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ArtesCultura

Muros

Muros. Servem para defender, impedir a passagem, conter, para alguns se lamentarem, para trepar, ou para derrubar. Servem também para aprisionar, para delimitar, para apartar. Não passam de uma linha contínua de pedra, tijolo, ou betão. Pese embora esta singeleza, ou minimalismo do tipo, podem rivalizar com os mais belos palácios. A Muralha da China é comparável a qualquer palácio e atrai milhares de turistas. O Muro das Lamentações tem um significado tão importante que pode ser comparável ao palácio do Vaticano. Até mesmo nas estórias temos as princesas que suspiravam no seu castelo, mas o Humpty Dumpty vivia em cima de um muro.

Obviamente não podíamos deixar passar em branco o aniversário da queda do muro de Berlim. Que as efemérides servem para lembrar a todos que a história aconteceu e, eventualmente, para questionar a sua repetição no presente. Ontem, como hoje, há muros a derrubar. Muitos serão os mesmos, ainda que mais baixos e com menos arame farpado, mas os mesmos. A segregação baseada na nacionalidade, grupo social, crença, género, orientação sexual, cor da pele, ou outras características fisionómicas é e será sempre usada para distinguir uns de outros. Uns melhores que outros, inventem-se os motivos que se inventarem. Esses motivos servirão sempre às elites, aos que já estão no poder e dele se servem para não o perder, ou para a ele aceder. E para aí se manterem, enquanto as suas bases desdenharem de quem abaixo de si se encontra, qual nojo da peçonha de que querem escapar, ou que querem renegar como se nunca ali tivessem metido os pés.

Enquanto estão muito preocupados em deixar os demais bem para trás, a maioria nem percebe que alguns poucos vão por entre eles trepando, abusando e abusando. Tão descaradamente que quase parece inexplicável como algumas pessoas tão desastradas, incompetentes e, quase diria, estúpidas, podem governar-nos.

No entanto, e voltando ao muro de Berlim, essa estupidez pode mesmo ser bem vinda. Relembre-se que foi graças ao atabalhoado Günter Schabowski, que o muro caiu naquele dia – 9 de novembro de 1989.

 

Muro

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Ricardo Jorge

Lisboa, 1978. Licenciado e mestre em Arquitectura pela Universidade de Lisboa, estudou também Design e Ensino das Artes. Paralelamente a estas áreas desenvolve trabalho em Ilustração e Desenho com exposições regulares em Portugal.

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