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Isabel II: 63 são as contas que Deus lhe fez

63 anos e 216 dias no Trono de Inglaterra é a data que a rainha Isabel II assinalará hoje, 9 de Setembro, ultrapassando a sua trisavó, a Rainha Victória, como o monarca que mais tempo reinou em Inglaterra. Catapultada para o Trono pela morte inesperada do pai, o Rei Jorge VI (ele próprio catapultado para o Trono pela abdicação do irmão, Eduardo VIII) em 1952, a Rainha Isabel sempre conseguiu equilibrar a distância necessária do soberano com a proximidade pedida pelos seus súbditos, razão pela qual é querida onde quer que vá. Porém, estes 63 anos não foram isentos de altos e baixos.

É com bastante facilidade que se constrói o argumento de que o ano de 1992 é um dos pontos mais baixos do reinado de Isabel II, apelidado pela própria Rainha de “annus horribilis”, com a separação de André, o divórcio da princesa Ana, a abolição da monarquia nas Ilhas Maurícias e o incêndio do castelo de Windsor. No entanto, o ano que mais afectou o seu reinado foi sem dúvida o de 1997, com a morte da princesa Diana. É certo que Diana já não fazia parte da família real inglesa, mas ainda era a Princesa do Povo, adorada e venerada por milhões, por causa das instituições de caridade que apoiava. Aquando da morte de Diana, a 31 de Agosto, a família real estava em Balmoral, na Escócia, e por lá ficou até o primeiro-ministro, Tony Blair, ter praticamente exigido a presença da família real em Londres. Esta demora custou a Isabel II uma grande parte da sua imensa popularidade e gerou-se um sentimento anti-monárquico e republicano muito forte, com (qualquer coisa como) 25% da população a exigir a abolição da monarquia.

No entanto, estes pequenos arrufos dos ingleses com a Rainha são rapidamente esquecidos. Prova disso são os inúmeros eventos para os quais a Rainha é convidada diariamente, os eventos de estado e até as cerimónias familiares (que acabam sempre por ser bastante publicas). Onde quer que a Rainha vá, é recebida por um mar de gente, agitando bandeiras de Inglaterra, e há inúmeras filas de espera para a ver e com alguma sorte trocar duas palavras com ela.

Ao longo de 63 anos de reinado temos de considerar que houve um ponto alto e esse ponto foi o ano de 2012. Os festejos do Jubileu de Diamante da Rainha trouxeram o público a um nível de proximidade da Rainha nunca dantes visto e as cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos também contribuíram em grande número para que 2012 fosse o ponto alto do seu reinado. Pode-se também argumentar que este ponto alto apanhou a onda do casamento do Príncipe William, no ano de 2011.

Como já disse, os 63 anos de Reinado de Isabel não foram isentos de pontos altos e baixos. Teve de lidar com a fragmentação e perda de grande parte do Império Britânico e consequente reorganização na Commonwealth, com assassinatos e tentativas de assassinato de familiares e lidar com críticas constantes de que trabalha pouco. A verdade é que a Rainha é uma trabalhadora incansável, sempre em cima de qualquer acontecimento (em polos opostos, são frequentes as chamadas para o Primeiro-Ministro a pedir explicações sobre um qualquer assunto de Estado, assim como é frequente, quando há um jantar de Estado, vê-la nas cozinhas do palácio, ou na sala de jantar a verificar se esta tudo de acordo com os seus desejos) e, apesar do seu estatuto, não se coíbe de deitar as mãos à obra, quando é preciso.

O que se pode dizer, então, sobre estes 63 anos de reinado? Ao seu lado esteve sempre o seu marido e principal fonte de apoio e os filhos. Soube usar os poderes que ainda tem, quando foram precisos, e acima de tudo soube manter-se afastada das intrigas do parlamento. No fundo, o que se desejava seriam mais 63 anos de reinado.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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