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Michelle Obama

Michelle Lavaughn Robinson Obama nasceu a 17 de Janeiro de 1964 em Chicago. É advogada, mãe de duas filhas adolescentes e casada com Barack Obama, 44º Presidente dos Estados Unidos da América. Foi a 46ª Primeira Dama e a primeira afro-descendente a ocupar o cargo.

A vida de uma mulher nunca foi fácil e estar debaixo de holofotes torna-a ainda mais difícil e complicada. Ela esteve-o durante 8 anos e soube mover-se com tanta dignidade que nada há que lhe apontar. As revistas cor-de-rosa não conseguiram encontrar nada para escarafunchar e espezinhar. E não foi por falta de tentativas.

Qualquer mulher enfrenta, todos os dias, múltiplas tarefas e esta não é uma excepção. Ser mãe de adolescentes é árduo e a luta é constante. A mais velha tem 18 anos e a mais nova 16. Adolescentes como as outras, com as mesmas responsabilidades e direitos que todas as outras. Tudo conquistado a pulso, conforme lhes foi ensinado.

Depois da mudança para a Casa Branca, as meninas não ficaram isentas de cuidar dos seus quartos e dos seus pertences. Michelle encarregou-se que elas cumprissem com honra os seus compromissos. Não quis criar meninas mimadas nem caprichosas. Apesar da preciosa ajuda da sua mãe, não permitiu que a linha traçada tivesse desvios e não chegasse ao destino final.

Aliás, ela é a grande defensora do serviço público de educação, onde as tarefas domésticas deveriam estar incluídas. Preparar cidadãos implica uma vida prática e não somente teórica. Gerir tempo significa saber viver com normas onde ninguém choque com o outro. Preparar para os desafios é mesmo assim.

Michelle estudou na Universidade de Princetown e depois na Harvard Law School, onde se formou em Direito. Na sequência do seu curso, foi trabalhar para a firma Sidley Austin, onde conheceu o seu futuro marido. A sua função estava ligada ao marketing e à propriedade intelectual, o que a levou a enveredar por outros sectores sociais.

Esteve ligada a várias organizações, sem fins lucrativos, incitando os jovens a trabalharem em questões sociais, chamando assim a atenção para situações que passavam despercebidas aos olhos da maioria, como foi o caso dos sem abrigo, um autêntico flagelo nos Estados Unidos da América.

Enquanto trabalhou na firma Sidley Austin, teve a ser cargo os novos associados, sendo mentora de um, Barack Obama, de quem já sabemos mais detalhes profissionais. Segundo consta, terá sido Michelle que o incentivou a enveredar pela política, tendo, como se sabe, participado nas suas campanhas.

Barack convidou Michelle para ir ao cinema. Foi o primeiro encontro. O filme Always do the right thing! de Spike Lee, relata um dia de muito calor e as ocorrências num bairro maioritariamente negro. Se o realizador é magistral com a sua história, o calor que nasceu entre estas duas pessoas deu outros frutos de que ainda usufruímos e queremos que se mantenham.

Em 1992, os dois assumem a sua relação através de um casamento que vai comemorar as suas bodas de prata este ano, em Outubro. Os últimos 8 anos terão sido menos românticos e mais políticos, mas as suas opções assim o obrigaram. Ter tempo de qualidade para ficarem a sós pode ter sido uma quimera, mas o que se faz do aproveitamento do tempo é que mostra a garra de cada um.

Quando o seu marido foi eleito para o senado, decidiram ficar no South Side de Chicago e não se mudaram para Washington. Implicou uma grande ginástica da sua parte. Impôs uma regra em relação às filhas que cumpriu. Nunca lhes falhou, apesar dos inúmeros compromissos a que estava obrigada. Vida de mulher trabalhadora é igual em todo o lado. Multifunções.

Durante a campanha para a Presidência, esteve sempre ao lado do seu candidato, apoiando-o no que foi necessário e era o último rosto que ele via, quando conseguia dormir. A chegada à Casa Branca foi apoteótica! Uma mulher descente de um escravo, uma mulher afro-americana como Primeira Dama. Deixou de ser individual e passou a ser a Senhora que entrava em todos os lares.

