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Longe da Névoa fomos conhecer os Candeio

Fruto de uma grande amizade entre músicos, os Candeio surgiram da vontade de fazer música em português e para portugueses. Não se definem como uma banda de pop/rock, pois o desejo de explorar tudo musicalmente é muito e os rótulos não combinam com eles. O grupo que se mantém fiel à canção popular, ligada ao campo e ao mar, dará que falar, começando já com o primeiro single “És Névoa”. Lançarão o seu primeiro álbum em Março de 2015 e as suas músicas prometem ser contagiantes. Até lá, fica a conhecê-los melhor neste conversa que tivemos com eles.

Procurando  no  Dicionário  online  Priberam,  Candeio  é  definido  da  seguinte forma: “Fogacho para pescar de noite. Pesca ou caça realizada à noite.” Porquê escolher este nome para a vossa banda?

Quando surgiu a necessidade de dar um nome à banda procurei que esse nome traduzisse de alguma forma a musica que estávamos a fazer. Sentia que as canções eram amplas e luminosas mas que havia também uma dimensão um pouco mais escura  que  lhes  era  comum. O  nome  Candeio  surge  dessa  ideia, a  imagem  de uma luz que brilha no escuro e atrai um ser que vive no escuro é realmente muito forte. Depois há um outro significado que não referes que é facto de Candeio ser também o nome dado à flor da Oliveira. Flor que gera um fruto numa árvore com tanta simbologia. Candeio fica assim ligado ao mar e ao campo e é por isso um nome que tem uma ideia de Portugalidade muito presente. Aquilo que nos propomos fazer é musica portuguesa e por todas essas razoes pareceu-me um bom nome. Existem ainda mais algumas curiosidades associadas ao nome às quais acho piada, a pesca ao Candeio é proibida o que dá ao nome uma conotação fora da lei. Candeio é um nome popular usado por pescadores, gente do campo e agora músicos!

Quem são os Candeio? De que forma se definem como banda e como pessoas?

Os Candeio são basicamente um grupo de amigos/músicos que se me juntou para dar vida a um conjunto de canções que tinha feito. Tudo aconteceu de uma forma muito natural e sem grandes planos. Quanto ao futuro o objectivo é simples, continuar a criar e partilhar essa música com as pessoas. A banda tem essa matriz bem definida, antes de tudo o resto estará sempre o prazer de fazer música. Não nos queremos perder a correr atrás de coisas que não controlamos de forma nenhuma. Queremos usufruir plenamente do caminho e do prazer de fazer música juntos.

Ouvindo o vosso primeiro single, “És Névoa”, é possível inserir a vossa sonoridade numa numa matriz pop/rock. No entanto, existe também uma certa calma planante, que revela uma procura por novos caminhos musicais. Como se descrevem em termos sonoros?

Gosto de olhar para o que fazemos simplesmente como música portuguesa. É importante para mim que a imagem mental que tenho do grupo seja o mais ampla possível porque não quero condicionar a minha criatividade. É bastante mais confortável para mim não ter barreiras estilísticas definidas e poder simplesmente vestir as canções com a roupagem que me parecer mais apropriada na altura. Gosto que essa definição esteja em aberto mas aceito sem complexo que lhe chamem pop/ rock ou outra coisa qualquer. Até porque tenho plena consciência que o nosso som ira sofrer muitas mutações daqui para a frente e qualquer rotulo que lhe seja atribuído agora terá sempre de ser actualizado pelo caminho.A verdade é que queremos viver o lado criativo da musica e arriscar sem sentir que estamos demasiado presos a um qualquer estilo.

O que vos inspira, quando compõem as vossas músicas?

No meu caso pessoal, qualquer coisa pode servir de gatilho para criar uma musica. Pode ser um filme, uma noticia, uma imagem, uma conversa, um estado de alma… Faço musicas e letras desde miúdo, para mim é natural, faz parte da minha vida. Em qualquer altura posso ter uma ideia e ai é pegar no telemóvel, numa, folha, no que estiver à mão e registar a ideia de imediato. Mais tarde virá um processo mais mental que é o da selecção mas quando estou a criar não há crivos.

Quem são as bandas e/ou músicos que admiram e em que se revêm musicalmente?

Dentro da banda temos certamente gente que gosta de coisas muito diferentes. Posso dizer que pessoalmente admiro músicos que tenham uma identidade sonora bem vincada. Que soem únicos e originais. De Jimi Hendrix a Carlos Paredes, de Pink Floyd a The Clash ,De Bad Brains á Amália…enfim estilos completamente diferentes que tem apenas em comum o facto de eu sentir a sua música como verdadeira. A Música é algo invisível que entra em nós e eu gosto de ouvir música que me faça sentir coisas.

Se pudessem resumir o vosso novo álbum, a ser lançado em Março de 2015, em formato de teaser, como o fariam? O que podemos esperar dele?

Diria apenas que é um disco feito com verdade e que é sem duvida uma imagem fiel do nosso caminho até aqui. Podem esperar um disco feito à base de canções escritas em português em que tentamos criar ambientes com espaço suficiente para que seja possível respirar e dar asas à imaginação.

O que esperar da banda no futuro?

Na verdade não temos grandes planos ou ambições , esperamos apenas fazer música e partilhar com as pessoas. Queremos manter o foco no que realmente é essencial sem estar a gastar energia a tentar adivinhar ou projectar o futuro. A vida ensinou- me que os planos raramente batem certo e acabam por desviar a nossa atenção do presente que estamos a viver. Queremos viver o caminho e usufruir do prazer de estarmos juntos neste caminho criativo.

Quais são os vossos objectivos como artistas?

O objectivo como artista no meu caso é o de procurar o meu próprio caminho. Tenho necessidade de compor e escrever, e o desejo de fazer mais e melhor. Tenho também a vontade de poder contribuir para que alguma coisa possa melhorar à minha volta. A música é um meio com uma força enorme e por vezes pode ser utilizada para tentar passar algumas mensagens e eu sempre que achar isso importante não deixarei de o fazer.

Onde poderemos ver-vos e ouvir-vos nos próximos tempos?

Neste momento estamos a terminar o disco e vamos arrancar com os concertos ao vivo em Março. Podem manter-se informados em www.facebook.com/candeiomusica

Para terminar, pedia-vos uma mensagem para os nossos leitores.

Obrigado pelo apoio e esperamos encontrar-vos quando arrancarem os concertos! Abraço: Pedro Ataíde (Sarrufo)

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Inês Faro

Estudante de Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade. Vivo para a música e grande parte dos meus interesses está nessa arte, nesse mundo tão vasto e com tanto ainda por descobrir.

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