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Mariana Domingues: Um verdadeiro talento nascido no Ídolos

Mariana Domingues ficou em segundo lugar na 5ª edição do programa Ídolos, da SIC. Na altura, com apenas 17 anos, encantou Portugal com uma das melhores vozes que já passaram pelo programa e com um sorriso carismático que ainda não foi igualado em nenhum talent show nacional. Hoje, com 20 anos, a Mariana cresceu, está mais segura de si, vive de forma quase independente e tem muitos projectos pessoais e musicais em vista, para além daqueles que já consumou, entretanto. Para sabermos mais sobre a Mariana Domingues, o Repórter Sombra esteve à conversa com ela e encontrou uma pessoa simpática, de sorriso fácil, de coração cheio e com muito para dar à música, num futuro relativamente próximo.

Entraste no Ídolos à cerca de três anos, naquela sala de casting em que conseguiste, logo aí, encantar o júri com as tuas interpretações da Sara Tavares e da Christina Aguilera. O que é que mudou da Mariana daquele tempo, para a Mariana que está, hoje, à minha frente?

A Mariana desse tempo era uma menina, agora sinto que já sou uma mulher. Eu sempre me senti mais madura do que a maior parte das pessoas que eram da minha idade e da minha turma. Mas, depois do Ídolos, quando entrei na faculdade, decidi que queria viver sozinha e que queria passar por toda a experiência da faculdade longe dos meus pais. Não porque eu não os adore, que adoro, como é óbvio, mas senti que precisava desse empurrão para crescer verdadeiramente. Por isso, a Mariana que existe agora é uma Mariana completamente diferente, tenho a minha independência, faço a minha vida dia-a-dia de forma completamente autónoma, não dependo de ninguém. Infelizmente agora já não posso dizer que dependa, financeiramente, inteiramente de mim, porque preciso da ajuda dos meus pais, mas o primeiro ano (de licenciatura) foi tudo graças àquilo que eu ganhei no Ídolos, consegui mesmo ser absolutamente independente no primeiro ano e é um alívio enorme, era o que eu queria fazer desde muito nova.

Agora que o Ídolos começou novamente e que já consegues pensar no teu percurso no programa de forma mais distante, quais foram os aspectos mais positivos que retiraste desse teu caminho?

As amizades. Fiz amizades muito boas que ainda hoje duram, os meus melhores amigos continuam a ser a Solange e1523266_591739050898272_451990098_o o Paulinho, que eu conheci no Ídolos. Em termos de visibilidade, eu acho que eu não estaria onde eu estou agora e, provavelmente, não tinha vindo viver para Lisboa, se não fosse o Ídolos, se não fosse o voto de confiança que os meus pais foram obrigados a dar-me por eu ter de estar longe quase a semana inteira num hotel, onde eles não me supervisionavam. Para além disso, arranjei tanto trabalho depois, as pessoas convidavam-me e eu fazia uma selecção muito rigorosa e criteriosa dos concertos que eu queria, ou não queria fazer e, lá está, consegui criar uma imagem. Não quero dizer uma imagem pública, porque eu não me considero uma figura pública, de todo, mas consegui criar uma imagem profissional de que me orgulho. Foi principalmente graças ao impulso que a televisão dá às pessoas. Num dia estás numa banda de Metal em que tocas de vez em quando, ao fim-de-semana, e, de repente, estás a ser convidada para, sei lá, um concerto na terrinha, que é fixe, com uma banda que é só tua, um concerto que é só teu. É uma evolução muito gira e que eu tirei da minha experiência.

E aspectos negativos?

Muito sinceramente, a minha experiência foi mesmo positiva. Houve lá algumas raparigas que tiveram alguns problemas e perceberam que não estavam preparadas para aquela exposição, mas eu entrei sempre muito consciente. Obviamente que encontras sempre algumas surpresas. Por exemplo, tu mandavas uma lista de músicas e nem sempre as músicas que tu escolhias, que querias cantar numa gala, eram aprovadas. Quantas vezes eu tive que enviar duas, três vezes a minha lista e ela continuava a ser recusada, porque não era o modelo que o programa queria. Mas é daquelas coisas, tens de ter algum poder de encaixe. Em termos de experiências negativas, só mesmo os comentários insustentados no Facebook.

