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Magnetic Fields, ironia e amor à mistura

Se existe uma banda que une a originalidade, a ironia e descreve temas como o amor num cocktail de sinfonias, essa banda poderá ser The Magnetic Fields. Não são a melhor banda do mundo, nem tão pouco dos mais conhecidos, mas são dos melhores no que fazem, quando os comparamos com outros do seu ramo musical. Para quem esteja perdido e desconheça por completo o seu trabalho, sugiro que oiçam uma das músicas mais conhecidas da banda “All my little words”. Depois convido-vos, então, a saberem mais sobre estes deuses do Indie Pop.

Um nome que deve ser decorado: Stephin Merrit. O que há mais para saber sobre o grande criador dos The Magnetic Fields? Pode-se dizer que é uma personagem bastante interessante. Afirma que prefere escrever letras num ambiente mal iluminado, cercado pela música de discotecas e bêbedos (Fonte: NPR), mas prefere os estúdios aos concertos. “Não sou gajo de palcos. Para já, tenho alguns problemas com som muito alto, os meus ouvidos não são bons. E depois é desconfortável”, explica Merrit. Outro pormenor interessante sobre Stephin Merrit está na intensidade e ressonância da sua voz. Por este motivo, o compositor já foi diversas vezes comparado com outros grandes senhores do mundo da música, como Johnny Cash, ou Calvin Johnson (dos Beat Happening).

No entanto, foi com os Magnetic Fields que Stephin Merrit conseguiu um maior reconhecimento a nível internacional. A banda reside na cidade de Nova Iorque e é composta por três homens e uma mulher. Imagine, então, a seguinte mistura: letras inteligentes e curtas, a ironizar temáticas do dia-a-dia, como o amor, que fazem lembrar alguns trabalhos de Cole Porter, cantadas por uma voz peculiar (na maioria das canções), acompanhadas de uma melodia que tende a variar das maneiras mais interessantes que se possa imaginar. Quem diria que a música Chicken with its head cut off (Galinha com a cabeça cortada) nos levaria a uma canção de amor? Somente Magnetic Fields o diriam e da melhor maneira possível.

Começaram em 1993, quando a banda começou a produzir, mas o grande reconhecimento deu-se em 1999, com o álbum de três discos 69 Love Songs. Depois, Stephin Merrit decidiu concentrar-se em outros projectos seus até que em 2004 voltou a compor para The Magnetic Fields, dando origem ao álbum i. Facto interessante sobre este álbum é o de todos os temas das canções estarem ligadas pela mesma vogal “i”, de iniciação. Em 2008, lançaram Distortion, que ficou conhecido, tal como o álbum anterior, pela ausência de sintetizadores, fenómeno que se prolongou até 2010, com o álbum Realism.

O álbum mais recente, “Love at the Bottom of the Sea”(2012), já passou pela Casa da Música (no Porto) e pelo Teatro Maria Matos (em Lisboa) e Stephin Merrit deixou a promessa à revista Blitz de voltar à “mistura característica de sintetizador e sons acústicos”.

Ainda assim, esta não é uma banda para todos os ouvidos. Do mesmo modo que existem pessoas facilmente gostáveis e outras que necessitam de se conhecer melhor, existem bandas que funcionam da mesma maneira. The Magnetic Fields, Belle & Sebastian, Tullycraft, entre outros, são bandas com um conteúdo inteligente e que influenciam o nosso estado de espírito sem que nos apercebamos. Uma magia musical que apenas se explica através de sensações e emoções. Ou como brinca Stephin Merrit “Não há fogo-de-artifício nem bailarinos. Não acontece muita coisa. Vá, a música é boa.”

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Petra Teixeira

Licenciada com o curso de Ciências da Cultura, vertente em Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Adora o mundo da Comunicação sendo que a escrita é uma das áreas predilectas. As áreas de interesse são sobretudo direcionadas para a moda, música, cinema, teatro, literatura, socidade, e um afim de outros assuntos que fazem a vida mais interessante.

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