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Jornalistas no mundo real!

Não são os redactores que fazem o jornal, mas os assinantes.

Delphine de Girardin

A primeira ideia que um estudante de jornalismo vê desconstruída assim que entra no mercado de trabalho é esta simples frase de Delphine de Girardin, autor francês do século XIX: quem faz o jornal, e quem diz jornal, traduzindo para o mundo de hoje, diz televisão ou sites informativos online, são os assinantes ou leitores. O jornalista que na visão clássica deve se nortear pelos princípios da objectividade e procura da verdade, dando ao público os temas ou questões mais relevantes que compõem o universo temático da opinião pública, é o mesmo jornalista que agora viu as regras do jogo invertidas e vê a agenda mediática a ser, sobremaneira, influenciada pela agenda pública.

Repórter cidadão, redes sociais ou blogs, que debatem temas que passam para a agenda mediática, são alguns dos novos fluxos de informação do mundo jornalístico, que alteraram por completo teorias de comunicação, como a de Agenda Setting. Agora, mais que nunca, os leitores, espectadores ou ouvintes são quem ditam a grelha temática e definem os temas sobre os quais há uma opinião pública. Esta nova abordagem, não só pede aos jornalistas que se mantenham atentos aos fluxos dos new media, bem como tornam imperativo que o jornalista seja versátil e domine tanto o meio televisivo, o da imprensa escrita e principalmente o digital.

Assim, a componente digital do jornalismo assume cada vez mais um papel preponderante nas redacções, reflectindo os novos hábitos de leitura do público. Perante este cenário, as universidades já começam a mostrar a preocupação com esta área, oferecendo aos estudantes um conjunto de opções, como pós-graduações ou ateliers com uma forte componente prática, que preparem da melhor forma, os futuros jornalistas para o mercado de trabalho.

tumblr_libvtstNNW1qd6g2no1_500_large-11Também neste novo mundo, em que o espaço público está saturado com informação e meios concorrenciais que disputam a mesma, na visão clássica do jornalismo – a concepção ainda veiculada pela maioria das faculdades – os aspirantes ao lugar de “operários da palavra” esbarram com as linhas editoriais dos meios de comunicação. Ainda que, a objectividade, a veracidade das fontes e a verdade dos factos sejam os princípios bases e fundadores do jornalismo, muitas publicações substituíram estes critérios pelo sensacionalismo, a arte da  espectacularização e especulação a fim de atingir o objectivo último de qualquer meio de comunicação: receitas.

Desta forma, olhando para o universo jornalístico português, é-nos possível identificar os meios que pautam pela via do jornalismo clássico e aqueles que seguem uma linha editorial sensacionalista, sendo os últimos os mais populares entre o público. E é com esta realidade que os estudantes de jornalismo, quando saem das universidades, se deparam destruindo para os mais puristas que o jornalismo é a simples busca pela verdade objectiva, despida de interesses e artes ilusionistas.

Porém, apesar das transformações que o jornalismo tem sofrido, nesta nova fase de coordenação e coexistência entre os old e new media e o novo papel do público, que se torna mais activo, o jornalismo continua a desempenhar uma função cardeal no fornecimento e filtragem da informação no mundo contemporâneo, por isso, acarreta grandes responsabilidades. Esta premissa que era a verdade de ontem continua a ser verdade de hoje sendo um ensinamento intemporal.

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio.
Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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