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Manchar a política

O problema da política dos nossos tempos reside, essencialmente, no facto de determinadas personagens insistirem em servir-se da dita para serem notícia. E não o são pelos melhores motivos. Pedro Passos Coelho e Assunção Cristas têm sido o exemplo recente e mais evidente de tal nosso pequeno país, mas lá por fora também há quem faça este triste papel. Mariano Rajoy é, somente, o exemplo mais recente do sujo aproveitamento da política para se fazer notar dos demais.

Confesso que não sou apoiante da causa catalã. E não o sou, porque no meu entender a Catalunha enquanto país soberano não se cinge a uma determinada zona da cidade de Barcelona. E muito menos tal se resume a uma certa cidade da região administrativa espanhola que dá pelo nome de Catalunha. No entanto, daí até se aproveitar um cobarde e desprezível ataque terrorista levado a cabo gente que se está a marimbar para a Catalunha para um combate político vai uma enorme distância. E esta enorme distância tem um nome: Sensatez.

Porém, sensatez é algo que – claramente – Mariano Rajoy já demonstrou no passado não ter, senão este não se teria recandidatado após ser do conhecimento público o envolvimento que teve no caso de corrupção que recentemente abalou o seu partido. E todos sabemos a forma pouco ortodoxa como este conseguiu formar o seu actual Governo, dado que não foi assim há muito tempo o famoso golpe palaciano no PSOE, que permite a Rajoy governar. Agora o que este escusava era de ter descido tão baixo. Isto, porque falamos de um triste acontecimento que feriu e matou pessoas das mais variadas nacionalidades. E a culpa (a ser possível determinar-se tal) é de toda a Espanha e não somente de uma sua região administrativa.

Não estou com tudo o que escrevi até agora a desculpabilizar, ou até mesmo a defender, a actuação do actual líder da região Administrativa da Catalunha no que a uma possível independência da dita diz respeito. Muito pelo contrário! Eu até que tenho sido um dos fortes críticos da sua actuação, dado que me parece que Carlos Puigdemont padece do mesmo mal que o seu colega de protagonismo Mariano Rajoy. Isto, porque, repito, o acto terrorista em Barcelona e a forma como este se desenrolou é culpa de todos e não somente deste ou daquele, mas é-me de todo impossível não criticar a forma vergonhosa como o actual Primeiro-Ministro de Espanha se serve de uma tragédia para se auto-promover.

Meus senhores e minhas senhoras que fazem da política a sua profissão vamos parar de manchar a política?

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Pedro Silva

"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida." (Salvador Dalí) Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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