Redes Sociais…

As pessoas às vezes são maldosas, mas posso dizer que não sofri muito, porque também não me predispus a isso. Disse logo que não ia admitir que me tratassem mal na minha página pessoal, isto é a minha página, se não gostam vão falar com os vossos amigos, não tenho nada a ver com isso. Como eu também nunca fui de grandes escândalos, nunca ouviram falar de grande coisa sobre mim, porque não há muito para dizer, também não alimentei essa parte negativa da fama. Portanto, em termos de experiências negativas foram mesmo só alguns comentários, eu ainda sou muito sensível, não gosto de sentir que as pessoas não gostam de mim e às vezes ficava um bocado triste. Mas, a minha mãe, disse-me, ‘não vejas os comentários’, e eu simplesmente deixei de ver.

O Diogo Piçarra, vencedor da edição onde participaste, lançou agora um álbum de originais. Alguma vez pensaste que eras tu quem devia estar no lugar dele?

Não. Não, eu sou uma grande crente que as coisas têm de acontecer do modo que têm de acontecer, já fiquei em segundo lugar em dois projectos relativamente grandes e, lá está, tu tens que ter poder de encaixe. Quando vais a um projecto, o objectivo deve ser ganhar, mas, na tua cabeça, deves pensar, ‘provavelmente vou perder’. Há tanta gente talentosa e estamos em Portugal, que é um meio tão pequeno, se fosse lá fora, eu era arruinada, porque há milhares de pessoas com muito mais talento do que eu. Isso deixa-me muito triste, como é óbvio, porque quero ser a melhor do mundo (risos) mas, às vezes, não é possível. Eu acho que o Diogo é super talentoso, eu acho que ele tem o perfil ideal para ser o ídolo de Portugal, porque ele é uma pessoa muito reservada, com os amigos ele expõe-se e tudo mais, mas é uma pessoa muito reservada. Portanto, ele consegue manter a sua intimidade, enquanto mantém uma proximidade simpática com os fãs, eu acho que essa postura está certíssima. A música dele é muito fixe, ainda não comprei o álbum dele mas espero fazê-lo em breve.

Falávamos do que o Ídolos te trouxe de bom e, em 2013, tiveste uma experiência em Macau, onde cantaste no Hard Rock Café, durante três meses. Como é que surgiu essa oportunidade?

Essa oportunidade surgiu de uma forma muito gira, porque, supostamente, já me tinham enviado uma mensagem para o Facebook, só que eu recebo várias mensagens e às vezes eu não sei o que é Fan Mail ou o que é uma proposta de trabalho. Então, às vezes não tenho disponibilidade para estar a ver aquilo tudo, então escapou-me. Uma vez, estava a chegar a casa, no Porto, estava com a minha mãe, e recebi uma chamada com um indicativo 0016 e eu, ‘o que é isto?!’ Atendi e era o Felipe Fontenelle, o baixista e cantor da banda 80&tal, a ligar-me e a dizer ‘Mariana, estou aqui em Macau, e temos uma proposta para ti’. Ele explicou-me a proposta, explicou-me que iam substituir a cantora residente por outra cantora e estiveram a ver o perfil de pessoas que estiveram em concursos e que tinham gostado da minha personalidade e da minha voz.

A partir da tua prestação no Ídolos?

A partir da minha prestação no Ídolos, viram os vídeos e a partir daí, pesquisaram a minha página. Pronto e assim foi, precisamos de algumas negociações, a minha mãe foi comigo, eu tinha 18 anos, não os conhecia de lado nenhum e ia viver com eles. Portanto, precisava-se de ter algum cuidado. Depois desse mês, a minha mãe foi-se embora, eu fiquei lá durante mais um mês e meio e foi uma estadia de dois meses e meio, enquanto cantora residente do Hard Rock Café e foi… profissionalmente foi incrível, tenho imensas saudades! Cantar todos os dias dá-nos imensa bagagem e eu aprendi muito, muito, muito.

Que feedback foste obtendo, durante a tua estadia em Macau?

