárias e mortes brutais não demoveram os movimentos, como o Congresso Nacional Africano (convertido num partido politico, que está no poder desde 1994).

Nelson Mandela foi um dos líderes deste movimento na Liga Juvenil do CNA, criada em 1944, abdicando do seu tempo em vida familiar (o que minou o seu primeiro casamento) para ser a voz de milhões de pessoas. Num discurso, por vezes, bombástico e inflamado, o jovem Mandela tentou mobilizar o mundo para a causa da nação africana percorrendo vários países africanos, poucos anos antes de ser preso. Porém, em 1964, a sentença de prisão perpétua decretada a “Madiba” relegou-o a anos de trabalhos forçados e maus-tratos por parte dos guardas.

Contudo, a 11 de Fevereiro de 1990, quando o líder sul-africano é libertado, após anos a negociar a sua liberdade, apenas um sentimento o orientava: a Paz. 27 anos encarcerado ajudaram Mandela a compreender que o ódio apenas iria eternizar a situação humilhante em que muitos sul-africanos viviam. O perdão foi a lição que Mandela trouxe da prisão para o mundo, aqueles que o tinham maltratado, humilhado e assassinado os seus companheiros de luta foram os mesmos a que Mandela pediu ajuda para reerguer um país das malhas do preconceito e do rancor.

Aprendendo a língua e a cultura africâner da etnia branca, Mandela estudou aquele que pensava ser seu inimigo para compreender que ele podia tornar-se o seu companheiro na reconstrução de uma sociedade democrática e igualitária. Eleito presidente da África do Sul, em 1994, nas primeiras eleições multirraciais, Mandela elegeu para si a missão de unir uma nação fragmentada – facto descrito no filme “Invictus”, de Clint Eastwood (2009) – e reescrever a história da antiga colónia inglesa.

Mandela ensinou uma nação a amar, a reconhecer a bondade no outro lado, a viver lado a lado com o inimigo, mostrando que o perdão não é uma utopia, mas sim um processo de aprendizagem. Ódios antigos nem sempre são fáceis de esquecer e, por vezes, ainda se sente no ar uma certa mágoa, mas a admiração e respeito que a figura de Nelson Mandela reúne transcende qualquer diferença racial e étnica que ainda possa existir, provando que o Homem tem em si a capacidade para perdoar.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor da sua pele, da sua origem ou da sua religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também podem aprender a amar.”

Nelson Rolihlahla Mandela

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio.
Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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