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HistóriaSociedade

Let’s make love, not war

Há uma música de Cole Porter chamada “Let’s fall in love“, onde na letra são dados exemplos de animais que se apaixonam. Substituam-se as palavras “fall in love” por “have sex” e somos confrontados com uma das verdades mais tabu do planeta: toda a gente faz sexo. E apesar de hoje o sexo se estar a tornar menos tabu, nem sempre foi assim. Este artigo vai levar-nos numa viagem pela História e pela história do sexo, numa tentativa de descortinar o que tornou o sexo, esse acto tão aceite pelos gregos e romanos, no acto pecaminoso, mas necessário, da Idade Média, apenas para se tornar cada vez mais aceite nos dias de hoje.

Na Antiguidade, havia uma atitude de pouca importância ao sexo. Isto é, as preferências e a orientação sexual de uma pessoa eram de menor importância. Tanto na Grécia Antiga, como em Roma, as relações heterossexuais e homossexuais eram abertamente aceites, tal como o eram a pedofilia e o incesto, este último mais comum em Roma do que na Grécia. Na Roma Clássica, havia inclusive escravos de ambos os sexos, cujo trabalho era darem prazer aos seus donos e aos convidados dos mesmos, para não falar nas orgias que eram realizadas. Com a ascensão do Cristianismo e dos seus valores e a queda do Império Romano do Ocidente acompanhada do nascimento da Idade Média, passou a existir uma condenação dos actos sexuais que não fossem heterossexuais.

A sociedade da Idade Média, extremamente religiosa, levava os ensinamentos e valores do Cristianismo e da Bíblia à letra. Assim, como já referi, os actos externos à heterossexualidade eram condenados na generalidade e mesmo as relações sexuais heterossexuais estavam regradas em termos de posição e havendo sempre a finalidade da reprodução. Curiosamente, apesar de a poligamia ser condenada, o adultério era aceite e dado como um facto adquirido, apesar de condenável. Aliás, o adultério era mais bem aceite na Idade Média do que hoje em dia. Com a queda do Império Romano do Ocidente e consequente entrada no Renascimento, houve um relaxar da condenação à homossexualidade, o que não significa que tenha passado a ser aceite. Passou simplesmente a olhar-se para o outro lado.

O período que compreende o fim da Idade Média e o fim da Grande Guerra trouxe poucas ou nenhumas aberturas ao mundo do sexo, mantendo-se o status quo existente com a chegada do Renascimento. Porém, com os avanços sociais dos Loucos Anos 20, esse status quo começou a ser quebrado. É certo que, enquanto por um lado se criminalizam os actos que não fossem heterossexuais, por outro lado os mesmos não eram tão abertamente condenados. Passou a haver uma maior aceitação (dentro da mentalidade da época) e até um certo nível de encobrimento, isto é, desde que não fosse muito evidente, não havia problema. E esta mentalidade manteve-se até à década de 60, onde, com a revolução cultural que ocorreu, o mundo do sexo foi naturalmente afectado. Sob o lema de “make love, not war”, a libertação sexual deu um salto. Nas comunas por todo o mundo, vivia-se o amor livre, livre de orientações e géneros. E esta libertação prolonga-se até aos dias de hoje.

Apesar de ainda haver um longo caminho a percorrer até se chegar ao ponto onde o Império Romano se encontrava, hoje em dia vivem-se sem problema as relações hetero, homo, pan e sapiosexuais, entre muitas outras. Vivemos num mundo onde o que era a norma está a deixar de o ser, onde já não há a vergonha que havia outrora. Vivemos num mundo, onde o sexo não só tem livre acesso como está à vista de todos, já não sendo o acto pecaminoso, mas necessário que era. O sexo deixou de ser um tabu, algo horrível que se fazia atrás de portas bem trancadas, para passar a ser feito sem pudor, onde quer que haja lugar.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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