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Monstro de olhos verdes

Já todos sentimos ciúmes. Com mais ou menos intensidade, em algum momento da nossa vida, sentimos o medo de perder a importância na vida de alguém. É inevitável. A verdade é que ninguém escapa ao ciúme – o que até pode não ser mau. Afinal, se por um lado – quando em excesso – pode prejudicar a relação, por outro pode ser benéfico.

Na mitologia grega, Hera perseguia, torturava e matava as amantes e os filhos bastardos de Zeus. Imaginá-lo com outras mulheres era doloroso, mas o que verdadeiramente a consumia era pensar que o marido poderia vir a gostar mais das amantes do que dela. Não queria perder a importância que tinha. Então, o ciúme levou-a a cometer as maiores atrocidades.

Tal como a Hera, o ciúme também cegou Otelo. O protagonista da obra de William Shakespeare, convencido de que a esposa o estava a trair, asfixiou-a e só depois descobriu que estava enganado. O sentimento é aqui um elemento perverso que só leva à destruição. E, assim, tem sido visto ao longo dos tempos. “Oh, tende cuidado com o ciúme. É um monstro de olhos verdes, que zomba da carne de que se alimenta”, escreveu Shakespeare, na obra Otelo. O aviso permaneceu.

Na verdade, o ciúme é um sentimento que produz angústia e pode atingir formas doentias, mas algum nível de ciúmes é necessário em todo o relacionamento. Para muitos, este é encarado como uma prova de amor e zelo, como uma necessidade de preservar algo. Além disso, de acordo com a psicóloga clínica e co-autora do livro Ciúme e Sexualidade: Uma compreensão científica, Catarina Lucas, um pouco de ciúme pode até resultar em maiores níveis de satisfação sexual. “A ausência de ciúme não é tão positiva como muitas vezes se ouve no senso comum, pois poderá evidenciar a falta de interesse pelo outro e o desinvestimento na relação”, explicou ao Sapo Lifestyle. Um estudo nacional realizado junto de 1169 indivíduos permitiu-lhe concluir que “as pessoas que manifestam ciúme moderado evidenciam maiores níveis de satisfação sexual. Por outro lado, os sujeitos que manifestam níveis de ciúme mais baixos são aqueles que se encontram mais insatisfeitos”. De acordo com Catarina Lucas, o ciúme surge como “protector da relação e uma forma de demonstração de interesse pelo outro”.

No entanto, tudo o que é em excesso não é bom. E, quando o ciúme se torna excessivo, a satisfação sexual diminui. Para além disso, o ciumento controla totalmente aquele que não quer perder, sufocando-o e destruindo a relação. Por isso, é necessário gerir de forma saudável os ciúmes. Para isso, a psicóloga Catarina Lucas apontou ao Sapo Lifestyle um conjunto de atitudes a tomar:

  1. Compreender o que está na base do ciúme e se existe um motivo coerente para que este surja;
  2. Gerir as emoções de modo a não causar sofrimento ao/à companheiro/a;
  3. Analisar os comportamentos que desagradam ao outro e discutir formas de minimizar o impacto dos mesmos;
  4. Não exigir mudanças comportamentais;
  5. Dialogar com o/a companheiro/a;
  6. Não procurar ameaças que não existem;
  7. Não controlar o/a companheiro/a;
  8. Trabalhar a auto-estima.

Assim – na medida certa – “a presença de ciúmes é saudável nas relações amorosas. O ciúme serve como um sensor, uma medida da segurança que se sente na relação. A sua ausência, tanto quanto o seu excesso pode prejudicar o relacionamento”, explica a psicóloga Kelen de Bernardi Pizol.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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