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Mulheres com Mais Educação

A mulher portuguesa dos dias de hoje trabalha a full time, tem menos filhos e adia o casamento, mas tem mais educação, porque está em maioria no ensino superior. Só que nem assim ganha tanto, ou mais que os homens e nem assim é menos afectada pelo desemprego. O desafio? Mudar mentalidades e vencer os estereótipos. Por quem? Pelas próximas gerações.

Um protesto contra as más condições de trabalho, num contexto de luta por melhores condições de vida, salários e horários, marcou o propósito de instituir o Dia Internacional da Mulher, nos primeiros anos do século XX. Reconhecido o direito pela Organização das Nações Unidas e trinta anos volvidos, o que mudou?

A ONU inclui nos direitos das mulheres o voto, a ocupação de cargos públicos, o trabalho, os salários justos e igualitários, a educação, entre outros, mas nem por isso as desigualdades se dissiparam no tempo. Mantêm-se e até se acentuaram as desigualdades e as descriminações das mulheres, sobretudo, no tecido empresarial. São as mais atingidas pelo desemprego e pela precariedade, uma expressão que ganha contornos expressivos na camada mais jovem das mulheres, e são, sobretudo, afectadas pelo agravamento das discriminações salariais, onde o ganho mensal é 20% inferior aos dos homens. O dilema vinca-se ainda mais, quando nos apercebemos que persiste o alerta para a violência doméstica, a que desumanamente e grandemente se tem assistido.

Falar das preocupações relativas à natalidade em períodos onde impera a desvalorização da maternidade, em matéria de função social, parece ser um problema protagonizado por quem não quer aceitar que a motivação advém do incentivo. Se há largos anos a luta emancipadora de mulheres trabalhadoras permitiu elevar a consciência social e política das mulheres, hoje percebemos que se recuou, quando se assiste à efetiva desigualdade entre homens e mulheres.

Se Portugal melhorou no ranking da igualdade de género, principalmente no que à educação diz respeito, estagnou na desigualdade salarial. Está em 97º lugar no Índice Global das Diferenças de Género, do Fórum Económico Mundial. A lista com 142 países mostra que Portugal está atrás de muitos países europeus e que os países nórdicos são os mais igualitários. Em matéria de desigualdade e a julgar pela evolução dos últimos anos, o relatório de 2014 conclui que vão ser precisos mais de 80 anos para se poder alcançar a equidade no mercado de trabalho. Uma luta que deve ser feita também pelas próximas gerações.

Afinal o que é a igualdade de género?

Deve-se, antes de mais, clarificar que o conceito social de género prevê as diferenças entre homens e mulheres resultantes do processo de socialização, num amplo conjunto de comportamentos esperados pela sociedade para a formação da identidade social. Neste sentido, a igualdade de género significa a igualdade de direitos e reconhecimento em diversos domínios da esfera social, de homens e mulheres. Falar sobre igualdade de género torna-se imperativo tendo em conta a luta pelas melhores condições salariais, pela persistência da responsabilidade nas tarefas domésticas, mas também pela ocupação desigual do trabalho remunerado, quando são estas que apresentam, regra geral, mais habilitações académicas que os homens.

A valorização pessoal e o sustento da família mostram a importância da participação feminina no mundo laboral. Esta luta pela igualdade de género reconhece as desvantagens da mulher e as vantagens do homem, mas também integra a perspetiva de que esta igualdade tem ainda um longo caminho a percorrer.

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Rita Nunes Ferreira

Licenciada em Comunicação Social e pós-graduada em Estudos Europeus nasci neste mundo onde tudo/quase tudo se traduz em formas de comunicar. Tenho uma paixão nata pela escrita e um soberbo gosto pelo jornalismo em áreas diversas - lifestyle, sociedade, direitos humanos, política, assuntos europeus. Tendo sido ou não talhada para esta azáfama constante não existe o que possa demover. Todos os dias se justifica acordar e escrever mais um "bocado".

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