Quando cheguei lá foi assim um bocado de pára-quedas, ninguém me conhecia a não ser a banda que me tinha contratado. Lembro-me perfeitamente que foram super atenciosos comigo no início, nas primeiras músicas que eu cantei eles ficavam a olhar para mim assim com carinho e admiração, talvez não estivessem à espera que eu cantasse daquela forma, porque eu senti que evolui bastante depois do Ídolos, com os concertos e tudo mais. Sei que, se hoje fosse ao Ídolos, a minha prestação ia ser muito diferente e se calhar as pessoas não iam gostar, porque eu agora sou muito mais confiante em palco. Eu antes era uma menina e as pessoas gostaram bastante dessa parte em mim. Gostaram de ver que eu sou uma boa rapariga, não sou maluca… e se calhar não iam rever tanto essa Mariana hoje em dia. Mas, voltando ao tópico, inicialmente foram tão queridos comigo que senti-me imediatamente à vontade. Depois, Macau tem muitos portugueses e na última noite em que actuei lá, na festa de despedida que nós fizemos, nós enchemos o Hard Rock de portugueses e eu tenho um vídeo na minha página a cantarmos a 2,3,4,5,7,8 do Gabriel O Pensador e foi lindo, lindo! Estava cheio, as pessoas a apoiarem-nos imenso, estavam com muita pena que nós nos fossemos embora, porque, mesmo sem ir lá sempre, tentavam ir uma vez por semana ver a banda portuguesa, falar com portugueses, é um bocadinho voltar às origens porque estão longe e sentem muitas saudades. A maior parte dos portugueses que eu conheci lá ou estavam extremamente bem instalados e nem sequer queriam ouvir falar de Portugal por causa da crise, ou, então, queriam imenso voltar para Portugal e só não voltavam por causa da crise. Epa, que saudades! (risos)

E como era a tua rotina por lá, para além dos concertos?

A minha rotina era ridícula, eu hoje arrependo-me um bocadinho, mas eu fiz isso principalmente, porque pensei que ia estar dois meses longe da minha família, dos meus amigos, do meu namorado, de toda a gente, e eu preciso de manter o contacto. O fuso horário é muito diferente, se bem me recordo, acho que são oito horas, o que significa que estava eu a deitar-me e estavam eles a acordar, portanto, eu acordava todos os dias às quatro, cinco da tarde… da tarde! Ia para o ginásio do Hard Rock, ficava lá uma hora e meia, duas, dava umas braçadas na piscina, tomava banho lá, levava sempre maquilhagem e a minha roupa já preparada, arranjava-me no balneário do ginásio, descia para o Hard Rock já pronta. Entrava no palco às nove da noite, se fosse em dia da semana, cantávamos até à meia-noite, se fosse sexta ou sábado, cantávamos até à uma da manhã e, depois, ia para casa e íamos comer, porque estávamos sempre esfomeados, quando chegávamos. No fim, cada um ia para o seu quarto, eles punham-se sempre a jogar PES, eu não jogava PES, portanto, eu ia para a internet falar com a minha família.

Não aproveitaste para passear e conhecer novas zonas?

Eu também passeei, atenção! Por exemplo, numa quarta-feira que era quando tínhamos folga, trabalhava todos os dias excepto à quarta, fomos a Hong Kong. Andei por Hong Kong sozinha, eles foram para a praia e eu não queria ir para a praia em Hong Kong! Então fui passear, sozinha e foi lindo. Eu aproveitava mesmo, lá está, Macau é muito seguro e eu aproveitava para vaguear assim sozinha, para explorar, que é mesmo assim que gosto de viajar.

Entretanto, tens na tua página de Facebook mais de 11 mil gostos e tens, certamente, muitas pessoas que querem  ouvir algo teu. Tens alguma perspectiva, ou algum projecto no horizonte em que seja possível ouvir a Mariana no seu próprio registo?