De olhos colocados em si, tomou as posições e as atitudes a que já nos tinha habituado. Ao lado dos mais esquecidos, mostrou um lado da América que ninguém gosta de ver exposto. Visitou os abrigos dos desalojados, distribuiu comida e agasalhos aos sem-abrigo e foi o grande apoio das famílias dos militares.

Os seus discursos foram inspiradores (e copiados por inúmeras pessoas) e funcionaram como a rampa de lançamento para mudanças de comportamento que deram os seus frutos, sobretudo, a nível da alimentação e da participação dos cidadãos em actividades cívicas.

Durante os dois mandatos, o Mundo não parou, as guerras continuaram, as situações limite extremaram-se e tudo o que estava previsto e o imprevisto aconteceram. A maior potência continuou a fornecer tropas para as guerrilhas que se tendem a perpetuar. Eles foram e as famílias ficaram, de coração nas mãos.

Activista do serviço público escolar, não hesitou ao defender as suas posições e prestar serviço voluntário. Ensinou o que era comida orgânica, que conseguiu introduzir nas escolas com algum sucesso. Ela própria plantou o seu jardim na Casa Branca, atitude pedagógica e que teve milhares de seguidores. Uma batalha ganha num país onde a fast food tem a dianteira.

Sendo uma mulher e ocupando o cargo em questão, os olhos que apontavam para si viam, maioritariamente, a mulher no seu sentido de moda. As suas roupas foram copiadas e escrutinadas, por olhos mais malévolos do que simpáticos. As vestimentas usadas durante a visita oficial ao Reino Unido foram alvo de críticas menos favoráveis bem como a suposta quebra do protocolo. Nada com que ela não conseguisse lidar.

Uma mulher raramente passa despercebida e Michelle é atraente e magnética. Os seus ombros foram motivo de conversa durante muito tempo. Os seus braços bem trabalhados não são invisíveis a quem os olha. Demonstram a força que sabe carregar, a determinação com que os usa e a aura que a envolve. Foram precisos ombros e braços muito fortes para arcar com a responsabilidade que teve que assumir.

Michelle é uma mulher que se deseja por motivos variados. Elas querem-na pelo seu exemplo, pelo trabalho feito, pela obra concluída e eles anseiam-na pela determinação, pelo seu múltiplo papel e pela sua inteligência. Abdicou da sua profissão, bem remunerada, para ocupar, com toda a dignidade, o cargo que lhe era de direito, na Casa Branca. O seu legado é enorme!

Colocando a pergunta “O que pensam de Michelle Obama?” a um grupo de adolescentes, as respostas foram muito elucidativas: corajosa, culta, sociável, independente, grande mulher e única. De facto, esta mulher consegue conciliar todos os lados das questões, equilibrar as hostes e juntar até os que estão mais desavindos. Um exemplo de determinação e de persistência que se perpetua.

No fim do mandato, o seu marido escreveu: “Michelle, girl of the South Side, for the past 25 years you have not only been my wife and mother of my children, you have been my best friend.” Nada mais há a acrescentar às palavras do homem que ela escolheu e que chegou ao cargo mais poderoso do mundo.

Tudo o que se possa escrever sobre ela será sempre redutor, mínimo, pois o seu carácter extraordinário inundou as mentes que se tinham habituado a migalhas de sociedade. Nada lhe fará justiça. Esta mulher fora de série voltou a ligar a consciência colectiva, a activar as mentes e a provar que as mulheres são seres humanos capazes de grandes feitos.

Michelle transportou para a Casa Branca o ideal inicial, a Primavera de uma nova mentalidade, e conseguiu que o Verão se mantivesse com os seus frutos coloridos. Foi o bálsamo indispensável para o progresso e a evolução, que permitiu a manta de retalhos, das cores melancólicas, do recolhimento, do calor, da intimidade, que todos partilhámos. O Inverno chegou e esperamos que não se mantenha.

Será que agora ela poderá voltar a ser somente a Michelle? Poderá voltar a exercer a sua profissão, aquela que teve de deixar para segundo plano para acompanhar o marido? Querem-na na Presidência, chamam por ela a toda a hora. Ela é amada por todos e idolatrada por milhões. Esta mulher incrível, brilhante e fenomenal terá direito a descansar ou avizinha-se, desde já, uma nova etapa na sua vida?

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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