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Jaguar E-type – o Carro mais bonito do Mundo

Enzo Ferrari tem duas frases, entre muitas outras, que sempre me cativaram. A primeira é sem duvida “a aerodinâmica é para quem não sabe construir motores”, relegando esta alquimia, hoje largamente usada em todos os carros, para a inutilidade. Il Comendatore, como era conhecido, estava errado. A outra é mais simples, é um elogio: “É o carro mais bonito do mundo”. Il Comendatore não podia estar mais certo. O Jaguar E-type é, sem duvida, o carro mais bonito do mundo. As suas linhas clássicas, ainda hoje seduzem os petrol-heads pelo mundo fora.

Apresentado em Genebra em 1961, o E-type foi um sucesso imediato. O Series 1 (1961-1968) apresentava um motor 3.8 com 6 cilindros em linha com 270 cavalos, uma caixa manual de 4 velocidade, e estava disponível numa versão coupé ou descapotável. A partir de 1964, passou a ser possível escolher um motor com 4.2 litros de capacidade, os mesmos 6 cilindros em linha, e com a mesma potência e velocidade máxima, uns respeitáveis 241 km/h. Os Series 1 ainda hoje são os mais desejados dos E-type. E como não serem? O capot comprido, a traseira curta, as jantes raiadas, a originalidade, o inegável charme inglês do carro, tudo contribui para serem um clássico dos anos 60.

Apesar disto tudo, o E-type tinha alguns problemas que nunca foram resolvidos, e ainda bem que não foram, pois fazem parte do que o torna um brilhante carro. Os 270 cavalos de potência do Series 1 eram demasiado para os 1315 kg da versão coupé e 1256 kg da versão descapotável, o que fazia com que a traseira fosse demasiado feliz, isto é, uma curva um bocadinho mais apertada ou uma dose de acelerador fora de tempo e ela fugia e lá ia o infeliz condutor de traseira contra uma coitada de uma árvore que estava a passear inocentemente á borda da estrada. Da mesma maneira, a direcção era tudo menos precisa, necessitando de movimentos exagerados para apontar o carro para onde o queríamos enviar. Era um carro para quem sabia guiar e quem soubesse fazia dele o que quisesse.

Com um preço de cerca de 2000 libras, era um carro acessível a muita gente, o que também o tornou extremamente popular. Era mesmo condição inerente à categoria de “ser-se alguém” em Londres na década de 60. De playboys a lords, toda a gente tinha pelo menos um. Era um carro que ficava bem à frente do pub da esquina, do Palácio de Buckingham ou do casino em Monte Carlo.

Como disse, o E-type foi apresentado em Genebra, mas não foi a primeira vez que foi visto em publico. O protótipo, um coupé com matricula 9600HP, foi discretamente apresentado a alguns jornalistas antes de Bob Berry, um executivo pegar nele e viajar desde Conventry até Genebra, chegando 20 minutos antes de ser apresentado ao público. Houve tanta gente a querer fazer test-drives, que foi dito ao piloto de testes Norman Dewis, para largar tudo e pegar numa versão descapotável, com matricula 77RW, e seguir para Genebra. 19 horas depois, lá estava ele para grande aplauso da imprensa. Após o salão de Genebra, o protótipo foi emprestado a vários jornalistas para testes. Um deles, escrevendo para a Autocar, chegou aos 241 km/h na autoestrada belga perto da cidade de Jabbeke e depois informou a Jaguar que o carro não tinha sido capaz de ultrapassar essa velocidade.

Ainda hoje, mais de 50 anos depois do seu lançamento, continua a ser tão “quintessentially british” como no dia em que foi lançado, continua a ser um objecto de desejo. O meu? British Racing Green por fora e o interior em pele bege. Não se mexe com um clássico.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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