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EuropaPolítica

Muda o cenário mas a trapalhada é a mesma

Confesso que não me surpreende absolutamente nada o resultado que saiu das últimas eleições catalãs. Se por um lado, Mariano Rajoy sofreu (mais) uma pesada derrota, por outro, o povo da Catalunha mostrou – mais uma vez – que prefere uma transição pacífica para algo muito próximo da independência em detrimento da desejada e fomentada guerra civil que Madrid parece ansiar.

Ora, face ao sucedido o Governo central de Madrid liderado por Rajoy tem apenas duas hipóteses: Ou recua na sua intenção belicista e manifesta teimosia de não apostar num diálogo aberto e de boa-fé em busca de uma solução pacífica e abrangente que mantenha a Catalunha dentro do Reino de Espanha com condições especiais (tal como o País Basco); ou então Rajoy demite-se do cargo e evita desta forma a corrosão pública e política de um governo central minoritário que só assim não definhou de vez por falta de alternativas no actual elenco político espanhol.

Obviamente que Rajoy não vai optar por uma ou outra saída. Este vai antes optar por fazer aquilo que Espanha tem feito sempre que percebe que perdeu uma guerra. E a ver vamos se porventura o caso não irá acabar na velha questão das eleições sem fim até destas sair algo que agrade em definitivo a Madrid.

Não creio que o cenário mais optimista de uma possível “geringonça” na Catalunha se venha a concretizar. Isto, porque para que tal suceder, Inés Arrimadas e o seu Ciudadanos tem de ter a possibilidade de encetar negociações livres de qualquer opressão com Carles Puigdemont e com os partidos independentistas ERC, Junts per Catalunya e CUP. Contudo, tal é manifestamente impossível, pois Mariano Rajoy e o seu político sistema judicial mantêm Carles Puigdemont no exílio e presos os líderes dos já aqui referidos partidos. Paras mais, Rajoy já afirmou publicamente que não terá qualquer tipo de discussão com Carles Puigdemont sobre a questão catalã, apesar de este ter sido – somente – o segundo mais votado nas eleições de 21 de Dezembro de 2017.

Em suma, o que Mariano Rajoy fez com o alto patrocínio da União Europeia e da sua família política, que se apossou das instituições europeias para as ir destruindo aos poucos, foi, tão simplesmente, mudar o cenário na Catalunha com a trapalhada a ser a mesma.

Bem que Rajoy poderia e deveria aprender com o actual Primeiro-ministro italiano como governar com sucesso uma espécie de “manta de retalhos”. Paolo Gentiloni colocou um ponto final nas aspirações independentistas de Florença de uma forma inteligente e altamente democrática. O problema é que Rajoy se revê por completo nas personagens espanholas do filme “Os Últimos das Filipinas” do realizador espanhol Salvador Calvo…

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Pedro Silva

"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida." (Salvador Dalí) Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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