Eu já tenho uma música original e muitas vezes sento-me e componho. Já estive envolvida em alguns projectos, com alguns produtores e tudo mais, só que o meu produtor preferido está neste momento a estudar em Los Angeles, portanto, não dá para fazer aquilo que fazíamos à uns tempos, que era encontrarmo-nos no estúdio dele e compor, fazer uma coisa qualquer. Eu tenho, neste momento, uma música original mas que eu não quero lançar já, porque faltam-me muitas coisas. Eu acho que, a partir do momento em que lanças uma música, tens de ter mais disponíveis, tens de ter um álbum, mandas o single para fora e depois tens um álbum, porque as pessoas ficam curiosas. Uma música só não te define. Faltam-me os meios, quero voltar a cantar primeiro, regularmente, em bares de Lisboa e é isso que agora vou começar a fazer e depois, talvez, quando me ambientar à banda e tudo mais, pensar mais seriamente num projecto original. Sabes que covers vendem mais que originais… é preciso ter muitas coisas na cabeça, porque às vezes aquilo que nós queremos fazer não é possível devido ao nosso mercado, e isso é uma chatice, mas já aceitei essa característica. Eu não canto em português, porque, primeiro, acho que quem quer escrever em português já tem de ter um talento e eu sinto que já não tenho esse talento, eu acho que escrevo bem prosa, mas canções não é bem a minha praia, acho muito mais fácil escrever em inglês. E, depois, o meu mercado não é o português. Não é, de todo. Gosto muito que os portugueses gostem do meu canto e espero que os portugueses saibam todos cantar em inglês e ouvir inglês para perceberem o que eu estou a dizer, mas, o meu mercado, é mais lá para fora.

Estavas a dizer que vais começar a cantar em bares de Lisboa, queres dar-nos algumas pistas sobre esse projecto?

De vez em quando, quando chego a casa e me sinto aborrecida penso que tenho de voltar a cantar, é uma coisa que eu tenho de voltar a fazer. Meti um post no Facebook para procurar músicos em Lisboa. Já não é a primeira vez que eu faço isto, mas, nas primeiras vezes, os resultados foram basicamente amadores que queriam muito cantar comigo e eu não estou à procura de músicos amadores. Eu preciso de profissionais, porque eu já sou amadora, portanto, não preciso que vocês ainda sejam mais amadores que eu, porque depois vai correr mal. Preciso de pessoas que me garantam segurança e profissionalismo. Portanto, depois desse post, um amigo meu que conheci num casting que fiz há uns tempos, mandou-me mensagem a perguntar se estava a querer fazer uma banda e eu disse que sim e ele disse que estava perfeito, já tinha a banda para mim. A banda, em princípio, vai ser composta por mim, um rapaz que se chama Raphael, a Poliana e a Mariana, outra. Portanto, três mulheres e um homem. Nunca toquei com mulheres e estou super entusiasmada, já as conheci e adorei-as. Vamos agora começar a tratar de reportório, de logística, de ensaios e já tenho alguns sítios apontados para começar a actuar.

Mas continua vivo o sonho de lançares um álbum mais tarde…

Sem dúvida, quero muito ter um álbum meu numa prateleira, nem que seja só na minha casa, para poder dizer ‘Mariana Domingues, foste tu que o fizeste’.

Tens algum artista português com quem gostavas, especialmente, de fazer um dueto?

Isso é tão difícil! E é uma tristeza, porque, lá está, eu reconheço que há muitos bons artistas em Portugal, mas, ou não são o meu estilo, ou então acho que as vozes não casavam bem.

Podes escolher internacional se quiseres…

Posso? Porque é que o Michael Jackson morreu?! As pessoas com que eu mais queria fazer já morreram, que era o Pavarotti e o Michael Jackson. Que também não tem nada a ver o Pavarotti com o meu estilo, mas a Skin (dos Skunk Anansie) já cantou com ele, portanto, eu também posso. (risos) Eu admiro tanta gente, é tão difícil, a sério, eu oiço música muito diferente, eu adoro ouvir hip-hop e adoro ouvir algumas variantes de pop, mas eu oiço, principalmente, música alternativa e depois o que eu oiço e o que eu canto são coisas muito diferentes. É mesmo difícil! Adoro Dave Matthews Band, John Mayer, a Skin, Muse também é muito bom, Linkin Park que é da infância. Pronto, eu vou parar de dizer nomes e vou dizer que é muito difícil, não consigo sequer precisar nada.

Então, tenho uma pergunta que é possível que seja ainda mais difícil.

Oh não!

Imagina que vais viajar e só podes levar três músicas contigo. Quais seriam?

Que horror!!! Podes especificar? É que há músicas para determinadas situações, há músicas para a cidade, há músicas para o campo…

Para o campo.

