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CinemaCultura

Kingsman: The Secret Service

Kingsman: The Secret Service é um filme que desafia todas as expectativas, porque desafia-nos a termos qualquer tipo de expectativas. O actor principal, Taron Egerton, é desconhecido no mundo do cinema, Colin Firth não fez nenhum filme de acção anteriormente e Matthew Vaughn ainda não é um realizador reconhecido. Apesar de ter conseguido uma boa recepção, X-Men: First Class não foi capaz de catapultar o realizador para o estrelado, como fez com muitos dos actores que fizeram parte do elenco, e os filmes que já realizou até à data são demasiado distintos entre si para que o seu estilo consiga ser percepcionado. Para além disso, Kingsman é um filme baseado numa banda desenhada que já não existe e que só conseguiu ser marcante para os fãs das criações de Mark Millar e do seu colaborador frequente, Dave Gibbons.

Contudo, o filme consegue surpreender pela positiva, muito graças a Egerton, que consegue fazer uma representação cativante, e a Firth, que demonstra ser capaz de ser o actor principal num filme de acção. É também aqui que o estilo de Vaughan como realizador é sedimentado, ao conseguir criar um balanço entre a extrema violência de Kick-Ass e a precisão executada em X-Men: First Class, fazendo-nos desafiar as expectativas sobre os filmes que normalmente são lançados em Fevereiro, um mês que normalmente é conhecido pela sua falta de qualidade cinematográfica.

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Kingsman: The Secret Service tem um enredo que é em parte inspirado nos clássicos de James Bond e no musical My Fair Lady (comparações que o próprio filme chega a fazer sobre si mesmo). Taron Egerton dá vida a Eggsy, um jovem inteligente e com capacidades atléticas quase iguais às de um tropa de elite, cujo potencial foi desperdiçado pelo seu baixo estatuto social, pela violência constante do seu padrasto e pela constante presença da morte do seu pai. Colin Firth é Harry Hart, também conhecido como Galahad, um agende secreto da Kingsmen, um grupo de super-espiões que não tem qualquer aliança a nenhum governo, e foi ele o responsável pela morte do pai de Eggsy, quando o recrutou para a organização e ele morreu na primeira missão. As duas personagens conhecem-se, depois de Eggsy ser preso por roubar um carro e ter realizado uma perseguição de automóvel em marcha atrás com um polícia, no exacto momento em que Hart vê-se necessitado de um novo recruta para a organização. O que catapulta o rapaz no fim da cadeia social para um caminho em que se pode tornar num super-espião elegante, que usa fato e anda sempre com um chapéu-de-chuva.

O ponto de vista destes dois personagens (o falhanço de Hart no treino do pai de Eggsy e o choque cultural que este último vive ao longo da narrativa) formam a espinha dorsal do filme todo. Ambos têm motivos óbvios para justificar as suas decisões e acções. Até Samuel L. Jackson, que interpreta o vilão Valentine, consegue ter uma motivação clara para as suas acções de vilania. Isto, apesar do filme demorar a ligar os vários pontos desenvolvidos ao longo da história.

Infelizmente, a maioria do grande elenco não consegue ser tão bem sucedido. Sophie Cookson, uma estreante pelo mundo do cinema comercial, é uma personagem feminina principal fraca no papel de Roxy, uma candidata a Kingsman. Os seus grandes momentos são mal introduzidos na história, já que os seus momentos potencialmente triunfantes não são mostrados no ecrã, ou são colocados em segundo plano perante as vitórias de Eggsy. Outras personagens que inicialmente aparentam não ter qualquer relevância, como é o de Merlin, acabam por ganhar surpreendentemente proeminência perto do fim do filme. Ou seja, entre todos os membros da Kingsmen, da meia dúzia de recrutas, a família de Eggsy e os capangas de Valentine existem demasiadas caras e nomes para ser possível acompanhar todos com o mesmo grau de atenção.

Portanto, as duas grandes estrelas são Firth e Jackson, que aparentam estar a divertir-se muito a representar estes papéis, especialmente em cenas como a do confronto num jantar em que a refeição eram Big Mac’s. Eles estão num filme de espiões, especialmente um que tem consciência desse facto e que se encontra numa linha entre a reverência (os gadgets e as roupas são uma referência à era em que Sean Connery era o James Bond) e da irreverência (as decisões de alguns personagens são tomadas, porque não é suposto eles saberem que estão num filme).

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É difícil de pensar noutra pessoa para ser a charmosa personagem principal de Kingsman do que Colin Firth. Não só o papel assenta-lhe que nem uma luva, mas também o seu currículo já conta com outros papéis em que fez de cavalheiro, tendo já representado reis e personagens românticas em filmes de época. É uma autêntica revelação vê-lo a aplicar o mesmo aprumo no papel de um arrojado e elegante agente secreto, principalmente um que é uma fusão entre o estilo preciso de luta de Black Widow e a eficiência destruidora de Wolverine. É tão aprazível vê-lo neste registo que, quando o filme termina, quase que sentimos a vontade de viajar no tempo e sugerir que seja ele o James Bond em vez de Pierce Brosnan.

Apesar do seu estilo ser difícil de caracterizar, Vaughn tem a reputação de ser capaz de catapultar as carreiras daqueles com quem trabalha, ou de lhes dar um empurrão significativo. Foi ele quem permitiu a Aaron Taylor-Johnson ter uma plataforma de arranque da sua carreira em Kick-Ass e fez com que Jennifer Lawrence e Michael Fassbender atingissem a popularidade que hoje têm, através de X-Men: First Class. O novato Taron Egerton poderá ser a próxima história de sucesso do realizador, porém, mesmo tendo uma prestação sólida no seu papel, ele é uma das vítimas do elenco demasiado grande e de algumas falhas no argumento, chegando a perder a nossa atenção em detrimento de actores mais conhecidos. Eggsy é de facto uma personagem divertida de acompanhar e é, sem qualquer dúvida, o mais importante no filme inteiro, mas nunca consegue ser tão cativante como as restantes personagens. Como o seu treinador dos Kingsmen lhe diz, ele comporta-se de forma muito controlada e isso só faz com que seja mais divertido acompanhar personagens mais descomprometidas, como Harry Hart e Valentine. No entanto, quando nos aproximamos do fim do filme e ele veste o fato da organização, o seu verdadeiro potencial como personagem principal carismática é demonstrado e é-lhe permitido, enquanto actor, divertir-se tanto como os restantes actores.

Com isto dito, é de notar que a verdadeira revelação do filme é Matthew Vaughn. Com Kingsman: The Secret Service, o realizador consegue provar a si mesmo que é o melhor criador de filmes de acção actualmente no activo. Cada cena de luta (e existem muitas) é imbuída com uma excitação e uma criatividade electrizante quase palpáveis. A capacidade de encenação quase visceral do realizador merece tanto crédito como a representação de Colin Firth, ao conseguir transformar este actor num cavalheiro que é também um mestre das artes marciais. Não só nunca vimos o actor apresentar este tipo de capacidades físicas, mas também nunca foi apresentado este tipo encenação no que toca a confrontos corpo a corpo.

Concluindo, este é um filme de Verão mascarado como uma curiosidade de Inverno. Visualmente é fantástico, com a cenografia a recorrer a várias cores convidativas para o olhar. Os efeitos especiais conseguem ser, por vezes, excepcionais. Kingsman: The Secret Service é um filme que contem cenas de luta que nunca vimos antes, de acção electrizante e de representações que conseguem manter a história cativante, mesmo quando o excessivo número de histórias ameaçava tornar o enredo demasiado cansativo.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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