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Medo de mim

Ter medo. Sei o que isso é, desde sempre.

Quando era criança tinha medo de cair, de não poder dar aquele passo seguinte e, simplesmente, ouvir o baque do meu corpo contra o chão, naquela queda indesejada. Hoje, suspender o ar tornou-se comum e liberta-lo é que se torna mais difícil. Os medos, esses, são tantos que nem cair se tornou importante.

Dizem que o medo nos aprisiona, mas nem por um segundo acredites nisso. Tu, eu, os nossos pais, os nossos avós e toda a nossa árvore genealógico sentiu medo. Não foi com certeza isso que os parou de construir o mundo em que vivemos hoje, pedra sobre pedra, molécula por molécula.

Aquilo que somos nós? Não é o medo, com toda a certeza. Cada vez que sinto medo de um passo, sou eu que escolho parar em vez de continuar. Sou eu que decido onde me deixar cair, onde arriscar por o pé, para onde estou a olhar. Sou eu que pondero os riscos, calculo as probabilidades de a minha decisão ser sucedida. O medo só está lá, à espera que eu me decida a senti-lo ou que o veja como mais uma tonalidade do meu dia-a-dia.

Quando ouvires dizer que alguém não faz algo por medo, lembra-te que são tudo tretas. Desculpas que mascaram a nossa falta de vontade em realizar determinados objectivos. Relembrem-se: não é Carnaval todos os dias; o medo não poderá servir de camuflagem dia sim, dia sim.

Enfrentar um medo não significa cortar-lhe as asas. É o oposto. Cada vez que dás um passo quando tens medo de cair, estás a garantir que esse medo continua lá na próxima vez, desafiando-te a agir uma e outra vez. Até que por fim cais, estatelas-te no chão e o medo…não vence. Ninguém ganha quando o medo se realiza porque é só isso mesmo: um facto que se dá e um sentimento que se altera – do medo nasce a frustração. Se acham que o medo vos para, o que dizer da frustração? Tão vencível como o outro.

Tenho medo de muitas coisas e cair continua a ser um deles. Acima de todos, o que mais me aterroriza sou eu mesma. Medo que um dia me deixe paralisar, brincando de Carnaval a toda a hora e em maternidade de uma eterna frustração. O medo lá está, todos os dias. O que fazer? Continuar a levantar-me.

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Raquel Soares

Aluna de Direito na Universidade Do Minho com uma paixão por livros, filosofia, psicologia e o mundo. Não procuro um mundo melhor, mas esforço-me para construí-lo! Sou activista da Amnistia Internacional em Portugal e participante em projectos que visam a dinamização e a efectivação dos Direitos Humanos. Membro da Associação Universitária de debates nacional e colaboradora da ELSA UMinho.

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