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Lamborghini Urus

O Touro do Asfalto e da Terra Batida

Os auroques eram, até a sua extinção em 1627, os maiores bovinos existentes. Com um peso que podia ascender até 1500 kg, 1.8 metros de altura e uma agressividade superior à dos touros de lide (os seus parentes vivos mais próximos), eram animais verdadeiramente impressionantes, o que os tornava uma peça de caça única (razão pela qual estão extintos). E agora perguntam-me vocês, caros leitores: mas o que é que um boi que está extinto desde 1627 tem a ver com o mundo automóvel? Meus caros, permitam-me que vos apresente o Lamborghini Urus.

Antes disso, vamos uma pequenina viagem no tempo. Corria o ano de 1986, quando a Lamborghini, numa tentativa de salvar não um, mas dois projectos militares falhados, apresenta e começa a produzir o LM002, o primeiro jipe da marca. O LM002 foi pensado para países ricos em areia e petróleo, e acima de tudo para pessoas com pouco juízo e muito dinheiro. Desenhado à régua e esquadro durante um almoço (não, não estou a gozar), o LM002 é hoje considerado o avô do SUV desportivo. Debaixo do seu capot encontrava-se um enorme V12 de 5.2 litros, ou havendo necessidade de mais potência, um V12 de 7.2 litros. Não é de estranhar que o LM002 viesse de origem com um tanque de gasolina de 290 litros. Se acha que isto não é exclusivo o suficiente, a Lamborghini encomendou os pneus, de 43 cm de largura, runflat e cujo rasto foi baseado nas patas dos camelos, à Pirelli e permitiam ao LM002 sobrepor qualquer duna ou deserto que ousasse atravessar-se no seu caminho. Entre 1986 e 1993, foram produzidos 328 (one wonders why) e é considerado um dos carros mais raros do mundo.

Avancemos, então, para 2012, ano em que tudo começou. Aproveitando o sucesso que tinha sido a primeira geração do Porsche Cayenne, a Lamborghini choca o mundo ao apresentar, no Salão de Pequim, o concept do Urus. Apesar do choque, aquele que se viria a tornar no segundo jipe da marca de Sant’Agata Bolognese, foi recebido com bastante entusiasmo. Entusiasmo esse que voltou a ser repetido em Agosto de 2012 quando foi mostrado no Concours de Pebble Beach, na Califórnia. Apesar de nunca ter havido uma confirmação oficial, sempre se partiu do princípio que debaixo do capot teria o famosíssimo V10 de 5.2 litros. Devido ao entusiasmo gerado pelo carro correram rumores, de que tanto em Pequim como em Pebble Beach teriam sido passados vários cheques, mas a marca nunca confirmou ou desmentiu. E infelizmente o projecto caiu no “nim” da Lamborghini, até que em 2015 surgiu finalmente a confirmação de que iria ser produzido.

Apresentado no inicio de Dezembro de 2017, como modelo de 2018, o Urus é antes de mais o irmão mais novo dos SUV de alta potência do Grupo VW. Partilha com o Audi Q7, Bentley Bentayga, Porsche Cayenne e VW Touareg o chassis. O motor, o magnifico bloco V8 4.0 a gasolina, também aparece em alguns dos irmãos, mas sendo o mais novo o Urus tem direito a um mimo. Nesta encarnação, o V8, apresenta uns míseros 650 cavalos de potência, acoplado a uma caixa de velocidades de 8 relações, o que faz dele um dos Lamborghini mais potentes à venda actualmente. Fiel aos ideais do LM002, e dos restantes irmãos, o Urus apresenta um sistema de tracção as 4 rodas divido em 60/40, e uma suspensão pneumática que é capaz de elevar o Urus a uns respeitáveis 25 cm de altura. Devido ao uso de fibra de carbono misturada com polímeros, na carroceria, é o mais leve dos irmãos, pesando apenas 2200 kg. Isto permite que o Urus cumpra os 0-100 km/h em 3.6 segundos, e os 0-200 km/h em 12.8 segundos. Havendo estrada, e coragem, suficiente o Urus irá atingir uma velocidade máxima de 305 km/h superando o seu irmão Bentayga que “apenas” chega aos 301.

Em termos de design, pouco ou nada mudou do Urus Concept para o Urus de produção. É quase preciso pôr ambos os carros lado a lado para descobrir as diferenças. No entanto, como todos os Lamborghini, é um carro de extremos, ou se ama profundamente ou de odeia com uma força visceral. Ora, como todos sabemos, a Lamborghini tem uma maneira diferente de fazer as coisas, e acima de tudo gosta de pregar partidas aos seus fãs. Portanto se estavam à espera de um interior espartano e duro desiludam-se. Apesar dos tons pretos e da fibra de carbono dominar o interior, evidenciando o carácter de SUV de alta potência do Urus, é possível torná-lo menos agressivo. Os bancos são confortáveis, (algo que nunca pensaram ler num artigo sobre um Lamborghini), e escolhendo essa opção, podem massajar os ocupantes (mais uma vez massagens e Lamborghini no mesmo artigo. O mundo esta perdido!). Numa tentativa de o tornar mais exclusivo, é possível transformar os 3 lugares traseiros em 2 individuais. Mas aquilo que é indispensável, e sem o qual não vale a pena comprar o Urus, é o modo Off-Road, que adiciona ao modo Strada, Corsa e Sport, os modos Sabbia, Terra e Neve, o que permite ao Urus andar em quase todo o lado.

Ora, agora impõe-se a primeira de duas questões: é possível comparar com o LM002? Infelizmente não. O LM002 está no passado, numa altura em que as emissões eram apenas uma coisa que saia dos escapes, e não um factor principal, e onde as duas regras essenciais eram ser extravagante e maior é sempre melhor. O Urus é, apesar de ser um Lamborghini, relativamente sensível. A segunda questão é: vale a pena? Com um preço em Portugal a norte dos 250 mil euros e com a concorrência dos irmãos a questão fica difícil. Pessoalmente para mim vale, porque apesar de partilharem o chassis e o motor são visões diferentes de como fazer um SUV. A ideia que eu tenho do Urus é simples: serve para enfiar num saco de viagem na mala e ir à descoberta, não da Europa em si, mas das grandes pistas europeias.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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