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Ironias Religiosas

Desde muito cedo que a religião está ligada à sociedade. Foi e continua a ser motivo de guerras e comemorações, evidenciando, muitas vezes, uma necessidade inata do ser humano em ter fé.

A verdade é que embora a religião se torne, nas sociedades portuguesas, cada vez mais independente – e cada vez mais um negócio também, atrever-me-ei a dizer – e embora as gerações mais novas não tenham hábitos religiosos como tinham os seus pais e avós – o hábito de ir à missa, por exemplo, e comungar – há, ainda que nem todos admitam, uma grande parte de pessoas que, em momentos de aflição tem fé. Até que ponto é legitimo ter-se fé somente em momentos de desespero é uma questão que aqui se pode levantar. Porém, é, de facto, o que acontece com uma grande parte das gerações mais novas…e também das menos novas. Independentemente de se ser um religioso praticante ou não, nos momentos mais complicados, quando não vemos “uma luz ao fundo do túnel”, vamos acreditar com todas as forças que existe uma força superior e que é essa a única capaz de nos ajudar. Nesses momentos – momentos de desespero – vemo-nos a pedir, nem sabemos nós a quem, que nos seja tirada a dor e que tudo corra pelo melhor. É inevitável.

Ao lado da realidade portuguesa, porém, estão realidades mais infelizes. A religião tem mostrado, ao longo de toda a sua história, ser capaz de mover sociedades e guerras. O choque de ideias e crenças continua a constituir um problema em muitas zonas do globo. É algo que poderá vir a atenuar-se ainda mais, mas ninguém sabe se algum dia as guerras religiosas terão um fim definitivo.

E não deixa de ser irónico que algo que defende o bem em tantos pontos promova um mal tão grande como a guerra. Trará a religião mais paz ou mais guerra? É uma questão pertinente neste assunto. O ser humano é, está visto, um ser muito curioso. Faz a guerra para promover a paz. A ironia é clara.

Quando se fala da importância da religião nas sociedades é difícil, contudo, chegar-se a uma conclusão. Primeiramente, porque nem todas as sociedades lidam da mesma forma com a religião. Depois, porque o tema acaba por ser delicado e estar sempre dependente de uma infinidade de fatores. A religião tem poder na sociedade. Um poder que demonstra, múltiplas vezes, necessidades humanas, porém, até que ponto é legítimo afirmar que esse poder traz consequências positivas ou que as traz negativas? Não é… E vai continuar a não ser. Nós, cá no nosso retângulo, vamos continuar a ter fé só quando precisarmos que a fé nos apazigue a alma. Eles – comos os vemos e tratamos – lá nos países das guerras – esquecemo-nos que também já por lá passamos – vão continuar a guerrear sem estabelecer acordos.  Vai ser sempre assim. Nós vamos preocupar-nos só connosco e eles nem com eles próprios. Vai ser sempre assim. É o poder da religião. E parecem ser também as necessidades do Homem.

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Cátia Cardoso

Cresci junto às margens do rio Paiva. A natureza sempre me inspirou e a inspiração sempre me impeliu para a escrita. Aparte isso, acredito que nasci com uma missão: comunicar. E a estudar Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra, descobri ainda a paixão pelo cinema que veio juntar-se à paixão pelo teatro. O mundo e as pessoas levam-me a pensar e construir pontos de vista e opiniões, que não receio expor.

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