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Lars Kepler e a acção

O primeiro autor de policiais nórdicos que vou referir é Lars Kepler. Ou, deverei dizer, dupla de escritores?

Lars Kepler, na realidade, é um pseudónimo composto de duas pessoas, que além de companheiros de escrita são também companheiros de vida: Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril. Ele, sueco. Ela, sueca com mãe portuguesa, por isso, não é de estranhar o apelido tão lusitano. Ambos escritores independentes, decidiram unir a sua escrita para surpreender com romances policiais e escolheram assinar com um pseudónimo que homenageasse tanto Stieg Larsson, o escritor, como Johannes Kepler, o filósofo.

lars kepler e a accao 1O primeiro livro que li, O Hipnotista, apresenta o inspector Joona Linna que, curiosamente, não é sueco, mas sim finlandês. Um inspector que tem uma reputação excelente de conseguir resolver casos complicados e, por isso, talvez se aguente a sua personalidade tão – por vezes – particular. Neste primeiro livro, Joona Linna pede ajuda a um hipnotista para resolver um caso complicado de uma família que foi assassinada e que só um rapaz sobreviveu, mas que não se lembra de nada, devido ao choque. O hipnotista tinha jurado não voltar a hipnotizar ninguém, mas acede ao pedido, desencadeando uma sequência de acontecimentos trágicos, entre os quais o rapto do seu próprio filho. Será que todos estes acontecimentos têm ligação?

No segundo livro, The Nightmare (traduzido em português como O Executor), Joona Linna investiga dois estranhos crimes que não têm nada em comum: o aparente suicídio de uma alta figura do Estado Sueco e umlars kepler e a accao 2 estranho homicídio numa embarcação de uma jovem rapariga. Ao descobrir quem é a rapariga, apercebe-se que esta pode não ser a única vítima que estava na embarcação. A irmã, uma pacifista que começava a ser conhecida, e o namorado desta estão desaparecidos. Joona Linna não descansa, enquanto não descobrir a ligação entre o suicídio, o homicídio e os desaparecimentos, e a resposta é muito mais diabólica do que podemos imaginar.

Desde o primeiro livro, percebi logo que Lars Kepler gostava de acção. Acção como nos filmes, pura e dura: fugas complicadas, helicópteros abatidos, situações improváveis, carros a capotar, lutas ferozes. É a principal característica que difere dos restantes escritores policiais nórdicos sobre os quais vou escrever, que parecem tentar ser mais realistas.

No entanto, não é por isso que os livros deste autor são desagradáveis, muito pelo contrário. Embora às vezes essa acção possa parecer exagerada, acabamos por permitir e acreditar que tudo é possível, porque não conseguimos sair daquela história. Aliás, não conseguimos sair das várias histórias que estão inteligentemente interligadas, algo que também é uma característica muito marcada de Lars Kepler: apresentar-nos acontecimentos que não parecem ter nada a ver e, depois, brilhantemente, dar sentido a tudo.

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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