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Músicos de outro mundo: O conceito musical, artístico e extravagante dos Blasted Machanism

Blasted Mechanism é uma banda portuguesa de rock alternativo, que ficou conhecida por se disfarçarem de extraterrestres nas suas actuações. “Estamos na presença de uma banda que honra a noção de alternativo. Nada neles é quotidiano, banal: da roupa que vestem à música, afirmam-se como um hino à diferença e eles próprios se definem como um projecto artístico tocado por seres de outro mundo”, afirma Rui Marques.

Os membros de Blasted Mechanism já foram criaturas com tentáculos, mutantes intergalácticos e seres de uma realidade aumentada. Hoje, vivem a sexta geração Blasted num “sentido de unidade” tridimensional com efeitos visuais, novo guarda-roupa e instrumentos. “A banda apresenta o álbum como um momento de regresso a um sentido de unidade”. Essa unidade goza, porém, de uma tridimensionalidade que transcende a música, nas ilustrações de Ricardo Machado, no guarda-roupa de Ana Sofia Antunes e no “video mapping” de Rui Gato. Com a nova geração, também o bambuleco evolui, ganhando um sucessor na galeria de instrumentos concebidos por Valdjiu: o MaeGeri”, explica Sílvia Pereira.

Esta banda nascida pela mão de Valdjiu e do ex-vocalista Karkov, em 1995, é composta por Guitshu, Valdjiu, Ary, Zymon, Winga e Fred Stone. Os músicos “têm sempre apresentado novos instrumentos, criados de raiz pela banda. Depois do bambuleco (um “dois em um” com baixo e guitarra) e da kalachakra (que juntava guitarra, baixo, cítara, tampura, harpa e violino), surge agora o maegeri, um bambuleco com um braço mutante, onde pode ser instalado um ribbon (interface que atua num sintetizador analógico) ou uma guitarra portuguesa”, diz Miguel Judas. A sua música, a pare da sua imagem, indica o caminho da reunião e da celebração. “A mudança está aí à porta” foi uma das primeiras mensagens lançadas pelos Blasted Mechanism. Porém, apesar dos apelos “à revolução”, que continuam a contagiar o público e ganham ímpetos renovados nestes tempos de desânimo social generalizado, é a própria banda portuguesa que parece ter mudado pouco neste novo trabalho e mantém como prato forte a mescla de ritmos a convidar ao passo de dança”, afirma Rui Pedro Vieira.

O panorama musical foi marcado pela sua forte imagem extravagante e pela fusão de músicas do mundo, incorporando elementos tradicionais de vários países do mundo. “Por exemplo, na música We do álbum ‘Sound of light’ fizeram parceria com o mestre da guitarra portuguesa António Chainho e, num álbum mais recente, ‘Mind at large’, recorreram à voz do falecido filósofo português, Agostinho da Silva, para músicas como ‘Liberdade e destino’”, defende Rui Marques.

A categoria dedicada ao reconhecimento internacional do trabalho dos artistas portugueses, de nome “Best Portuguese Act”, nos MTV Europe Music Awards, trouxe quatro nomeações para a banda. Os prémios foram arrecadados por outra das 5 bandas eleitas nesses anos, mas os Blasted Machanism foram eleitos com o globo de ouro, pela SIC, como a melhor banda Portuguesa, em 2006.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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