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Maré cheia

O choque generalizado com a recente maré de emigrantes afogados no mar mediterrâneo foi pela expressão mais chocante e deu origem a mais capas de revista e jornal, que todos as outras, embora todos os anteriores naufrágios somados tenham provocado muitos mais mortos. Porém, ao não serem acontecimentos simultâneos, ao serem espalhados no tempo, são diluídos na memória. Como alguns dos corpos foram diluídos nas águas.

Desta vez foi diferente. Esta muito recente trágica notícia, apenas diferente pelo número, vem, no entanto, a repetir-se, como podem ler e ver aqui, aqui e aqui… e em muitos outros momentos (leia-se todos os dias).

E nada tem sido feito até que o problema se tornou por demais evidente e visível. Nesta altura em que já se entendeu que não se consegue impedir que as pessoas tentem encontrar um lugar e lar com paz e comida, o problema agigantou-se. Muito mais difícil de resolver que há 10, ou 15 anos, quando se adivinhavam estes fenómenos. Agora terá mesmo de se enfrentar a questão. É que, quando as zonas balneares ficarem aborrecidamente ornadas de cadáveres, isso será uma maçada para os ingleses, ou americanos que querem descansar ao sol numa bela praia, com a sua família feliz. Quantos serão precisos dar à costa para que se faça algo, verdadeiramente eficaz e não se percam tantas vidas?

24_05

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Ricardo Jorge

Lisboa, 1978. Licenciado e mestre em Arquitectura pela Universidade de Lisboa, estudou também Design e Ensino das Artes. Paralelamente a estas áreas desenvolve trabalho em Ilustração e Desenho com exposições regulares em Portugal.

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