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Lamborghini Miura – o pai dos Super-Carros

Sobre os super-carros, já muito foi escrito. São máquinas que nos mexem de forma visceral, que deixam quem os vê, ou quem os tem com um sorriso estampado na cara, que se amam ou se odeiam de forma instantânea. São carros que têm apenas uma função: andar depressa. No entanto, podemos estabelecer uma linhagem directa desde o primeiro super-carro de sempre, o 250 GTO, ate aos dias de hoje. E se considerarmos o 250 GTO como o avô dos super-carros, então, o pai deles terá de ser, sem dúvida, o Lamborghini Miura.

Sem ordens para tal e sempre fora de horas, três engenheiros da Lamborghini, Gian Paolo Dallara, Paolo Stanzani e Bob Wallace, começaram a trabalhar num protótipo de um carro de estrada com pedigree de carro de corrida. Quando apresentaram o projecto a Ferrucio Lamborghini, este deu-lhes não só o aval, como carta-branca para fazerem o que quisessem com o carro. Apesar dos modelos anteriores apresentarem o motor à frente, o Miura (sob a designação de P400) apresentava o motor em posição central e montado transversalmente. Ainda sob a forma de chassis rolante (isto é, sem carroceria) é mostrado no Salão de Turim de 1965 e surgem as primeiras encomendas para o carro. Marcello Gandini da Bertone foi encarregue do design do carro, terminando-o pouco tempo antes do Salão de Genebra de 1966. Apesar do compartimento do motor ter estado sempre fechado (os engenheiros esqueceram-se de ver se o motor cabia no compartimento – detalhes insignificantes…) foi a estrela do Salão. Devido a este sucesso, foi decidido que tinha de ser posto em produção ainda no ano de 1966, sob o nome de Miura, a mais feroz ganadaria de touros de lide.

A produção dos Miura pode ser organizada em três ciclos diferentes. De 1966 a 1969, com os P400, de 1968 a 1971 com o P400S e, finalmente, de 1971 a 1973 com o P400SV. Todos os Miura tinham o mesmo motor V12 de 4 litros montados em posição central (dai a designação Posteriori 4 litri), mas com potências de 350, 370 e 385 cavalos respectivamente. Desde que foi posto a venda, o Miura tornou-se um ícone do mundo automóvel e era o carro em que se devia ser visto, a par dos grandes rivais, o Ferrari 365 Daytona e o Maserati Ghibli.

Porém, não era um carro sem defeitos e alguns deles foram solucionados de forma engraçada. Uma vez que o depósito de combustível estava na parte da frente do carro, à medida que o combustível ia sendo usado a frente, tornava-se mais leve, dificultando o uso da direcção (ultrapassar os 240 km/h era um feito de coragem enorme). Este problema nunca foi resolvido. Outro dos problemas era o calor gerado pelo motor. A solução foi tirar o vidro e colocar umas aberturas para permitir a saída do ar quente, aberturas essas que se tornaram icónicas da Lamborghini e têm sido usadas, seja como extra ou como standard, em quase todos os modelos da marca desde então. As célebres pestanas, por cima dos faróis dianteiros dos Miura, eram na verdade entradas de ar para arrefecimento dos travões.

Em 1970, Bob Wallace criou uma mula de testes que estivesse de acordo com o Apêndice J dos regulamentos de corrida da FIA. Nascia o Miura Jota. Wallace pegou no chassis standard do Miura e modificou-o extensivamente, substituindo algumas partes por alumínio em vez de aço com o mesmo a suceder com alguns elementos da carroceria. Wallace substituiu também os vidros laterais por plástico. No total, o Miura Jota era 362 kg mais leve que o Miura standard. O motor estava modificado para produzir até 440 cavalos, fazendo do Miura Jota o mais rápido dos Miura. Infelizmente, este carro único foi vendido a um coleccionador que o destruiu num acidente em Abril de 1971.

Ainda hoje, praticamente 50 anos volvidos desde a sua apresentação, ainda é um carro extremamente sexy e feroz e ainda é capaz de parar o trânsito onde quer que passe. É um clássico intemporal. É pai deles todos. É aquele carro que nos faz desejar termos dinheiro para o comprar, mas que ao mesmo tempo nos enche de um medo saudável.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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