História

Luxemburgo – a História recente de um Grão-Ducado

O príncipe herdeiro do Luxemburgo, Guillaume Jean Joseph Marie, casou a 20 de Outubro de 2012 com Stephanie de Lannoy, filha do Conde Philippe de Lannoy e de Alix Faille de Leverghem. A propósito deste enlace, conheçamos um pouco melhor a história dos últimos duzentos anos deste grão-ducado.

Entre 1814 e 1815, reuniram-se em Viena os representantes das várias potências Europeias, naquele que viria a ser conhecido por Congresso de Viena, para decidir os destinos dos diversos reinos europeus, após a derrota do império de Napoleão, nomeadamente a nível da reorganização de fronteiras e de restituição dos tronos ocupados por este às antigas dinastias soberanas. Nesse sentido, uma das decisões tomadas foi a da criação do Grão-Ducado do Luxemburgo, que passaria a pertencer à Coroa holandesa, em troca de quatro principados junto ao Reno, que passariam a pertencer à Prússia. O então Rei dos Países Baixos, Guilherme de Orange-Nassau, passaria, portanto, também a designar-se Grã-Duque do Luxemburgo.

Em 1830, a Revolução Belga, que tornou independentes várias províncias do sul dos Países Baixos sob o então recém-criado reino da Bélgica, fez perder parte do território luxemburguês para este novo país. Com a assinatura do tratado de independência conhecido por Tratado de Londres, em 1839, além de ter sido reconhecida a independência belga, foram igualmente reconhecidos os direitos da dinastia Orange-Nassau sobre o Grão-Ducado.

No entanto, uma crise dinástica iria mudar os rumos do Luxemburgo, uma vez que todos os filhos varões do Rei dos Países Baixos, Guilherme III, morreram (um de meningite, na infância, os outros de febre tifóide), tendo a última morte ocorrido em 1884. Guilherme ficaria apenas com uma filha viva, Guilhermina, fruto de um segundo casamento, com Ema de Waldeck e Pyrmont, filha de um príncipe alemão. Porém, como em grande parte dos países europeus, o Grão-Ducado do Luxemburgo seguia a Lei Sálica, que previa que não houvesse sucessão feminina. De facto, em 1783, havia sido assinado o pacto de família, que estabelecia que a sucessão do Luxemburgo se fizesse em linha directa por ordem de primogenitura, na descendência masculina, excluindo a descendência feminina. À falta de descendente masculino, quer em linha directa, quer em linha colateral dentro da Casa de Orange-Nassau, a coroa passaria a um outro ramo da família, a de Nassau-Weilbourg. Assim, após a morte de Guilherme III, o trono dos Países Baixos passaria para a sua filha Guilhermina, mas não o trono do Luxemburgo, entregue ao ramo dos Nassau-Veilbourg, na pessoa de Adolfo, filho segundo do Duque de Nassau. Adolfo tornava-se, assim, Grão-Duque do Luxemburgo, inaugurando a primeira dinastia independente dos Países Baixos.

Maria Ana de Bragança e as seis filhas

Curiosamente, no trono do Luxemburgo iriam, em breve, suceder duas Grã-Duquesas, netas de Adolfo e filhas do seu sucessor, o Grão-Duque Guilherme IV, casado com a infanta de Portugal, Maria Ana de Bragança, filha de D. Miguel I. Deste casamento, nasceram seis filhas. A mais velha, Maria Adelaide tornou-se a Grã-Duquesa, após a morte do pai, a primeira soberana natural do Luxemburgo, tendo-lhe sucedido a irmã, Carlota, bisavó do actual príncipe herdeiro Guilherme, que recentemente casou.

Imagem de destaque – Rei Guilherme II com a sua família. Quadro de Jean-Baptist Van der Hulst, c. 1832. Da esquerda para a direita: Guilherme IIII (1817–1890), Alexandre (1818–1848), Guilherme III (1792–1849), Anna Paulovna (1795–1865), Sofia (1824–1897) e Henrique 1820–1879).
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Pedro Urbano

Nasceu em Lisboa em 1979, tendo frequentado o antigo Liceu de Setúbal. Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente doutorado em História pela mesma Universidade, onde também concluiu o mestrado em História Contemporânea.

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