Desporto

Michael Schumacher, uma lenda do Desporto Automóvel

Michael Schumacher é sem duvida uma das maiores lendas do desporto automóvel, a par de Juan Manuel Fangio, Ayrton Senna e de Stirling Moss. Tal foi o seu domínio sobre a disciplina da Formula 1, que durante os anos em que correu pela Ferrari, a disciplina era resumida de forma simples: uma corrida de 300 km, onde no fim ganha o alemão. Apesar do domínio, Schumacher, nem sempre era o mais correcto dentro e fora de pista, e era frequentemente alvo de criticas quer dos fãs, quer dos pilotos. No entanto, quem é Schumi?

Schumacher nasceu em Hürth, na Renânia do Norte-Vestefália, em 1969. Aos 4 anos, o pai pega no seu carro a pedais e coloca-lhe um pequeno motor de moto, que o pequeno Schumacher rapidamente espetou contra um poste de luz. Começava assim a carreira de Schumacher. Os pais rapidamente o levaram para um kartódromo, tornando-se o mais novo membro desse kartódromo. Em 1983 e um curto ano depois de ter obtido a licença de karts na Alemanha, Schumacher ganha o campeonato alemão de juniores de karting. No fim de 1990, assina com a Mercedes para entrar para o programa de pilotos júnior, o que lhe permitiria abrir a porta á Fórmula 1, o que viria a acontecer pela mão da Jordan no Grande Prémio da Bélgica de 1991, disputado em Spa-Francorchamps.

A estreia de Schumacher foi um alinhar de estrelas perfeito. Apesar de ainda ser um piloto com contrato com a Mercedes, Schumacher iria guiar o carro de Bertrand Gachot, que estava preso por um acto de vandalismo. Isto deveu-se ao facto de Schumacher ter sido visto a guiar em Silverstone, por um dos designers da Jordan. A Jordan pagou à Mercedes e lá foi Schumacher pilotar, que como não conhecia bem a pista foi percorre-la de bicicleta. Qualificou-se em 7º lugar, e a expectativa para a corrida era enorme, no entanto, Schumacher viria a desistir durante a primeira volta com problemas de embraiagem. Apesar de haver um acordo de princípios entre a Jordan e Schumacher para ele pilotar o monolugar durante o resto do campeonato, na corrida seguinte Schumacher apresentou-se pela Benetton-Ford, equipa pela qual viria a terminar o campeonato. Durante o campeonato de 92 e 93, correu pela Benetton, apesar de uma tentativa da Mercedes em que Schumacher pilotasse um dos monolugares, ficando em terceiro e quarto lugar do campeonato respectivamente, sendo, porém, campeão no campeonato de 94 e 95, ainda pela Benetton.

Se se tivesse de apontar um ano decisivo na carreira de Schumacher teria de ser o ano de 1996, quando começou a correr pela Ferrari. A famosa Scuderia contractou Schumacher para ajudar na luta pelo Campeonato de Pilotos, que lhe escapava desde 1979. Schumacher cedo deu provas que tendo um carro competitivo conseguia fazer magia sobre rodas. Durante o Grande Prémio de Espanha de 1996, disputado à chuva e onde apenas 6 pilotos terminaram, Schumacher ganhou, com o segundo classificado a ficar a uns longínquos 45 segundos de distancia. Stirling Moss mais tarde diria que “não foi uma corrida. Foi uma demonstração de brilhantismo.”

Apesar de ter feito grandes corridas, no ano de 96 Schumacher não conseguiu ir além de um 3º lugar no Campeonato de Pilotos. O regressar da coroa de Campeão, ocorreria em 2000 pela mão da Ferrari, onde pilotava desde a 1996, e manter-se-ia na sua cabeça durante os campeonatos de 2001, 2002, 2003 e 2004. Schumacher a correr pela Ferrari simplesmente não tinha nem comparação, nem igual. Nem os seus colegas de equipa conseguiam chegar perto. Ao mesmo tempo, ia servindo de consultor para os carros de estrada e no programa XX da Ferrari, serviço que prestou 2009, indo além da sua primeira reforma em 2006.

Durante os três anos em que esteve reformado, o bicho da corrida nunca o deixou em paz. Aquando do acidente de Massa no Hungaroring durante o Campeonato de 2009, ainda foi considerado para o substituir, mas desistiu devido a uma lesão pré-existente no pescoço. O regresso à Formula 1, ocorreria pela mão da Mercedes, para o campeonato de 2010, e estender-se ia para os campeonatos de 2011 e 2012. Porém, Schumacher já não era o mesmo. Os reflexos, a garra e o desejo de ganhar que mostrava todas as corridas já não eram tão grandes, sendo notório que Schumacher estava só a divertir-se. A sua indecisão sobre o seu futuro na Formula 1, levou-o a ser substituído por Lewis Hamilton, e Schumacher reformou-se pela ultima vez em 2012, pondo fim a uma carreira de 21 anos na disciplina.

A carreira de Schumacher nem sempre foi livre de controvérsias. Para além da troca de uma semana para a outra, houve acusações de condução perigosa dentro da pista, de despistes contra carros propositados, de ordens de equipa, etc. Aqui poderia fazer-se o paralelismo com Ayrton Senna. Era costume de Senna, quando em disputa com outro piloto, pôr-se numa posição em que ou era deixado passar ou ambos os pilotos tinham um acidente. Senna entendia os perigos e os pilotos, regra geral, deixavam-no passar, Schumacher fazia muitas vezes isto sem, no entanto, ter o mesmo entendimento dos perigos que tinha Senna. Veja-se concretamente o caso do Grande Prémio da Malásia de 2010, quando Rubens Barrichello tentou ultrapassar Schumacher na recta da meta, e Schumacher foi fechando a linha até que Barrichello foi forçado a desistir da ultrapassagem com apensas centímetros de sobra entre ambos os carros.

Infelizmente a reforma de Schumacher foi curta. A 29 de Dezembro de 2013, pouco mais de um ano depois de se ter reformado, Schumacher sofreu um acidente de ski, tendo batido com a cabeça numa pedra e sofrendo uma lesão traumática no cérebro. Os médicos consideraram rapidamente que, se na altura da queda não estivesse a usar capacete, Schumacher teria morrido. Desde que saiu do hospital, as noticias têm sido poucas e nem sempre animadoras. De acordo com a sua manager, Schumacher está a recuperar lentamente, considerando a severidade da lesão que sofreu, e, de acordo com o seu advogado, Schumacher não consegue andar.

Apesar de tudo Schumacher é um dos melhores pilotos que alguma vez existiu na Formula 1 e poderá ser um dos grandes responsáveis pela popularidade do desporto na altura em que corria.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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