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Manuela Maria

Maria Manuela Guerra Lima Cortez e Almeida, “Manuela Maria”, nasceu em Lisboa no dia 26 de Janeiro de 1935. É a actriz portuguesa no activo que conta com mais anos de carreira e nunca se recusou a um papel. Esteve na rádio, nos palcos de inúmeros teatros, observámos o seu desempenho em muitas novelas e também no cinema. Manuela Maria já venceu duas vezes o cancro da mama e tem uma energia positiva que contagia tudo e todos. Aos 83 anos, a actriz continua em gravações e a dirigir a Casa do Artista.

Esta pequena introdução seria mais que suficiente para nos deixar com água na boca, mas não seria justo que ficássemos por aqui. Ela é muito mais do que palavras ou meros textos, é uma pessoa singular e cheia de garra. Aquilo que se pode chamar de uma mulher de fibra. É uma artista respeitada e não foi o seu casamento com Armando Cortez, que faleceu em 2002, que lhe deu o estrelato. Foi simplesmente o seu extraordinário trabalho.

Nas suas palavras, “a viuvez é um estado e um sentimento que não se combatem”, o que prova que esta mulher continua perfeitamente lúcida e capaz de continuar a fazer seja o que for. “Só envelhecemos por dentro, se quisermos e se deixarmos”. Se acrescentarmos a estas máximas o facto de ter recebido a notícia da morte do seu marido e ter mantido a maior calma possível, sabemos que estamos perante alguém muito especial. Para mim, esta será sempre uma ACTRIZ!

Para esta filha de artistas, pisar o palco não oferecia medos nem dúvidas. Eram tempos de teatros itinerantes, onde se montava tudo sempre que necessário e cujo trabalho podia ser visto em muitas sociedades artísticas. Lisboa era a cidade que chamava e todos rumavam à capital. Deste modo, os desconhecidos acabam por se conhecer e as várias peças eram o motor de lançamento de tantos.

Começou como figurante na província, mas a insistência de Vasco Santana conseguiu que chegasse a Lisboa, depois de a ter visto a fazer o papel de Teresa em “Amor de Perdição”. E foi amor, desse cheio, redondo e muito profundo que a uniu ao homem com quem partilhou mais de 40 anos de vida. Ficaram-lhe as recordações e os momentos só seus, porque se deve viver por e com amor. Só assim a vida faz sentido.

Manuela Maria dirigiu os actores de “Morangos com Açúcar“. Esta nova geração não pode entender como se trabalhava há muitos anos, mas ainda bem que a mudança existe e pode ser benéfica. Antes havia um outro tipo de trabalho que agora é desvalorizado. No entanto, trabalhar com jovens é sempre algo de fresco e a aprendizagem é mútua.

Acredita que o mundo é regido por energias e nunca valorizou as coisas más. A separação das águas é importante e filtradora. Teve problemas e desgostos, como qualquer pessoa, mas não se agasta com o que não tem importância. Nos seus sentimentos, ninguém toca. É uma mulher muito bem resolvida com as arrumações todas bem arquivadas.

Não sente vontade de parar de trabalhar, o que lhe agradeço desde já, pois a sua experiência será sempre uma mais valia para os vindouros. Talvez seja este o segredo de tantos actores da chamada “old school“. Para eles, não há reforma nem paragem obrigatória, porque a vida é tão cheia de afazeres que não se podem dar ao luxo de a querer parar.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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