Hmm, deixa-me pensar. Perth do Bon Iver, Assassin do John Mayer e Everybody Here Wants You do Jeff Buckley.

E, já agora, uma para a cidade, para percebermos a diferença.

Midnight City dos M83.

Em relação ao teu curso, estás a tirar Ciências da Comunicação aqui no ISCSP…

Estou quase a acabar!!!

Vieste para este curso por achares que existe alguma semelhança ou forma de conciliação com a música?

A minha trajectória foi a seguinte: eu queria tirar teatro, quando estava no 9º ano, sempre andei em teatro e as pessoas diziam sempre que eu era expressiva. Depois, comecei a pensar em teatro musical, porque, na altura, entrei no coro, comecei a perceber que adorava cantar, depois passou para música. Pensei que provavelmente não ia conseguir ir para Londres estudar teatro musical como eu queria, portanto, se calhar, vou tirar um curso de música aqui em Lisboa. Mas, é assim, eu não tenho conhecimentos técnicos de música, já tive algumas aulas, mas foram todas muito breves. Então, ir tirar uma licenciatura numa coisa que eu não tinha bases nenhumas, uma coisa que é uma paixão enorme minha e que eu tinha imenso medo de passar de hobby para obrigação talvez não fosse boa ideia. Eu não quis encarar a música como uma obrigação, portanto, a minha mãe falou comigo, tivemos a ponderar várias opções e depois ela disse-me, ‘olha, toda a gente enquanto tiveste no Ídolos disse que tu eras uma óptima comunicadora, porque é que não vais para comunicação?’ E eu  comecei a pensar nisso. É através dos Media que todos os artistas lançam as suas coisas, é através de connects não é? É através de contactos que as pessoas fazem fluir os seus projectos, se eu conhecer esse mundo, eu vou estar muito mais apta para fazer uma coisa à parte e introduzir as minhas coisas musicais no mundo da comunicação, consigo passar a minha mensagem muito mais facilmente e eu adoro comunicação, adoro falar, adoro ouvir, gosto mesmo desse mundo. Adoro televisão, com o Ídolos adorei a produção da Freemantle e, então, ganhei ainda mais o bichinho.

É na parte da produção que te vês a trabalhar?

Na parte da produção televisiva. Isso ou apresentação. Já tive também a experiência do Curto Circuito, que me deu vontade, mas achei muito interessante a parte da produção, a parte de seres responsável por fazeres o programa, mas não teres a pressão de estares à frente das câmaras. Também é bom às vezes não estar à frente das câmaras. Por isso tudo, decidi aqui o curso de CC, esta escola não foi a minha primeira opção, mas, sinceramente, ainda bem que eu entrei aqui!

Qual foi a primeira?

Foi a Universidade do Minho. Tinham-me dito que era muito boa e acho que a segunda era no Porto. O Minho era bom, porque, primeiro, tinha óptima reputação e, depois, não ficava assim tão longe de casa o que era bom. Agora para ir para casa são três horas e meia de viagem, é uma chatice. Mas depois eu fiquei tipo, eu quero ir para Lisboa!! Fiquei super contente, quando entrei. A minha mãe ficou em pânico, porque não estava mesmo a contar que eu entrasse em Lisboa, mas pronto, lá nos acertamos e funcionou.

E agora que estás por cá, é para ficar ou vais embora quando terminares o curso?

Existem algumas complicações. O meu pai vive no Brasil agora e a ideia inicial era a família mudar-se para o Brasil. Mas, agora que tenho a minha independência, a minha vida feita, eu gostava de me instalar profissionalmente em Lisboa e eu adoro viver em Lisboa, é aqui que eu me vejo a viver. Eu já fui ao Brasil visitar o meu pai há umas semanas e gostei bastante do que vi, mas eu estava a viver uma vida de princesinha de férias, não é uma vida de dia-a-dia. Eu adoro o facto de Portugal ser tão seguro, é a minha casa. Portanto, existem algumas complicações do ponto de vista familiar, porque eu sou muito chegada à minha família e também não gostava de viver tão longe deles. Eu falo com a minha mãe todos os dias, a toda a hora, com o meu pai é um bocadinho mais difícil porque eu preciso de ter internet, mas estamos sempre a comunicar. Os meus planos de momento são: terminar a licenciatura, antes de terminar a licenciatura, já ter um estágio e, depois, deus queira, ficar na empresa e começar a trabalhar, a ganhar dinheiro, a ficar completamente independente financeiramente dos meus pais e depois tomar a decisão que eu quiser. Nunca me vi propriamente a desenvolver as minhas capacidades unicamente em Portugal, eu gosto imenso de viajar e imaginava-me a fazer assim umas coisas meio malucas, experiências profissionais, estou na idade não é?! Mas, ao mesmo tempo, tudo com muita calma e com muita segurança, porque isto da independência é uma coisa que se ganha e se perde muito facilmente e eu demorei muito tempo a adquirir a minha e não quero perde-la. Sinto que sou demasiado independente nesse sentido, não queria viver outra vez com os meus pais, apesar de eu os adorar de morte, não queria. E eles também não querem voltar a viver comigo, portanto, não têm que insistir. (risos)

