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LaFerrari Aperta: um Ferrari especial

Aperta”, a palavra italiana que significa aberto. Para a grande maioria das pessoas, não passa disso, de uma palavra. Para os petrol-heads e em especial para os tifosi da Ferrari, é muito mais do que uma mera palavra. É a vida a céu aberto, é deixar o motor gritar e ver os quilómetros a desaparecerem.

Recuemos no tempo. Corria o ano de 2013 e no Salão de Genebra a Ferrari apresentava o primeiro superdesportivo híbrido da marca. Previamente anunciado que ia ser um híbrido, eu e muitas outras vozes bradamos aos céus, dizendo que ia perverter o espírito da marca e que ia ser um flop de vendas. Não podíamos ter estado mais enganados, uma vez que as 499 unidades foram todas vendidas em cerca de 2 meses. E logo em 2013 surgiram os primeiros rumores. Talvez, se as vendas forem boas, houver interesse dos clientes e disponibilidade financeira, se considere a hipótese de, numa edição limitada e para clientes muito especiais, criar uma versão descapotável do LaFerrari. Durante 3 anos, o assunto esteve numa situação de nem sim, nem não.

Avancemos para a actualidade. Mais concretamente para o inicio de Julho de 2016. As primeiras imagens oficiais do LaFerrari Aperta apareceram na Internet, com poucos ou nenhuns detalhes concretos sobre o carro propriamente dito. Contudo, desde então já sabemos tudo. O LaFerrari Aperta apresenta o mesmo motor que o Coupé, isto é um V12 com 6.3 litros de capacidade, naturalmente aspirado, com 800 cavalos e uma unidade híbrida com 163 cavalos, para uma potencia total de 963 cavalos, todos dirigidos para as rodas traseiras, através de uma caixa automática de 7 relações. Tal como no Coupé, o Aperta usa um monocoque em fibra de carbono. Como tal, os engenheiros da Ferrari pouco, ou nenhum, trabalho tiveram para o reforçar, de modo a conseguir lidar com o facto de não ter tejadilho. No entanto, para manter o coeficiente aerodinâmico do Coupé, a aerodinâmica do Aperta foi bastante revista. Para os dias em que a meteorologia decide não colaborar, há a opção de ou um tejadilho em fibra de carbono ou uma capota de lona, não sendo possível juntar os dois. Mas aqui entre nós, o Aperta não é para ser usado em dias desses.

Em termos de prestações, tanto o Aperta como o Coupé apresentam os mesmos valores. Os 0-100 km/h são cumpridos em menos de 3 segundos, os 0-200 em menos de 7, os 0-300 chegam em 15 segundos, e uma velocidade máxima acima dos 350 km/h (a Ferrari ainda não lançou números oficiais, mas pela potencia do motor, estima-se que a velocidade tanto do Coupé como do Aperta ande entre os 370 e os 380 km/h).

Agora, caro leitor, imagine isto. É de manhã e o tempo pede um passeio. Entra no Aperta e liga-o. Os 12 cilindros acordam com um muito pouco subtil rosnar e deixam-lhe um sorriso na cara. O destino? Isso não é importante. O importante é que a estrada tenha curvas. Parte à descoberta. Subitamente no mapa aparece-lhe uma estrada cheia de curvas e contracurvas. Perfeito. Lança o Aperta contra a primeira curva, esmagando o acelerador assim que passa o ápice da curva. Ele foge de traseira ligeiramente, mas nada que não estivesse previsto. O motor pede mais, o Aperta pede ainda mais, e o tempo incita-o a continuar a divertir-se. Cada curva e contracurva é como desafio, como se a mesma lhe dissesse que não a consegue fazer. O rugido do V12, naturalmente aspirado, às 9000 rotações, mesmo no inicio do redline e as passagens de caixa servem de banda sonora para a viagem. E isto tudo com os cabelos ao vento. Parece-lhe bem não parece? A mim também.

Porém, chegou a altura das más noticias. Só serão feitos 209, com cada exemplar a custar cerca de 2.5 milhões de euros. E mesmo que tenha essa insignificante quantia de dinheiro, não o pode comprar, isto porque a Ferrari já vendeu todos os 200 exemplares a “amigos especiais” da marca. Os restantes 9 serão para uso num tour por 60 países que a Ferrari irá organizar por ocasião do 70º aniversario da marca. E, no entanto, viver em modo Aperta nunca pareceu, ou soou, tão bem.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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