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HistóriaSociedade

Lições do Séc. XX para o Séc. XXI

Uma das noções essenciais do estudo da História da Humanidade, e atrevo-me até a afirmar, a sua mais importante lição, é que se já aconteceu antes, pode acontecer outra vez. A História tem uma tendência de aceleramento de repetição de padrões que vem por consequência do progresso tecnológico. Com a globalização moderna, qualquer evento nacional, regional ou mesmo o que comemos ao almoço torna-se assunto mundial quase instantaneamente, através das redes sociais e dos Media. Isto poderia ser considerado como uma vantagem evolutiva, mais exposição igual a mais clareza, porém, a quantidade estrondosa de informação que nos é bombardeada por segundo pode ser tão arrebatadora que ou nos deixamos consumir por esta ou tornamo-nos agentes passivos do feed do Facebook. Tornamo-nos espectadores e como, por norma, o ser humano se preocupa mais com a própria existência do que com o que se passa no outro lado do mundo, decidimos não tomar a mudança do mundo nas nossas próprias mãos. Pensamos: para isso estão os políticos, as forças policiais, os advogados, as ONG e não nos sentimos tão culpados, quando fazemos Like a torto e a direito tanto a desastres naturais, que deixam milhares sem teto, a tiroteios por crianças a crianças e a fake news como de igual modo à estreia de um novo filme da Netflix. Isto enquanto mastigamos sem remorso o bom chocolatinho Nestlé com pedacinhos de amêndoa e gostinho a escravatura infantil.

Nunca estivemos mais bem informados, mas também nunca estivemos mais cépticos ao que é realmente verdade ou mentira, ou seja, em caso de dúvida não acreditamos em nada e abrigamo-nos na confortável toca da indiferença. Está-se bem aqui, na ignorância voluntária, não é? Mas sabem que mais? Neste mundo (simplificando claro), existem três tipos de pessoas: os maus da fita, as vítimas e os espectadores. Não somos más pessoas, pagamos os nossos impostos, não metemos o nariz na vida do vizinho, não queremos ser vítimas e, então, não levantamos ondas, calamo-nos. Contudo, não será o lugar do espectador o pior dos papéis? Ver a injustiça social, a violência, a atrocidade humana mesmo à frente dos nossos olhos, sentir cá dentro que está errado e mesmo assim não fazer nada? Não percebemos ainda, nós do mundo “civilizado”, gente sortuda com todas as regalias de uma boa educação, de água corrente e acesso a internet grátis em qualquer McCafé, que não somos melhor que os perpetuadores do mal?

Aristóteles dizia que o que nos difere dos outros animais é a constante busca pelo bem estar humano, através da chamada Ética. No seu ver, o conhecimento e a ação têm sempre como finalidade o bem e só através da sua prática o conseguiremos alcançar. Ora, como meros mortais, podemos realmente fazer a diferença? Eu acho que sim.

Nem precisamos de ir tão atrás ao tempo dos filósofos gregos. Basta olharmos para a História do século passado. Que capítulo negro, certo? Certo, mas também foi uma era de progresso social e político como nunca antes visto. Foi o século de não uma, mas duas guerras mundiais, a bomba atómica de Hiroshima, o Holocausto Judeu, o começo do conflito entre as duas Coreias…, mas também foi o século das Sufragistas, do primeiro homem na lua, da independência das colónias portuguesas em África, dos Beatles… No mesmo ano em que eu nasci, explodia a central nuclear de Chernobyl, mas também entrava Portugal para a CEE. O muro de Berlim foi edificado e também mandado abaixo no mesmo século.

O que aprendemos com o passado? Hoje em dia, sabemos identificar os preliminares que antecedem o nascimento das ditaduras, dos abusos de poder, da perda de liberdades. É agora, não amanhã, enquanto ainda somos livres que devemos empreender a mudança. “Mas como?”, perguntam. Em tudo. Em tudo o que fazemos: façamos escolhas educadas, não permitamos que uma injustiça escale, eduquemos os nossos filhos a serem curiosos, a criar opiniões próprias. Não sigamos cegamente a manada, sejamos a ovelha negra se for preciso, mas façamo-lo em nome do progresso, da justiça e da liberdade.

Lembremo-nos que os piores males do mundo são engendrados por gente gananciosa e sem escrúpulos que só pensa em lucro. Quem os torna ricos e impunes às leis? Quem? Nós, os consumidores. Veja-se agora a recente greve de camionistas. O mundo para sem gasolina, tornámo-nos tão dependentes de um produto não essencial à vida (não é sustento, não é água) e só quando nos falha é que lhe notamos a falta. Neste novo século, o poder vem, e é importante fazermos essa conexão, do controlo dos bens essenciais.

Hoje rimo-nos dos tweets de Trump, amanhã, não teremos muitas razões para rir neste país que pode ser minúsculo e pacífico, mas está à mercê das potências mundiais. Os meus pais ainda se lembram o que é viver numa ditadura. Pois é…, o século XX não foi assim há tanto tempo.

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Catarina Loureiro

Autora. Artista. Cismadora. catarinaloureiro.wordpress.com

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