Pedia-te para deixares duas mensagens finais. A primeira para os que estão a concorrer agora, nesta nova edição do Ídolos. Que conselhos tens para eles?

Eu tenho muitos conselhos porque a minha experiência foi do início ao fim. Eu vou dizer dois conselhos, pode ser? O primeiro é perceberem quem são antes de entrarem no programa e manterem-se mais ou menos fiéis a essa imagem. Eu não estou a dizer que temos de saber perfeitamente aquilo que somos com a nossa idade, fizeram-me milhares de mudanças de cabelo, de roupa, etc, e eu não me importei. Eu tinha 17 anos, estava disposta a mudanças para ver o que me ficava bem e o que me ficava mal. Mas sempre mantive a minha essência, enquanto cantora, enquanto pessoa e acho que ser assim, ser uma pessoa… qual é a palavra?

Coerente?

Coerente! Ser uma pessoa coerente traz-nos muitas coisas boas na vida. Se vão entrar num programa como o Ídolos, as pessoas têm de perceber que estão a assinar um contrato de exposição e que quanto mais mandarem para fora para os Media, mais se vai saber em todo o lado. Portanto, se não quiserem que se fale de uma coisa, não falem sobre ela. E tenham atenção que se vocês não entrarem dispostos a divertirem-se e a experimentar, se quiserem sempre as coisas da vossa maneira, vão-se dar mal. O programa não é feito para nós, é feito para o público e não somos nós que o fazemos, são as produtoras. Portanto, nós não temos grande decisão, nós somos um bocadinho marionetas, mas podemos ser marionetas em que nós também temos alguma decisão dos nossos movimentos, ou podemos ser completas marionetas e perdermos o controle, ao ponto de nem gostar do que lá estamos a fazer. Pronto, foram dois concelhos que afinal foram gigantes, mas as mensagens são muito curtinhas: ser coerente, ir com optimismo e não se chatearem.

A última mensagem é para os teus fãs. O que é que eles podem esperar agora do novo projecto?

Antes de mais, quem me estava sempre a pedir para vir a Lisboa, pode finalmente vir ver-me, porque eu vou actuar em Lisboa! Posso prometer que me vou dedicar mais à música do que nos últimos tempos. Todos os anos tento ter um projecto novo, eu estou à coca para ver qual vai ser o próximo. Provavelmente vai ser o estágio, mas, um assim musical estou a ver o que é que vai ser. Estejam atentos, continuem a visitar a página de Facebook, porque eu tento mantê-la mais ou menos actualizada e, claro, vão aos concertos.

Nós, aqui, no Repórter Sombra, estamos convencidos e prontos para ficar, uma vez mais, hipnotizados com o poder de sedução e com a presença única em palco de uma grande comunicadora e uma, ainda melhor, cantora.

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Filipe Pardal

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. É assim que o meu currículo académico se define. Quanto às origens: 90% alentejano e 10% algarvio, ambas com um orgulho desmedido ainda que por motivos diferentes. As minhas temáticas preferidas vão desde a política ao desporto, com passagem pela música e literatura. A mistura parece abrangente mas a paixão é bem concreta: escrever e investigar.

One Comment

  1. Sempre gostei da Mariana e apoiei muito a Mariana durante os Ídolos! Foi bom ler esta entrevista, força, mereces tudo de bom na tua vida profissional 🙂

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